A Teoria da Superação na Prática da Educação


“Não superar representa no ápice da condição humana a mais ampla de todas as humilhações, pois representará se render ao movimento da natureza humana do viver, ou seja, o mal moral mais cruel.” (Morin, 2011, p.119).

Quando dona Jô criou a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) para enfrentar as dificuldades com seu filho Zequinha, o caminho foi a educação. Quando o adolescente Edson Arantes do Nascimento, que viria a ser o atleta do século Pelé, aos 15 anos de idade decidiu não deixar o campo do Santos num alvorecer, para fugir de volta para a casa dos pais em Bauru, a razão fundamental estava na sua educação. Da mesma forma, quando Alexandre Costa iniciava o que veio a ser a maior franquia de chocolates do mundo, a Cacau Show no Brasil, de novo ali estava na alma da coragem dos seus enfrentamentos o poder da educação, onde da mesma forma, o modelo do seu negócio, franquia, se baseia na formação e na educação de milhares de empreendedores. E ainda, quando Shunji Nishimura, fundador da Jacto na cidade de Pompeia, pegou o trem em São Paulo, como mais um dos milhões de pobres imigrantes que vieram ao Brasil no século XX, e tomou o destino de ir para a então última estação de trem daquela linha, nessa sua decisão, da mesma forma, levava consigo uma valorosa carga de valores, aprendidos na vital arte humana do viver, a educação.

Esses quatro casos foram alvo da pesquisa da minha tese de doutorado: a pedagogia da superação . A inspiração me foi dada pela Prof. Dra Marie Lissette Canavesi Rimbaud, minha orientadora, e professores com os quais convivi na UDE (Universidade de la Empresa ) no Uruguai. Um incômodo poderoso nascido da inquietação de tratar esse tema essencial para cada ser humano, a Superação, por um caminho até então não transformado numa tese de doutorado me foi sugerido. Tema pleno de livros de autoajuda pelo planeta afora, onde comprovo nesta pesquisa ser simplesmente impossível superar só. Mesmo quando acreditamos que sozinhos vencemos, suplantamos, não mais nos acomodamos na mesma camada e damos um salto, ali estão presentes guerreiros, mentores e heróis invisíveis.

Professores que nos marcaram a vida desde a mais tenra infância. Vizinhos, parentes, amigos e até mesmo seres humanos onde num breve e rápido encontro nos redirecionaram o nosso olhar, e como Platão asseverava: “não podemos colocar nas almas o que elas já não carreguem, educar é direcionar o próprio olhar”. Significa foco. Como autor da tese, fui estudado e mencionado num livro feito nos Estados Unidos – “Succeed on your own terms”, de Herb Greenberg e Patrick Sweeney. E nesse livro os autores destacaram que a definição de sucesso que englobava todas as demais e as transcendia (dentre mais de 40 casos internacionais estudados) dizia “sucesso é manter viva a criança que você foi, e saber que ela está presente em tudo o que você é e que você faz” de minha autoria.

 

E nos estudos realizados sob a epistemologia da fenomenologia hermenêutica, tanto nos casos acima tratados como num caso comunitário de vítimas e parentes da boite Kiss, de Santa Maria, Rio Grande do Sul, onde 242 pessoas perderam suas vidas, ali se faz presente como ingrediente poderoso da superação a presença dessa alma infantil como alavanca motriz para renascer, e, com ela, um dos fundamentos apresentados na tese, “aprender, acreditar, criar e inspirar”. Para superar não seremos mais os mesmos, deixaremos pedaços e retalhos de cada um de nós, construiremos identidades aprimoradas e na base real, legítima e concreta disso tudo, superação da teoria para a prática se faz pelo caminho da educação.

 

Marcos teóricos selecionados depois de centenas de fontes e leituras, encontros obtidos no diálogo com professores e no ateneu da universidade, concluímos por reunir e integrar quatro pensadores da libertação humana. Afinal, superar será sempre libertar-se das opressões e de opressores. Makiguti, pedagogo japonês, contribui com a clareza da importância da geografia humana. Se não aprendemos no lugar onde nascemos, onde estamos, jogamos fora o mais natural aprendizado à disposição. E ainda Makiguti nos revela, na sua pedagogia da felicidade,  uma das mais definitivas definições de superação: “criar valores a partir da sua própria vida, sob quaisquer circunstâncias, e valor quer dizer fazer o bem, o benefício e o belo”. Aí reunimos outro fundamento encontrado na tese como fórmula de conteúdo: o amor, o labor, a ética e a estética.

Freire, pedagogo brasileiro,com a pedagogia da esperança aporta nesse diálogo de teóricos a necessidade da busca do inédito viável, do ato limite e da consciência do que “precisamos fazer agora para que seja possível realizar amanhã, o que agora não pode ser efetivado

Edgard Morin sustenta ser necessário uma mutação na educação mundial, reintegrando ciências e conhecimentos que foram separados e que somos uma resultante “bio psico social”. Morin coloca por terra separações entre educação informal versus formal. E nos reúne de novo enquanto o homo sapiens, com o demens (delirante). Do homem Faber com o lúdens (o fabricador com o lúdico) e do homem economicus com o mythologicus, o que sonha, imagina e inventa mitos. Isso se faz necessário.

Victor Frankl, criador da terceira escola de Viena, após Freud e Adler, a logoterapia, nos ensina a buscar um sentido e um propósito pelo qual vale a pena viver e até morrer. Frankl registra que quando encontramos um “por que”, iremos descobrir o “como”. E ao ser perguntado sobre a forma para encontrar sentidos, Frankl escreveu: “para buscar sentidos é necessário prestar atenção em pessoas que sob as mesmas circunstâncias conseguiram superar e comparar com outros que não conseguiram”. A pedagogia de Frankl tem elevada força no aprendizado do olhar. Me transformarei na qualidade dos seres humanos que aprender a admirar.

Numa sala de aula, um professor , além do ensino da matemática, da física, da sociologia, ali está um líder pedagogo inspirador. Vai ensinar a convivência, o poder da cooperação, a ética da competição, a vontade para ser um humano que irá se comportar com o poder máximo de “aprender a aprender”.

A tese: A Pedagogia da Superação foi apresentada e compartilhada com a sociedade, no Colégio Sérios, uma escola na cidade de Brasília, para quatro segmentos de públicos: autoridades do ensino, professores, pais e alunos e obteve ali validação das suas hipóteses. Também no Hospital Cruzeiro do Sul, as psicólogas do setor de treinamento aplicaram conceitos da tese e obtivemos validações dessas descobertas.


As hipóteses de que 1 – “é impossível superar os desafios e o ambiente competitivo isoladamente, se confirmou. 2 – “a percepção de dor, sofrimento, é relativa de pessoa a pessoa”, confirmada. 3 – “a partir da superação de aspectos médicos, traumáticos ou físicos, a superação mental vai exigir o desenvolvimento de foco e concentração em trabalho, obra, criação a partir de talentos e habilidades desenvolvidos”,igualmente se confirmou. 4 – “a superação será dependente da existência de líderes, educadores, ou pessoas que estejam nesse papel e por isso será exigida uma formação exclusiva perante a circunstância dada”, foram as quatro hipóteses confirmadas. E cinco são os fundamentos encontrados e classificados que formam essa teoria e pedagogia da superação: 1 – o princípio da superação: o descobrimento das possibilidades. 2 – o plano de superação: pensar nos sentidos que a sua vida pode elencar. 3 – conteúdo da superação: criação de valores, o amor, labor, ética e estética. 4 – procedimentos de superação: aprender, criar, acreditar, admirar/inspirar. 5 – atitudes de superação: resultado de todo processo de aprendizagem e adaptação às novas demandas da vida. O protagonismo, não vitimização e o reviver da criança interior.

Esta tese, pioneira no espaço do doutorado, com certeza irá abrir caminhos novos para múltiplos estudos que trarão cada vez mais luz, sobre essa condição humana vital de superação, agora conscientes de que a sua prática passa pelos inexoráveis degraus da educação. Afinal, quem supera, educa!

A partir dos seus resultados essa tese permitiu elaborar um desenho de aplicação da Pedagogia da Superação , utilizando um corpo multidisciplinar, mas sob a coordenação de um mediador educador. “Do jardim da infância ao doutorado não sou um só. Sou a somatória de retalhos e pedaços dos meus educadores. E hoje, pela reunião de todos eles, me sinto guiado. Obrigado a todos e às maiores educadoras do mundo – as mães. A minha mãe me fez prestar atenção nas batatas – dirigiu o meu olhar”. * José Luiz Tejon.



Agradecimento especial a Profa. Ana Claudia Barreto, pela imensa dedicação em toda a metodologia, Profa. Esther Gamio, ao ateneu UDE, Prof. Dr. Marcos Cobra que me carregou ao doutorado. Aos membros do tribunal: Profa. Dra. Graciela Fabeyro, Prof. Dr. Eniel Espírito Santo, Prof. Dr. Ronilson de Souza Luiz. E para sempre na minha vida minha orientadora Profa. Dra .Marie Lissette Canavesi Rimbaud e a todos os meus colegas alunos e funcionários da UDE Uruguai.

 

*Sobre José Luiz Tejon:  Dr. em Educação pela UDE/Uruguai; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie;  jornalista e publicitário formado pela Casper Líbero. Administrador com ênfase em marketing, com especializações na Pace University/EUA, Harvard/EUA, e MIT/EUA. Em liderança tem especialização no INSEAD/França. Ministra aulas na Audencia Business School (França). É Top of Mind de RH, considerado uma das maiores autoridades nas áreas da gestão de vendas, marketing em agronegócio, liderança, motivação e superação humana. Troféu Great Speaker Olmix em Paris, França.No total são 33 livros publicados em autoria e coautoria.

Quem sofre mais: belos e belas ou feios e feias?

Quem paga maiores preços perante os espelhos de si mesmos ou nos reflexos das sociedades?

Catherine Deneuve, “La Belle De Jour“ ou “A Bela Da Tarde”, hipnotizadora e belíssima do cinema foi amaldiçoada por ter sido mal interpretada sob essa tsunami de assédios hollywoodianos ao ponderar de que os homens poderiam sim ter uma postura ativa na conquista das mulheres (coisas da moda antiga), mas a turma toda logo associou imaginar que a bela da França estaria autorizando o vil assédio. Catherine se desculpou para aquelas pessoas vítimas da coisa, e enfatizou: “Só me desculpo para essas pessoas…”.

Então, a bela e o belo pagam preços para adentrar no mercado da fama? Sim ou não? E mesmo fora do mercado da fama?

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Uma viagem através dos meus professores

magine contar a sua vida através dos seus professores. Volte no tempo e sinta o construir de si mesmo, a cada mestre inesquecível. Vamos viajar juntos, uma viagem através dos meus professores. A descoberta ao final é simplesmente surpreendente e impossível não chorar, logo em seguida sorrir, e transbordar de felicidade.

Nossa vida, nossos professores. Era uma vez a escolinha Nossa Senhora de Lourdes, anexa à Santa Casa de Santos. Ali tudo começou.


No jardim da infância, dona Silvia foi em casa e me elogiou muito. Meses depois, dona Silvia foi em casa e na frente dos meus pais me corrigiu muito.  Aprendi que aquele que te admira, também deve te corrigir.  Professora Judith me levou para o 2º ano do primário. Eu tinha feito o 1º ano numa escola especial da Santa Casa de Santos e a professora Judith, a diretora da escola municipal, achava que eu precisaria repetir o 1º ano. Fez um teste.  Me deu um livro para ler. Na sua frente e na frente da minha mãe que não sabia ler. Eu li e dona Judith me colocou no 2º ano do Colégio Olavo Bilac, em Santos. Que felicidade estava minha mãe.

Dona Ruth me fez aprender a tabuada com algumas reguadas. Foram poucas. Estalavam mais do que doíam. Dona Ruth era justa e democrática (“8×4? = 32”). Perfeito. “4×8? = 28”. Reguada! 32, corrigia e explicava que a ordem dos fatores não altera o produto. “Estude mais!”.

Professora Maria José, notas baixas. Ia repetir de ano. Chamou minha mãe e a obrigou a me colocar com uma professora particular. Lá fui, e isso pago com muito tricot que Dona Rosa, minha mãe adotiva, fazia para pagar a dona Cecília, minha professora particular. Tirei o diploma do primário entre os 20 melhores alunos do colégio Olavo Bilac. Tenho a foto, com medalha no peito e tudo, e a professora Maria José me entregando o diploma.

 

Ah, e as paixões? Dona Gilda, a mais linda e bela mulher do planeta. Que paixão! No meu 5º ano. Aprendi ali o que significa cair em profunda paixão, platônica. Claro, tudo em restrito segredo. Professor Marcelo, me deixou tocar na fanfarra do Colégio Canadá. Em Santos, era considerado um dos melhores do país. Também só consegui entrar nesse colégio pelo gigantesco esforço de minha mãe, nas filas da madrugada, e também porque o professor Santoro, o diretor, acho que ficou com pena de mim, e daquela Santa mãe, e me deu uma vaga.

 

Professora Angélica, me educou na biologia. Professora Maria Fonseca em história. Na matemática, que loucura, era o padre Adauto, jogava o apagador em alunos mal comportados. Dava broncas em alto e bom som. Aprendi que a diversidade humana não significa apenas cor, raça, credos, mas também saber olhar para os distintos em inteligência emocional. Marcante e eterno padre Adauto. Professor Solon, me fazia pensar em francês, e dona Maria Luiza, por meio das aulas com teatro de fantoches irrigou minha imaginação para sempre, muito além de ensinar português.

Meus professores, educadores, meus amores. Educadores não são somente os professores. São todas as pessoas que nos educam. Vovó Justina me dava um livro para ler todos os meses. Meu tio Joaquim me ensinava o que era um homem de caráter. Meu pai adotivo, Antônio, me queria corajoso e forte e me educava a jamais vir a ser uma vítima. Tia Geralda no hospital me fez enxergar a mim mesmo, e meus talentos que afloravam numa enfermaria de um hospital público de São Paulo, o Brigadeiro. Dona Helena me ensinou violão e muito mais, me deu saúde mental. Mas que sensação de gigantesca felicidade voltar no tempo e viajar através dos meus professores.

No cursinho, professora Sandra me admirava, dizia que eu ia ser um grande cara. Também me apaixonei por ela, mas nunca disse nada. Professor Mário, o mais engraçado e show man numa sala de aula. Aprendi com prof. Mário que nem só de conteúdo vive a aprendizagem. A forma, a criatividade, pode muitas vezes ser tudo, ou quase tudo, para abrir as janelas da nossa vontade e motivação interna. Professor Ricardo Ramos, filho do gigante escritor Graciliano Ramos. Aprendi com ele que podemos vir a gostar muito de uma matéria, não pela matéria em si, mas pela admiração que temos no professor.

Professor Torquato, um jornalista famoso que gostava de dedicar suas noites na faculdade ensinando . Aprendi que verdadeiros gênios tem a alma doadora, e com isso garantem perpetuidade na genialidade. Meus professores sempre estiveram comigo, e novos professores sempre estão comigo. Em Harvard o professor Ray Goldberg, que fascínio pela entrega da profundidade no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Que gigantesca admiração por Nicholas Negroponte e Umberto Eco. A síntese de explosões do profundo do profundo. No Insead o contato e a descoberta de que existem educadores que uma vez colocados em contato com nossa alma, jamais nos abandonarão. Professor Ketz de Vries. Existem ensinamentos para o momento. E ensinamentos que nos aceleram todo o tempo. E o maior educador do mundo é aquele que fica invisível, e está sempre presente na invisibilidade automática das nossas escolhas e decisões.

Na hora do mestrado, que elevação mergulhar no método Stanislavski com Hamilton Saraiva, ter o apoio para fazer diferente do professor Bairon, e a disruptura da diversidade com professor Stori, Mackenzistas com quem aprendi como o mundo dos negócios fica melhor amalgamado com a arte, a cultura e a educação. Viajar com meus professores! Portanto, amá-los. Fico sempre numa busca permanente de mais professores.
Muitas vezes não são aqueles que dão aulas formais para você. Mas professores com quem convivemos. Lógico também virei um professor. Mas aprendi imensamente com colegas professores. Dr. amigo Marcos Cobra da FGV. Professor Decio do Pensa USP. Professor Nussio da Esalq, professor Roque. Quantas aulas no simples conviver. Professor Menten do Conselho Científico do Agrossustentável. O mestre Francisco Gracioso que me fez escrever o meu primeiro livro, na ESPM.

Mas como o bom aluno, para sempre um aluno deseja ser, lá fui ao doutorado. E de novo, a doutora professora Lissette, do Uruguai, UDE. Nem pensar que seu papel foi o de transmitir uma matéria. Nem pensar que seu papel foi o de conquistar bons humores e motivos para ser bom aluno. Seu papel foi o de inspirar para muito além. Professora Lissette me inspirou a uma jornada inimaginável. De certa forma me levou a um desafio íntimo. Me trouxe a expectativa de um legado. Uma proposta de tese única, e que talvez, apenas pessoas que tenham vivido com experiências como a minha (assista o filme Extraordinário, em cartaz, e você verá algo similar), retratado nos meus livros “O Voo do Cisne” e “Guerreiros não nascem prontos” (capitulo 14), talvez somente tendo sido um laboratório de aprendizagens superantes em si mesmo, pudesse aceitar o desafio da professora doutora Lissette: a pedagogia da superação.

Ao viajar através dos meus professores, viajo sobre mim, e me revejo. E me reestudo. E me apaixono por aprender. Mas admito e sei que nada seríamos sós. Vejo nessa jornada de vida, como se fosse uma autoestrada. Placas sinalizadoras e ali segurando cada uma delas um professor. Vejo postos para recarregar o combustível e ali professoras e professores atendendo e servindo. Vejo os hotéis e pousadas para o descanso e ali as reflexões dos ensinamentos da vida e os sonhos inspirados pelos mestres, seus livros e nossos diálogos em classe. Também tem os pedágios e as infrações. E bendito seja o mestre que aprende a nos corrigir, sem medo e com carinho, mas corrigir. Na autoestrada da vida, por momentos, paramos num resort gostoso, agradável, com piscinas aquecidas, e sentimos a vontade de não mais voltar pra estrada. Mas surge de novo um professor que nos revela o prazer infinito que é o descobrir, o novo porvir, e que viver significa jamais parar. Voltamos pro carro, nos despedimos e partimos, pois a jornada da vida é interminável e pra sempre será.

E agora, nas curvas paralelas que somente se encontrarão um dia no mesmo infinito, vejo que piloto um gigantesco ônibus, imenso. E dentro dele comigo estão viajantes que me acompanham desde a primeira infância. Sentados nas poltronas, conversando, debatendo e vivendo, ali estão todos os meus professores, os amigos, as professoras, tias, donas, e também aquelas minhas paixões platônicas. Do jardim da infância ao doutorado, não sou um só. Sou a somatória de retalhos e pedaços dos meus educadores. E hoje me sinto guiado. Dirijo o ônibus na autoestrada infinita da vida, mas alguém está na minha direção. Quem? Vocês, meus professores. E quando surge o inesperado. O incerto da vida, o acaso? Eu sei que vocês irão me proteger. Mas se pudesse voltar no tempo e viver de novo essa nossa viagem, o que eu faria diferente? Simples essa pergunta, simples a resposta: “se eu pudesse voltar no tempo e viver tudo de novo eu só faria uma coisa diferente – prestaria muito mais atenção”. Então o que posso fazer daqui pra frente na vida que ainda tenho para viver, até quando não sei, pois esse mistério cabe ao educador maior do universo estabelecer? Eu vou prestar muito mais atenção, e admirar muito mais a toda professora, todo professor do mundo, pois eu sei que ali está e ali vai um mestre de todos os mestres, aqueles que nos ensinam a dignidade do viver.

Feliz 2018 educadores, professoras e professores. Boa viagem para todos nós.

Quatro pontos para uma Sociedade Civil Organizada

Sociedade Civil Organizada: os quatro pontos para chegarmos a uma síntese:

1° ponto: Onde o agronegócio progride e cresce a qualidade de vida. O PIB per capita de Correntina, no oeste da Bahia, era de quatro mil, duzentos e sessenta e sete reais no ano 2000. Em 2015, foi para trinta e nove mil e trinta e quatro reais.

São Desidério, outra cidade do oeste baiano, em 2000 o PIB per capita registrava quatro mil duzentos e setenta e seis reais, e passou em 2015 para oitenta e três mil, duzentos e trinta e quatro reais.

Temos uma realidade em todo interior brasileiro, acentuado positivamente onde cooperativas bem lideradas estão presentes. Isso é fato, e não mito.

 

2° ponto: Tiago Muniz, jornalista da Rede Jovem Pan, entrevistou o presidente reeleito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, João Martins, semana passada, com a presença do presidente Michel Temer, em Brasília, e mostrou na fala do Sr. João Martins, uma queixa contra ativistas que atacam o agronegócio. Tiago Muniz ainda ressaltou que nesse discurso o presidente reeleito da CNA não declarou quem são e quais forças seriam essas.

 

Ou seja, organizações fortes e poderosas, como a própria CNA, se consideram vítimas perante fatos concretos da importância do agro no país, cuja população reconhece hoje seu fundamental valor.

Está na hora de saber orquestrar a comunicação, pois a realidade é resultado de percepção, e parar de pôr a culpa nos outros…

3° ponto: Vera Magalhães, outra colunista da Rede Jovem Pan escreveu para o Jornal O Estado de S. Paulo:

“O adiamento da votação da reforma da previdência não mostra só a impossibilidade de o atual congresso desempenhar um papel minimamente responsável…”.

 

O mais assustador é a completa falta de cálculo político, com isso se explica que a história comprova, serem mais reeleitos os que votam em reformas do que aqueles que não votam em reformas. Portanto, são burros ao protelar fazer agora o que precisa ser feito já…

4º ponto: Manuel Castells, estudioso e o profeta das redes, numa entrevista para o jornal O Valor disse: “Entre 60% e 75% dos cidadãos das democracias ocidentais não acreditam que os partidos políticos os representem legitimamente”, e adiciona: “… em situações extremas, como a do Brasil, precisaria de algo que venha da sociedade e não do sistema político, deslegitimado”.

Qual a conclusão e a síntese? Simples…

 

Entidades como a CNA precisam parar de chorar e aprender a se comunicar com a sociedade de forma muito mais consistente, permanente e inteligente, e claro, precisam trazer ao seu lado a Confederação Nacional da Indústria – CNI, a do Comércio, de Finanças,  das Cooperativas e sete as demais.

Sabemos que são doze Confederações Nacionais Empresariais que representam todo o PIB do país, não o governo… são 12 órgãos estruturados da Sociedade Civil Organizada.

Perante as evidências, por quê não se unem para um projeto brasileiro? O agronegócio envolve a todas as doze Confederações Empresariais. Está na hora de assumir a profecia de Manuel Castells. Que nos valha a sensatez da sociedade civil organizada.

 

Desejo menos governo e muito mais Sociedade Civil Organizada em 2018

Feliz natal. Afinal superamos este ano difícil, crítico, e com todas as dificuldades chegamos aqui e agora podemos dizer: “Ufa! Feliz Natal!”.

E o que eu gostaria de pedir ao Papai Noel para os brasileiros?

Não tenho dúvidas: menos governo e muito mais Sociedade Civil Organizada.

Que possamos ter um 2018 de crescimento econômico, de freio na corrupção tenebrosa nacional, de renovação da classe política e de um revigoramento da democracia. Só podemos desejar que, apesar dessa crise, possa nascer um novo Brasil, onde brasileiros íntegros e capazes estejam na governança da nação.

 

Quanto melhor o governo de um país, menos sofrimento e mais empreendedorismo, mais qualidade de vida e felicidades. Mas, tudo seria fácil se não fossem as dificuldades. Logo, não dá para sentar e esperar pelo governo. Não dá para rezar por uma eleição. Simplesmente não dá.

O Poder Executivo faliu, o Poder Legislativo foi junto e vivemos hoje do Poder Judiciário que também apresenta facções.

Carecemos urgentemente do 4º Poder. E qual é? A mídia ao lado da Sociedade Civil Organizada. Significa que as entidades representativas da sociedade precisam se unir e criar projetos para o Brasil.

Esses programas devem ter a orientação econômica, social, educacional e sustentável do país. devem ser apresentados aos candidatos para o exercício dos poderes públicos e significarem linhas fundamentais a serem implementaras por quem quer que seja eleito.

 

 

Uma cidade, um estado ou o nosso Brasil não pode mais ficar submetido exclusivamente aos poderes político-partidários.

A sociedade precisa estar presente, se apresentar com programas e fiscalizar.

Como começar? Muito simples. Começar por aqueles que têm toda a economia em suas mãos, e que ao mesmo tempo sofrem com os equívocos e os desmandos dos governos. Começar com as dez Confederações Nacionais Empresariais.

Se as Confederações da Indústria, Agropecuária, do Comércio, dos Serviços, do Sistema Financeiro, da Saúde, das Cooperativas, do Transporte, do Turismo e da Comunicação Social se orquestrassem reunidas e unidas num projeto, com o Brasil acima de interesses de facções, sem dúvida poderíamos mudar o país.

Não queremos ficarmos mais na expectativa ultrapassada de rezar pela vinda de um iluminado presidente.

Desejo um imenso Feliz Natal de amor, paz fraternidade e evolução ética. Desejo um ano novo de protagonismo, onde eu, você e todos possamos entender definitivamente que também somos governo e que governar não significa apenas ir votar. Governar é muito mais do que isso. Governar é assumir a responsabilidade do 4° Poder.

Somos o 4º Poder. O futuro terá cada vez menos governo, como esses do passado, e cada vez mais Sociedade civil organizada. Que 2018 nos traga essa clarividência.

“Eu não acredito mais em governo“, diz ex-Ministro Alysson Paolinelli

A frase “Eu não acredito mais em governo“ foi dita por um brasileiro com a autoridade legítima: Alysson Paulinelli. E eu digo: “Estamos juntos nessa”.

No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tivemos um dos Ministros mais exemplares votado por unanimidade nacional: Alysson Paulinelli. Hoje preside a Associação Brasileira do Produtores de Milho – Abramilho.

A data desta entrevista considero emblemática para todo o país: 7 de dezembro de 2017. Estávamos num dos mais importantes eventos da fruticultura brasileira realizado pela Abanorte, na cidade de Janaúba, região de Jaíba, localizada no norte de Minas Gerais.

(Veja como foi o Abanorte Fruit Connections: http://www.abanorte.com.br/web/app.php/noticia_page/69).

No evento, frente a mais de 500 testemunhas, haviam produtores de frutas, técnicos, autoridades e a mídia, perguntaram sobre as necessidades do país em diversos aspectos, como infraestrutura, política das águas, acordos comerciais e plano agropecuário, e de forma assertiva o ex-Ministro Alysson asseverou: “Eu não acredito mais em governo…“, e alguém perguntou em seguida: “E no Governo Estadual?“ e finalizou dizendo: “Também não…”.

Entrevistado por mim, pedi sua autorização para expor essa sua convicção ao país, e devidamente autorizado o transcrevo, pois considero que o Brasil não está precisando de choque nenhum além do choque de liderança da sua Sociedade Civil Organizada.

Eu perguntei para o Ex-Ministro: “Por que não acredita mais em governo?”, e ele respondeu: “Porque governo só atrapalha. No Ministério da Agricultura, por exemplo, não temos autonomia para nada. As decisões caminham todas para privilégios de interesses político-eleitoreiros.”.

Então, concluo que passamos a ter no mundo e no Brasil um descompasso do compasso. Isso quer dizer que a sociedade planetária se movimenta na velocidade digital, e governos no passo lento do cágado abraçados à índole nata do bicho preguiça. Quando não, algumas vezes velozes movidos pela picardia dos ratos que adoram roubar os queijos das dispensas abertas da nação brasileira.

Exceções? Existem, como a ciência já descobriu, que servem para confirmar a regra. Então, resolvi fazer uma outra grande pergunta ao ex-Ministro: “Ministro Alysson, o que vamos fazer doravante?”

Sua resposta cravou fundo na nossa consciência. Foi um cravo doloroso carregado de incômodos que se voltam e apontam exatamente para nós: “Não podemos esperar por governos, precisamos pegar para fazer. Sair, negociar, ter uma voz unida e reunida, pois sabemos tudo o que precisa ser feito. Nossos especialistas, estudiosos, pesquisadores e analistas possuem preparo e diagnósticos muito bem feitos das necessidades estruturais do país, em todos os sentidos. Basta irmos e acompanharmos os congressos, as pesquisas, as apresentações e as entrevistas. O que vemos é repetir e repetir os mesmíssimos diagnósticos. O que varia apenas é a tonalidade, a assertividade e a criatividade dos apresentadores.”.

Sim, sabemos tudo o que precisa ser feito no Brasil. Então, por quê não fazemos?

Não podemos mais nem esperar por governo e também devemos parar de botar a culpa em governos. Perante a falência notória e exemplar do sistema de governança do Brasil exponenciado pelas prisões, acusações e escândalos de um conluio público privado, revelador de uma contabilidade campeã do mundo na sua soma de falcatruas.

Esperar pelo governo, pelo próximo presidente, pelos novos legisladores e pelos embates ideológicos de esquerda, direita e de intérpretes da Constituição e das leis seria fácil se não fosse a sua inviabilidade, ou pior, a insanidade dessa insensatez.

Então, qual a proposta? Precisamos de governo?

Sim. Mas não mais de um governo que faça as coisas olhando para seu umbigo ou para Brasília. Precisamos de uma governança, de um cogoverno. Um deveria permanecer dentro das representações da democracia, os partidos políticos, suas facções e sub facções, e que ao longo do tempo possamos aprimorar a sua qualidade. O outro governo é esse que o ex-Ministro Alysson explicitou em no evento. Um governo da Sociedade Civil Organizada não contaminada por ideologias e sem a infiltração político-partidária. Um norte pra o país, onde todos os setores empreendedores nacionais devem ter um projeto, assim como o agronegócio. Que seja sustentável, que contenha responsabilidade social e que signifique um plano diretor para o Brasil crescer, e idealmente, que todos esses setores consigam integrar seus planos entre todas as cadeias produtivas brasileiras.

“A democracia é o melhor sistema de governo do mundo, mas ele tem uma regra: quem está organizado faz, e quem não está sofre…“, disse Alysson Paulinelli.

E continuou: “Passei pelo governo e estudei muito e sei das deficiências que eu tive, eu não acredito mais em governo, e profundamente decepcionado, vejo que governo não tem capacidade de fazer as coisas. Há uma interdependência que não funciona no Ministério da Agricultura. Não tem autonomia, seus recursos estão em outro gabinete; a fiscalização imperando no Brasil como forma de criar dificuldades para vender facilidades. Por isso eu não confio…

A saída? O caminho? O agro tem soluções, gerou soluções e é o que mantém a economia. Esse agro não pode esperar pelo governo, pois ele só atrapalhou. Desde 1986 só fizeram bobagens… acabaram com os instrumentos de política agrícola. O governo se encurrala e só sobra pra ele o instrumento de taxas de juros para controlar inflação. Não acredito mais em governo, pois é uma bagunça.

Para todo brasileiro, segue o recado para 2018: Que a sociedade reaja a esse caos, uma crise moral, política e social. Reconhecer que como o agro, outros setores também podem se organizar e buscar dinheiro lá fora a melhores custos do que aqui dentro. A democracia é o melhor sistema de governo, e eu participei do governo militar e eu sei o quanto presidente Geisel e seu sucessor sofreram para a abertura democrática, mas democracia tem uma regra no mundo inteiro, e quem está organizado faz, e quem não está sofre…”.

José Luiz Tejon

Jornalista, escritor, professor.

Membro do CCAS – Conselho Científico Agro Sustentável.

Membro do conselho consultivo da ABMRA – Associação Brasileira Marketing Rural.

Colunista da Rede Jovem Pan, Revista Feed&Food e colunista no Canal Rural, com o blog Agrosuperação.

As melhores do agronegócio 2017 pela Revista Isto É Dinheiro Rural

As Melhores da Dinheiro Rural 2017 apresentou as 500 maiores empresas do agronegócio nesta segunda-feira (27) no evento da Revista Isto É Dinheiro Rural, realizado no Tom Brasil, em São Paulo/SP.

O ranking apontou dentre as 500 maiores do agronegócio no Brasil, oito cooperativas. São elas: Copersucar, Coamo, Tereos, Aurora Alimentos, C. Vale, CHS, Lar, Comigo e Cocamar.

 

As cooperativas agropecuárias brasileiras significam praticamente a metade de tudo o que se produz no país; respondem por cerca de 5 bilhões de dólares de exportações.

Temos no país 1500 cooperativas agropecuárias com mais de 1 milhão de cooperados.

Conversando com os diretores da Coamo, a cooperativa de Campo Mourão/PR, que tem uma receita de 11,5 bilhões de reais, algo muito positivo chamou a atenção, pois tem crescido o número de cooperados, sendo hoje 28 mil, além de contarem com 850 jovens que estão sendo preparados para a liderança e sucessão. Coube a Coamo receber também o prêmio da melhor gestão financeira e eleita como a melhor cooperativa do ano.

Continua sendo genial o cooperativismo, pois 80% dos seus cooperados produzem em áreas de até 100 ha.

 

Dentro das cooperativas, ainda se destacaram a Tereos, na área de cana-de-açúcar, uma cooperativa francesa com ótimo desempenho no país, tendo recebido a medalha de ouro na gestão da cadeia produtiva, ou seja teve preocupação com todos os elos do agronegócio, desde a ciência até o consumidor final.

As cooperativas reunidas atingem mais de 180 bilhões de reais de receita, o que significa 13,5% de todo o PIB do agro, e cresceu 13,5% o seu faturamento em 2016 comparado a 2015 (mesmo em meio a toda crise nacional).

A empresa do ano do agronegócio coube a DSM Tortuga na área da nutrição animal, sal mineral e principalmente vitaminas e tecnologias para o setor da proteína animal, com uma receita de 1,8 bilhão de reais no Brasil, e quase 8 bilhões de euros no mundo.

Outro prêmio foi destinado para a Coopavel, a cooperativa de Cascavel/PR como responsabilidade na cadeia produtiva como um todo, outro exemplo de realização e de liderança no oeste paranaense.

 

As cooperativas são além de claros exemplos de competência de produção e condução de pequenos e médios produtores, um caso extraordinário de estudos como centros educacionais.

Mais do que produzir e administrar o cooperativismo significa educação para a vida capilaridade de dignidade humana.

As profissões do futuro no agro – FATEC Pompéia

Hoje já convivemos com sensores, drones e até a edição gênica de plantas. Então, como aprenderemos a viver e interagir com a mecanização do futuro, que já está sendo aplicada?

 

As máquinas agrícolas de hoje não são mais como as do passado, e as do futuro não poderão mais ser chamadas de máquinas, pois se transformarão em verdadeiras centrais automovidas de inteligência artificial.

As modernas máquinas com robôs do futuro – já presentes no século XXI – já são programadas para aprender a não errar, graças à inteligência artificial.

Com isso, diminuirá gigantescamente o erro humano, como o desperdício no uso de todos os insumos (sementes, fertilizantes, micronutrientes, defensivos agrícolas, adjuvantes) no campo dos vegetais. Além disso, receberão diagnósticos constantes permanentes com correções.

O novo pulverizador, por exemplo, aprenderá a identificar o capim amargoso no meio de todas as demais ervas daninhas e a controlará com toda segurança.

 

Já na proteína animal, sensores permitirão identificar e tratar cada animal com nutrição específica, além de identificar algumas doenças pontuais e correções preventivas que eliminarão o uso exagerado de medicamentos.

Precisamos de uma nova educação! Precisamos de jovens formados para essas novas carreiras, pois já existe um novo agro, onde na pesquisa realizada pela Plant Project destacou que 96% dos brasileiros disseram que o Brasil pode e deve ser apresentado ao mundo como uma inteligência em agronegócio.

E para se especializar nessas novas profissões, é preciso estudar em uma instituição específica. A FATEC Pompéia Shunji Nishimura possui variados tipos de cursos nas áreas de tecnologia aplicada no agronegócio. E o melhor: é gratuito!

 

As inscrições para o vestibular estão abertas até 07/12 e são 40 vagas por curso. Para mais informações, acesse: www.vestibularfatec.com.br

Uma das opções é o curso superior em Tecnologia em Big Data no Agronegócio, com duração de três anos. Há também a opção do curso em Mecanização de Agricultura de Precisão.

 

O agronegócio do futuro será uma agromontadora de sustentabilidade insensível.

Da agropecuária, ao agronegócio e o salto para a AGROSSOCIEDADE

O que nos trouxe até aqui no agro não nos levará mais ao futuro, mas algumas coisas sim, pelo menos uma essencial: aprender a aprender.

E agora, com gigantesca velocidade. Campo e cidade estão integrados e produtores rurais e consumidores finais conectados pela era chamada de “disruption”.  Agroindústrias, supermercados, “chefs“ e geneticistas estão servindo a mesma mesa, compartilhados numa montagem de um lego de ciência e tecnologia, e na expectativa da hiperestrutura da telecomunicação, onde o sinal será sagrado para o agro de precisão.

A diversidade entra em cena, não apenas na subsegmentação de distintas variedades vegetais e ambientações animais, ou em temas onde já iniciamos como integração lavoura-pecuária e floresta, mas agora surge a sensibilidade e a sensitividade da mulher no agro. Retornam das cidades e dos grandes centros, jovens que não imaginavam vir a ser agro um dia, dentro de um espetáculo de engenharia, universo digital, arte e cultura tão amplo quanto a saga humana espacial. Entramos no nano espaço, na inteligência de um gene e na construção de sabores, saúde e atrações apetitosas sob a biologia invisível. E essa era não escolhe tamanho, cultura ou cadeia produtiva. Não existe agricultura familiar, de escala, ou classe média produtora. A única coisa que existe é o estado da arte de uma montadora agrotecnológica de sustentabilidade intensiva.

Google vira Agro, Instituto Europeu de Design vira Agro, ESALQ que já é Agronegócio, também se transforma em Agrossociedade (Piracicaba é uma prova viva do amalgama e todas as jovens cidades do coração do país).

A agropecuária de precisão ou digital ou virtual ou smart farming muda tudo. Assim como, enquanto você lê este artigo, no mundo em apenas um minuto, mais de 700 mil logins são feitos no Facebook, 1.300 viagens no Uber, 69 mil horas de Netflix são assistidas, 2.4 milhões de buscas são feitas no Google, 2.78 milhões de vídeos são vistos no Youtube e não se plantará ou se criará sem as métricas dos sensores e a telemetria das novas máquinas. As redes sociais encantadas encantam e ao mesmo tempo podem gerar lumpens digitais, quanto engajamento e profundidade. Precisa saber escolher – em cada detalhe surge um novo produtor e produtora, e novos consultores, técnicos e distribuidores.

Quer dizer, o que mudou no mundo, acima de todas as outras mudanças? Velocidade. O mundo ficou veloz, ficou interativo e somos todos agora, independentemente de gerações, seres humanos imediáticos. Ou seja, imediatos e mediáticos.

Os sensores significam a alteração tecnológica para a gestão revolucionária e se tudo passa a ser notado e percebido nos terminais dos mobiles ou de qualquer note ou aplicativo, eu e você somos convocados para um belíssimo incômodo. O de mudar e aprender a aprender o que não pensávamos que fosse ser necessário aprender.

Um técnico numa integração, um zootecnista, agrônomo, veterinário, nutricionista, um acadêmico de ciências agrárias, um produtor rural contemporâneo, um gestor de marketing, de granja ou pecuária bovina, do leite ou do corte, da agricultura e da hortiflorifruticultura, todos agora, além de submetidos a um benchmarking global e instantâneo, precisam auscultar e interpretar o que essa torre de babel informacional insiste em nos provocar. Estamos invadidos e condenados à gestão dos dados. Mas dados podem ser apenas dados. Os profissionais do futuro serão, acima disso, criadores de interpretações e coordenadores de tomadas de decisões sistêmicas, muito além do seu tradicional escopo. A rastreabilidade e as certificações estampam nas embalagens dos derivados do campo o poder da originação.

Quem vai fazer isso? A nova geração já vem preparada para estes instrumentais. E ainda com a sensibilidade feminina, a mulher passa a ganhar uma presença intuitiva e sensitiva neste novo mundo de um agro inteligente, virtual, digital, o mundo “smart farming”. Mais sensores geram mais sensibilidade, isso amplia a visão da sustentabilidade e consequentemente prepara cérebros para ficarem mais sensitivos.  A cidade pauta o campo, o cidadão pauta o pesquisador e o cientista precisa vender a ciência para bilhões de leigos: a Agrossociedade.

Iremos assistir o surgimento de “facility digital“, organizações que se desenvolverão no talento da reunião de dados, de criação de softwares práticos e fáceis de uso e de gestão. Afinal a simplicidade será essencial na competitividade deste jogo de gênios, que precisará ser jogado com todos e para todos.

Sabendo que os pilares para a construção de uma Agrossociedade são o pilar social, o pilar ambiental e o pilar econômico,  e todos eles devem estar equilibrados para que a nossa cadeia produtiva seja otimizada e progrida exponencialmente, como falamos acima, o que faremos com cerca de três milhões de propriedades rurais brasileiras, que obtém uma renda média mensal de meio salário mínimo, onde 90% do valor está originado em apenas 12% a 14% das fazendas – no caso brasileiro metade desse valor está sendo produzido em menos de 30 mil fazendas? Precisaremos de cooperativismo, um marco histórico de civilização, e uma certeza de Agrossociedade.

Uma nova Agrossociedade precisa e deve ser tema realista para qualquer governo bem-intencionado. E isso não será feito com conversas eleitoreiras e com a venda de utopias; iremos assistir um retorno ao interior e a uma necessária inteligência de nichos, e de empreendedorismo de especialidades, tendo nas micro, pequenas e mesmo sítios e quintais, propostas tecnológicas e de negócios familiares e de indivíduos microempreendedores. Para a alta escalabilidade, o futuro nos reserva segmentações e especializações. Vamos ver o fim de “commodity“, como classicamente a conhecemos. As cidades desejam virar campo. E agora o campo está cada vez mais high tech e oferecendo qualidade de vida.

O “agridisruption” chegou e com ele a Agrossociedade. Isso é tema de interesse de todas as grandes corporações e profissionais do agronegócio, envolvidos e comprometidos não só com o agro, mas com o lado social, econômico e ambiental do mundo.

Bem vindo à Agrossociedade: local onde se produz e evolui com rapidez e consciência. Nas cidades onde se produz o agro, ali mesmo, os novos exemplos de qualidade de vida, agricultura vertical, local, o sonho do consumo urbano, biomarketing, bioconsumers, desenvolvimento humano, meio ambiente, responsabilidade social e do novo empreendedorismo global, com inovação, superação e cooperação. O agro, definitivamente virou “pop“.

Bem-vindo à ESALQ/USP, uma plataforma para a jornada ao futuro.

Modernidade e disruptura não começou com você, meu jovem

O comércio eletrônico, as Bit Coins, o Big Data, o mundo digital, onde distância não mais existe e apenas o tempo nos enlouquece. Ou ainda onde o computador Google se aposenta pois não existem mais mestres de xadrez que o conseguem vencer. Isso não é novo, e muito menos começou agora, aqui e com você.

 

Vivemos hoje apenas o resultado de um processo longo, muito longo. “A long, long road.”

 

Você imaginaria que alguém poderia vender sorvete por telemarketing nos anos 1930 e entrega-los nas principais capitais da Europa?

Ice-cream flavors at the ice cream parlor

Existiam poucos telefones, só para alguns. E pense> mandar sorvete de Roma, por exemplo, para Paris?

 

Mas isso existia. O Palazzo del Freddo, localizado exatamente na capital italiana, já fazia isso nos primórdios. Não era online, nem por computador, era no velho telefone com fio mesmo.

 

Porém, haviam atendentes, um Data Base, uma espetacular logística e armazenagem, além de um delivery impecável, pois os clientes naquela época eram lordes e fidalgos, ou seja, ficavam enfurecidos por muito pouco, e o ‘customer care’ apanharia literalmente com erros ou descuidos inaceitáveis.

 

O que mudou? É que antes, o serviço era para pouquíssimos e hoje é “for all”. Antes era caríssimo, hoje custa 1 euro.

 

O que mudou na criação e captura de valor? Na criação… nada! São inventos, tecnologias, processos, coisas. E na captura? Tudo: velocidade, custo, timing, e de poucos para todos.

 

O valor não está nas coisas. O valor está em quem faz o quê com as coisas! Então, pergunto: “Quem é você?”