Bolsonaro arruma encrenca com o maior cliente do Brasil: a China

Bolsonaro arrumando encrenca com o maior cliente do Brasil… arroubos que criam agouros.

Como se já não sobrassem problemas internos no país, onde temos inimigos das mais distintas facções, lá vai agora Bolsonaro se meter e arrumar encrenca na Ásia.

 

O Brasil representa uma área geopolítica segura para os interesses de todos os países do mundo, na questão de segurança alimentar.

 

E sem dúvida, a China assim vê o Brasil. Ela significa hoje o maior cliente do agronegócio brasileiro e o maior cliente, em tudo… comprou mais de 47 bilhões de dólares ano passado, investiu de 2010 até 2015 mais de 37 bilhões de dólares no Brasil.

 

Em um tour asiático a família Bolsonaro andou derramando palavras de ordem contra a invasão chinesa, e ainda os afrontou, indo a Taiwan e tendo encontros com seus líderes políticos.

 

O Brasil não é os Estados Unidos, nem Rússia, nem Japão e nem a Europa. Somos um país tropical, situados numa área geopolítica de independência e equidistância em conflitos internacionais.

 

O Brasil significa para a China, Rússia e Oriente Médio um excelente parceiro estratégico, pois seria impensável o país se meter em algum tipo de conflito ou preferências ideológicas por este ou aquele, acima do único interesse nacional, fazer o comércio e atrair investimentos dentro das nossas regras e leis, além de desenvolvermos um cliente que é sonho de vendas de todos os fornecedores do planeta, a China, nosso freguês.

Bolsonaros em Taiwan: (da esquerda para direita) Carlos, Flávio, Jair e Eduardo posam para foto em Taiwan (Reprodução/Página do perfil de Bolsonaro no Facebook/Divulgação)

Compramos aproximadamente a metade do que vendemos para os chineses, e essa relação de trocas será sim cada vez mais alvo de negociações… e precisamos nos preparar para isso.

 

Um erro de arroubos é colocar medo nas relações e inserir palavras de ordem falso nacionalistas que só podem atrapalhar o agronegócio brasileiro.

 

Como pré-candidato à presidência da república, deveria visitar nossos clientes e olhar zonas novas de acordos, além de aprender com os mesmos, e se tão interessado assim está no agronegócio brasileiro, deveria Bolsonaro ir investigar por que compramos alho e feijão preto da China, se o país é do agronegócio.

 

Com certeza se surpreenderia ao ver investimentos em tecnologia e redução de custos na cadeia produtiva chinesa, o que significaria belas lições para um brasileiro que quer se meter a liderar o Brasil.

 

O Brasil não deve criar dependências com um ou dois mercados. O país deve sim vender mais com mais capilaridade e valor agregado. Mas atacar o cliente número 1, ou é burrice, ou tática eleitoreira de um despreparado.

Alargar a visão – uma nova narrativa brasileira no agro

Agrossociedade, por si já nos tatua um conceito amplificado acima de “business“. Cidadãos, gerações, cidades e educação que formam culturas pela geografia brasileira gerados a partir da construção de riquezas originadas na agricultura.

Ou antes da agricultura? Na ciência, nas práticas tecnológicas, nos experimentos e na coragem de líderes que acreditaram na capacidade de produção dentro de uma zona tropical do planeta? Ou depois da agricultura no processamento, na logística, no comércio? Ou foi tudo isso junto amalgamado, que termina por colocar o Brasil na condição do 3° maior exportador de alimentos do mundo e assegurador do abastecimento interno do seu povo?

Olhando o Brasil de fora, constatamos que temos uma missão com visão ampliada para debater, considerar, interpretar e cumprir. Aprendemos a produzir e criar no ambiente tropical. Incontestável. Nos transformamos em grandes competidores e vendedores de alimentos globais. Incontestável.

Temos uma legislação ambiental, um código florestal mais exigente do mundo, colocando no produtor brasileiro a responsabilidade de ser a “sentinela da terra“. Incontestável.

Temos oportunidades imensas de evolução pelo conhecimento da gestão, da ciência e do cooperativismo. Incontestável. E longe de sermos perfeitos, nossos defeitos são grandes, notórios, e nós sabemos e os temos identificados, eles nos incomodam e ficamos incomodados. Incontestável.

Mas, o que falta no discurso brasileiro para tomada de uma posição única, diferenciada e totalmente alinhada com o inexorável progresso da fraternidade e do humanismo nos próximos 50 anos?

Ensinar. Não seremos no planeta apenas um grande vendedor de alimentos e estratégico para a segurança alimentar da população mundial. Seremos também os educadores de como desenvolver a dignidade cidadã, ensinando povos do cinturão tropical do globo terrestre a poder produzir e desenvolver também os seus próprios alimentos.

Ótimo que temos 66% do território do país preservado e sob legislação, e somos recordistas em produção utilizando menos de 10% da área para isso, quando comparados com outras nações.

Incontestável. Também temos orgânicos, biodinâmicos, rastreabilidade e cerca de 1 milhão de pequenos agricultores cooperativados. Incontestável.

Sim, um Brasil além do grande vendedor, um nobre e real educador. Somos um achado sensacional na faixa tropical do globo, quando o fotografamos a partir das riquezas agropecuárias. Temos recursos humanos, conhecimentos, e práticas concretas e reais. Sabemos produzir em condições tropicais e com sustentabilidade. Incontestável.

Brasil, o grande educador dos povos e nações envoltas pelo “tropical Belt”, ou “Cinto Tropical”. Um cinturão tropical onde antigamente nada se produzia, com exceções de algumas commodities como café, cana-de-açúcar, borracha e cacau; e hoje, além da hortifruticultura, do reviver do algodão, de uma nova borracha, a inovadora soja, o milho, o biocombustível, o biodiesel, feijão com arroz, o novo cacau, uma liderança avançada em todas as proteínas animais, e exemplos extraordinários no cooperativismo.

 

Além disso, uma agroindústria e uma rede interna de varejo, food service e supermercados com mais de 80 mil pontos de vendas, onde circulam diariamente 25 milhões de pessoas que devem vir a ser pontos educacionais ótimos para a educação nutricional e de alimentação do brasileiro.

 

E claro, pra não dizer que não falei das flores, até flores vicejam e terminam por embelezar o florescer do lado tropical da terra.

 

Existem incômodos? Incontestáveis. E o que vamos fazer? Incomodar.

Pra começar, mais do que produzir, preservar e exportar, o Brasil é a maior casa educadora do mundo, ensinando nações do cinturão tropical da vida, a auto felicidade de ter seus próprios alimentos. Uma pedagogia evoluída de superação.

Refletir. Pensar. A narrativa e os feitos e fatos que nos podem conduzir a uma relevante e nobre missão na terra. Incomoda? Sim, incontestável. Vamos incomodar.

 

Dr. José Luiz Tejon Megido

Diretor do programa food e agribusiness management e design innovation da Audencia Business School, Nantes, França, para o Brasil. Colunista da Jovem Pan e revista Feed&Food. Diretor de conteúdo do CNMA – Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio | ABAG / Transamérica Expocenter. Membro do CCAS – Conselho Científico Agro Sustentável. Conselheiro e fundador da ABMRA – Associação Brasileira de Marketing Rural do Agronegócio.

Airbnb no Salão Internacional de Agricultura em Paris

Da França direto pra Jovem Pan, para os meus leitores do blog Cabeça de Líder.

No Salão Internacional de Agricultura, em Paris, você encontra o mundo sob o tema central deste ano: “A agricultura, uma aventura coletiva”. São mais de mil expositores no Parque de Exposições da Porta de Versalles.

 

O foco é valorizar o trabalho coletivo como chave do setor. São seis gigantescos pavilhões divididos por assuntos, como o pavilhão de carnes, outro dedicado a cavalos e também a produtos culturais do campo, onde a jardinagem e o mundo vegetal se faz presente. Há um terceiro pavilhão com comidas e bebidas, e ali está presente a televisão francesa sendo transmitida ao vivo.

No 4° pavilhão, da agricultura de precisão, vi o recrutamento de jovens e o meio ambiente high tech. No quinto pavilhão uma mostra dos produtos de vários países do mundo, onde a Costa do Marfim apresentava o melhor stand falando de sua política de preservação das florestas, e Marrocos mandava ver num samba do Brasil, uma tímida participação apenas com a caipirinha e o nobre capim dourado.

Sem dúvida e com todo respeito, o Brasil faltou neste show.

E por último um pavilhão dedicado a cães e gatos.

 

Algumas coisas surpreendem. Você não imaginaria ver o Airbnb num evento da agricultura, imaginaria? Pois ali estava, com um grandioso stand. E qual a ideia do Airbnb estar num evento rural? Promover o turismo rural.

Airbnb está presente no Salão Internacional de Agricultura 2018, em Paris.

O Airbnb na França já conta com mais de 6 mil agricultores cadastrados. Oferecerem sua propriedade para o turismo agrícola. O que significa ganhar uma renda adicional, mostrar e promover a sua atividade agrícola e conhecer pessoas do mundo inteiro.

 

Esperar pelo próximo presidente é como acreditar que o cavalo de Troia era um presente dos gregos

Até quando a “Marcha da insensatez” (livro Extraordinário escrito por Bárbara Tuchman) continuará nublando, enganando e traindo a sociedade brasileira?

Existe um Brasil lúcido, sensato. Ele apenas não se manifesta, não se articula e talvez esteja ainda dominado por uma tenra infância de crianças disputando a manifestação de seus egos.

O Brasil não pode esperar pelo processo político, pela absurda incerteza de acreditar que o novo presidente venha de qual facção vier, conseguiria dar o salto histórico para o país não se ver mergulhado nas trevas da ausência de consciência, dos seus próximos 20 anos.

Nada será como antes. Agora seremos exigidos na educação, nas lutas competitivas, no poder da cooperação, na ciência, no comércio e seremos obrigados a forjar uma nação, uma pátria, uma república, ou então iremos agonizar no império da revolução dos bichos de George Orwell. Superação é o dever.

Superação como prefere Makiguti significará “criar valor a partir da sua própria vida, sob quaisquer circunstâncias. E valor quer dizer o bem, o benefício e o belo. “Só teremos superação com os fundamentos superantes da coragem, da confiança, da cooperação, da criação, da consciência, da conquista, da correção e da definição de um caráter de país.

 

Quem educa supera e faz superar. E quem tem o dever de não ficar mais esperando pelo entrópico processo político e sua relação mortífera com parte do empresariado, que desprovido de valores se locupletou como nunca dantes na corrupção, desmascarada pelos também inesperados e disruptivos jovens das lava jatos tropicais, esse dever cabe a nós. Cabe a sociedade civil organizada, cabe ao ponto mais precioso  da superação, assumir o protagonismo e abandonar a vitimização. Quem são os piores líderes para fracassarem nesse desafio? Aquele que se vitimiza, dessa forma, espante e enxote qualquer um que traga uma retórica vitimizadora e de vitimização. Quem pode nos levar a essa disruptiva fase mutante, não insensata?

 

Os brasileiros que trabalham, sensatos e representantes de um Brasil que aos trancos e barrancos se mantém entre as 10 maiores economias do mundo,  que está na lista mundial de países livres, que conseguiu liderar em diversos segmentos econômicos e tecnológicos, como o próprio agronegócio,  exemplificam um país formado de sofridos e pobres imigrantes de todos os cantos, com escravos e excluídos do planeta, assim como foram meus pais, meus avós, meus bisavós.

 

Precisamos convocar, sim, as estruturas formais e já organizadas da sociedade civil organizada. Para superar precisamos de liderança democrática e de entidades que aí estão, até agora caladas, escondidas deste momento de tão magnânima dimensão.Convoco as organizações empresariais nacionais, as confederações empresariais que reunidas representam todo o produto interno bruto do país. As 12 CN’s. Convoco as representações religiosas, a OAB, educadores, trabalhadores, estudantes e militares. Os colegas jornalistas e a mídia.

 

Só há uma regra de ouro para criarmos uma proposta de projeto brasileiro de governança, ao lado ou à parte do sistema político partidário isoladamente que, sem duvida, por ele só, nos conduzirá inexoravelmente ao cavalo de Tróia, um presente de grego, seja quem for o presidente oculto na sua barriga equina. Nenhuma entidade, organizada, pode ter qualquer vínculo ou elo com partidos políticos. A contaminação político partidária condena a representação da sociedade civil organizada a uma guerra de loucos, onde enganos e traições, vozes tumulares de ideologias passadas nos condenariam ao fracasso antes da partida. A ideologia do passado já morreu. Que venha, se precisar, a ideologia do futuro. Ela não se encontra nos baús enterrados nas suas tumbas.

O Brasil precisa superar, ultrapassar e ir muito além de ficar esperando por um processo político ou num debate pautado pela loucura entre este nome, ou aquele nome, como se fosse possível e aceitável esperar pelo que não virá, e que já faleceu na esquina próxima passada da história recente. O populismo é o veneno do futuro. O mornalismo, das normalidades mornas, a anestesia da ação. Não se enfrenta o populismo somente com o sonho democrático do voto. Precisa de mais, muito mais. Sem ajuda das organizações sensatas e estruturaras, o voto não fará milagre. Até porque milagres estão num campo de dimensões elevadas, e não seria justo esperar por eles. A Deus o que é de Deus e ao brasileiro o que é o dever de cada brasileiro.

Quatro pontos para uma Sociedade Civil Organizada

Sociedade Civil Organizada: os quatro pontos para chegarmos a uma síntese:

1° ponto: Onde o agronegócio progride e cresce a qualidade de vida. O PIB per capita de Correntina, no oeste da Bahia, era de quatro mil, duzentos e sessenta e sete reais no ano 2000. Em 2015, foi para trinta e nove mil e trinta e quatro reais.

São Desidério, outra cidade do oeste baiano, em 2000 o PIB per capita registrava quatro mil duzentos e setenta e seis reais, e passou em 2015 para oitenta e três mil, duzentos e trinta e quatro reais.

Temos uma realidade em todo interior brasileiro, acentuado positivamente onde cooperativas bem lideradas estão presentes. Isso é fato, e não mito.

 

2° ponto: Tiago Muniz, jornalista da Rede Jovem Pan, entrevistou o presidente reeleito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, João Martins, semana passada, com a presença do presidente Michel Temer, em Brasília, e mostrou na fala do Sr. João Martins, uma queixa contra ativistas que atacam o agronegócio. Tiago Muniz ainda ressaltou que nesse discurso o presidente reeleito da CNA não declarou quem são e quais forças seriam essas.

 

Ou seja, organizações fortes e poderosas, como a própria CNA, se consideram vítimas perante fatos concretos da importância do agro no país, cuja população reconhece hoje seu fundamental valor.

Está na hora de saber orquestrar a comunicação, pois a realidade é resultado de percepção, e parar de pôr a culpa nos outros…

3° ponto: Vera Magalhães, outra colunista da Rede Jovem Pan escreveu para o Jornal O Estado de S. Paulo:

“O adiamento da votação da reforma da previdência não mostra só a impossibilidade de o atual congresso desempenhar um papel minimamente responsável…”.

 

O mais assustador é a completa falta de cálculo político, com isso se explica que a história comprova, serem mais reeleitos os que votam em reformas do que aqueles que não votam em reformas. Portanto, são burros ao protelar fazer agora o que precisa ser feito já…

4º ponto: Manuel Castells, estudioso e o profeta das redes, numa entrevista para o jornal O Valor disse: “Entre 60% e 75% dos cidadãos das democracias ocidentais não acreditam que os partidos políticos os representem legitimamente”, e adiciona: “… em situações extremas, como a do Brasil, precisaria de algo que venha da sociedade e não do sistema político, deslegitimado”.

Qual a conclusão e a síntese? Simples…

 

Entidades como a CNA precisam parar de chorar e aprender a se comunicar com a sociedade de forma muito mais consistente, permanente e inteligente, e claro, precisam trazer ao seu lado a Confederação Nacional da Indústria – CNI, a do Comércio, de Finanças,  das Cooperativas e sete as demais.

Sabemos que são doze Confederações Nacionais Empresariais que representam todo o PIB do país, não o governo… são 12 órgãos estruturados da Sociedade Civil Organizada.

Perante as evidências, por quê não se unem para um projeto brasileiro? O agronegócio envolve a todas as doze Confederações Empresariais. Está na hora de assumir a profecia de Manuel Castells. Que nos valha a sensatez da sociedade civil organizada.

 

“Eu não acredito mais em governo“, diz ex-Ministro Alysson Paolinelli

A frase “Eu não acredito mais em governo“ foi dita por um brasileiro com a autoridade legítima: Alysson Paulinelli. E eu digo: “Estamos juntos nessa”.

No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tivemos um dos Ministros mais exemplares votado por unanimidade nacional: Alysson Paulinelli. Hoje preside a Associação Brasileira do Produtores de Milho – Abramilho.

A data desta entrevista considero emblemática para todo o país: 7 de dezembro de 2017. Estávamos num dos mais importantes eventos da fruticultura brasileira realizado pela Abanorte, na cidade de Janaúba, região de Jaíba, localizada no norte de Minas Gerais.

(Veja como foi o Abanorte Fruit Connections: http://www.abanorte.com.br/web/app.php/noticia_page/69).

No evento, frente a mais de 500 testemunhas, haviam produtores de frutas, técnicos, autoridades e a mídia, perguntaram sobre as necessidades do país em diversos aspectos, como infraestrutura, política das águas, acordos comerciais e plano agropecuário, e de forma assertiva o ex-Ministro Alysson asseverou: “Eu não acredito mais em governo…“, e alguém perguntou em seguida: “E no Governo Estadual?“ e finalizou dizendo: “Também não…”.

Entrevistado por mim, pedi sua autorização para expor essa sua convicção ao país, e devidamente autorizado o transcrevo, pois considero que o Brasil não está precisando de choque nenhum além do choque de liderança da sua Sociedade Civil Organizada.

Eu perguntei para o Ex-Ministro: “Por que não acredita mais em governo?”, e ele respondeu: “Porque governo só atrapalha. No Ministério da Agricultura, por exemplo, não temos autonomia para nada. As decisões caminham todas para privilégios de interesses político-eleitoreiros.”.

Então, concluo que passamos a ter no mundo e no Brasil um descompasso do compasso. Isso quer dizer que a sociedade planetária se movimenta na velocidade digital, e governos no passo lento do cágado abraçados à índole nata do bicho preguiça. Quando não, algumas vezes velozes movidos pela picardia dos ratos que adoram roubar os queijos das dispensas abertas da nação brasileira.

Exceções? Existem, como a ciência já descobriu, que servem para confirmar a regra. Então, resolvi fazer uma outra grande pergunta ao ex-Ministro: “Ministro Alysson, o que vamos fazer doravante?”

Sua resposta cravou fundo na nossa consciência. Foi um cravo doloroso carregado de incômodos que se voltam e apontam exatamente para nós: “Não podemos esperar por governos, precisamos pegar para fazer. Sair, negociar, ter uma voz unida e reunida, pois sabemos tudo o que precisa ser feito. Nossos especialistas, estudiosos, pesquisadores e analistas possuem preparo e diagnósticos muito bem feitos das necessidades estruturais do país, em todos os sentidos. Basta irmos e acompanharmos os congressos, as pesquisas, as apresentações e as entrevistas. O que vemos é repetir e repetir os mesmíssimos diagnósticos. O que varia apenas é a tonalidade, a assertividade e a criatividade dos apresentadores.”.

Sim, sabemos tudo o que precisa ser feito no Brasil. Então, por quê não fazemos?

Não podemos mais nem esperar por governo e também devemos parar de botar a culpa em governos. Perante a falência notória e exemplar do sistema de governança do Brasil exponenciado pelas prisões, acusações e escândalos de um conluio público privado, revelador de uma contabilidade campeã do mundo na sua soma de falcatruas.

Esperar pelo governo, pelo próximo presidente, pelos novos legisladores e pelos embates ideológicos de esquerda, direita e de intérpretes da Constituição e das leis seria fácil se não fosse a sua inviabilidade, ou pior, a insanidade dessa insensatez.

Então, qual a proposta? Precisamos de governo?

Sim. Mas não mais de um governo que faça as coisas olhando para seu umbigo ou para Brasília. Precisamos de uma governança, de um cogoverno. Um deveria permanecer dentro das representações da democracia, os partidos políticos, suas facções e sub facções, e que ao longo do tempo possamos aprimorar a sua qualidade. O outro governo é esse que o ex-Ministro Alysson explicitou em no evento. Um governo da Sociedade Civil Organizada não contaminada por ideologias e sem a infiltração político-partidária. Um norte pra o país, onde todos os setores empreendedores nacionais devem ter um projeto, assim como o agronegócio. Que seja sustentável, que contenha responsabilidade social e que signifique um plano diretor para o Brasil crescer, e idealmente, que todos esses setores consigam integrar seus planos entre todas as cadeias produtivas brasileiras.

“A democracia é o melhor sistema de governo do mundo, mas ele tem uma regra: quem está organizado faz, e quem não está sofre…“, disse Alysson Paulinelli.

E continuou: “Passei pelo governo e estudei muito e sei das deficiências que eu tive, eu não acredito mais em governo, e profundamente decepcionado, vejo que governo não tem capacidade de fazer as coisas. Há uma interdependência que não funciona no Ministério da Agricultura. Não tem autonomia, seus recursos estão em outro gabinete; a fiscalização imperando no Brasil como forma de criar dificuldades para vender facilidades. Por isso eu não confio…

A saída? O caminho? O agro tem soluções, gerou soluções e é o que mantém a economia. Esse agro não pode esperar pelo governo, pois ele só atrapalhou. Desde 1986 só fizeram bobagens… acabaram com os instrumentos de política agrícola. O governo se encurrala e só sobra pra ele o instrumento de taxas de juros para controlar inflação. Não acredito mais em governo, pois é uma bagunça.

Para todo brasileiro, segue o recado para 2018: Que a sociedade reaja a esse caos, uma crise moral, política e social. Reconhecer que como o agro, outros setores também podem se organizar e buscar dinheiro lá fora a melhores custos do que aqui dentro. A democracia é o melhor sistema de governo, e eu participei do governo militar e eu sei o quanto presidente Geisel e seu sucessor sofreram para a abertura democrática, mas democracia tem uma regra no mundo inteiro, e quem está organizado faz, e quem não está sofre…”.

José Luiz Tejon

Jornalista, escritor, professor.

Membro do CCAS – Conselho Científico Agro Sustentável.

Membro do conselho consultivo da ABMRA – Associação Brasileira Marketing Rural.

Colunista da Rede Jovem Pan, Revista Feed&Food e colunista no Canal Rural, com o blog Agrosuperação.

O Brasil sem autoridade moral pode ser fatal

O risco do Brasil precisa ser diminuído pelo protagonismo da Sociedade Civil organizada. Estamos numa gravíssima crise de autoridade moral

 

O Brasil é diferente da Tunísia em tamanho e conjuntura, que recebeu o Prêmio Nobel da paz em 2015 criando um quarteto do diálogo nacional para resgatar a autoridade moral de um processo político falido. Se reuniram, na época, a União Geral Tunisiana do Trabalho, a União Tunisiana da Indústria, Comércio e Artesanato, a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia e a Liga Tunisiana dos Direitos Humanos.

E no Brasil… por quê deixamos o país solto à sorte ou aos azares de uma impressionante crise da falência da autoridade moral?

Perante um quadro deprimente e incompetente de presidenciáveis, onde nas pesquisas mostram que 84% dos brasileiros dizem não conhecer ninguém que poderia resgatar o país – além do papa Francisco – e liderarem a intenção de votos: Lula, Bolsonaro e Marina?

Ou a Sociedade Civil Organizada age ou permitiremos que a marcha da insensatez faça seu caminho incerto e insensato. Democracia não é sinônimo de partidos políticos, pois eles significam uma forma organizada de representação pública.

Você colocaria o condomínio onde mora sob a guarda do atual Legislativo ou do Executivo?

Democracia exige e clama em altíssimo e bom som pela Sociedade Civil Organizada, movimentos populares, associações de bairros, ONG’s, entidades de classes, sindicatos, e sem dúvida, as Confederações Nacionais Empresariais.

Estas últimas, na forma de dez mega instituições com registro sindical e mais duas sem registro sindical simplesmente compreendem todo o PIB não governamental do Brasil. Tem estrutura, recursos humanos, orçamentos e arrecadações que agora sofrerão um abalo pela lei que desobriga o pagamento aos sindicatos, seja dos trabalhadores ou patronais de forma involuntária.

Entretanto, ai estão as representações patronais da economia empreendedora brasileira e também da cooperativista: Confederações Nacionais da Agropecuária, Comércio, Bens, Serviços e Turismo, Cooperativas, Indústria, Transporte, Seguros gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização, Instituições financeiras, sistema financeiro, comunicação social, saúde, hospitais, estabelecimentos e serviços, serviços e turismo.

Aí estão as doze representações da Sociedade Civil Organizada Empresarial do país.
Para virmos a ser uma grande Tunísia, seria desejável reunirmos os sindicatos dos trabalhadores. Seria possível? Me parece que não, por divisões internas e também por evidentes contaminações político-partidárias.

Numa conjunção de um projeto brasileiro que objetivasse pairar acima dos desígnios e destinos das eleições de 2018 e que significasse um 4° legítimo poder de cogovernabilidade para o pais, deveríamos incluir a OAB, a Academia Brasileira, Direitos Humanos com a mídia, na busca de um projeto de nação, integrando aquilo que precisa ser feito no Brasil independentemente de quem venha a ser o presidente, governador, deputado ou senador.

Curiosamente em algumas cidades brasileiras já assistimos essas iniciativas de governabilidade com ótimos resultados, como por exemplo, em Maringa, no Paraná e Caçador, em Santa Catarina.

Você pode pensar que a complexidade brasileira não permite reunirmos essas instituições todas por um chamado de bom senso de sensatez, os conflitos de interesses são imensos. Ok, não somos a Tunísia e nem chegamos ao ponto de não retorno daquela sociedade em guerra civil que a levou a uma obrigatória lucidez, criando o “Quarteto do diálogo nacional, resgatando a autoridade moral tunisiana“ com o emblemático Nobel da Paz.

Será que pelo menos as doze Confederações Empreendedoras do país não deveriam se unir, criar um projeto de empreendedorismo, cooperativismo e apresentar à nação, o que precisa ser feito, construído, e efetivado para que o Brasil não padeça da doença da inanição educacional, tecnológica, produtiva, competitiva, legal, ética e moral?

Não deveríamos criar programas unindo as doze Confederações, coletar o que há obrigatoriamente de interesses sinérgicos e comuns entre elas, para formar um pacto pelo progresso e sustentabilidade do Brasil?

Esse plano Brasil 2030 empreendedor, cooperativista, humano e sustentável seria o documento régio, explicitado por legítimos poderes da Sociedade Civil Organizada. Começar com as doze confederações, com doze presidentes com poder e obrigações civilizatórios que reúnem todo o PIB brasileiro, e a partir dessa locomotiva de negócios, da economia e das finanças atrair demais representações da Sociedade Civil Organizada Brasileira sob um foco e uma luz ascensional?

Uma utopia, uma ilusão ou um sonho?

Fico com o sonho do realismo esperançoso. Isso é possível e só depende de alguns brasileiros nos cargos e nas posições se movimentarem para isso. Só depende de líderes e de lideranças.

Da para fazer, pois afinal, como já cantamos um dia: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer“.
Quem diria, companheiros! Tal qual na China, o caminho a ser forjado está sob a bandeira da produtividade e do empreendedorismo capitalista com fortíssima dose de cooperativismo, mas isso sim é de verdade uma análise concreta de situações concretas.

Sem autoridade moral, não tem autoridade legal. Pode ser fatal. Não podemos esperar por um presidente por mais que isso possa parecer ser suficiente.

As melhores do agronegócio 2017 pela Revista Isto É Dinheiro Rural

As Melhores da Dinheiro Rural 2017 apresentou as 500 maiores empresas do agronegócio nesta segunda-feira (27) no evento da Revista Isto É Dinheiro Rural, realizado no Tom Brasil, em São Paulo/SP.

O ranking apontou dentre as 500 maiores do agronegócio no Brasil, oito cooperativas. São elas: Copersucar, Coamo, Tereos, Aurora Alimentos, C. Vale, CHS, Lar, Comigo e Cocamar.

 

As cooperativas agropecuárias brasileiras significam praticamente a metade de tudo o que se produz no país; respondem por cerca de 5 bilhões de dólares de exportações.

Temos no país 1500 cooperativas agropecuárias com mais de 1 milhão de cooperados.

Conversando com os diretores da Coamo, a cooperativa de Campo Mourão/PR, que tem uma receita de 11,5 bilhões de reais, algo muito positivo chamou a atenção, pois tem crescido o número de cooperados, sendo hoje 28 mil, além de contarem com 850 jovens que estão sendo preparados para a liderança e sucessão. Coube a Coamo receber também o prêmio da melhor gestão financeira e eleita como a melhor cooperativa do ano.

Continua sendo genial o cooperativismo, pois 80% dos seus cooperados produzem em áreas de até 100 ha.

 

Dentro das cooperativas, ainda se destacaram a Tereos, na área de cana-de-açúcar, uma cooperativa francesa com ótimo desempenho no país, tendo recebido a medalha de ouro na gestão da cadeia produtiva, ou seja teve preocupação com todos os elos do agronegócio, desde a ciência até o consumidor final.

As cooperativas reunidas atingem mais de 180 bilhões de reais de receita, o que significa 13,5% de todo o PIB do agro, e cresceu 13,5% o seu faturamento em 2016 comparado a 2015 (mesmo em meio a toda crise nacional).

A empresa do ano do agronegócio coube a DSM Tortuga na área da nutrição animal, sal mineral e principalmente vitaminas e tecnologias para o setor da proteína animal, com uma receita de 1,8 bilhão de reais no Brasil, e quase 8 bilhões de euros no mundo.

Outro prêmio foi destinado para a Coopavel, a cooperativa de Cascavel/PR como responsabilidade na cadeia produtiva como um todo, outro exemplo de realização e de liderança no oeste paranaense.

 

As cooperativas são além de claros exemplos de competência de produção e condução de pequenos e médios produtores, um caso extraordinário de estudos como centros educacionais.

Mais do que produzir e administrar o cooperativismo significa educação para a vida capilaridade de dignidade humana.

As profissões do futuro no agro – FATEC Pompéia

Hoje já convivemos com sensores, drones e até a edição gênica de plantas. Então, como aprenderemos a viver e interagir com a mecanização do futuro, que já está sendo aplicada?

 

As máquinas agrícolas de hoje não são mais como as do passado, e as do futuro não poderão mais ser chamadas de máquinas, pois se transformarão em verdadeiras centrais automovidas de inteligência artificial.

As modernas máquinas com robôs do futuro – já presentes no século XXI – já são programadas para aprender a não errar, graças à inteligência artificial.

Com isso, diminuirá gigantescamente o erro humano, como o desperdício no uso de todos os insumos (sementes, fertilizantes, micronutrientes, defensivos agrícolas, adjuvantes) no campo dos vegetais. Além disso, receberão diagnósticos constantes permanentes com correções.

O novo pulverizador, por exemplo, aprenderá a identificar o capim amargoso no meio de todas as demais ervas daninhas e a controlará com toda segurança.

 

Já na proteína animal, sensores permitirão identificar e tratar cada animal com nutrição específica, além de identificar algumas doenças pontuais e correções preventivas que eliminarão o uso exagerado de medicamentos.

Precisamos de uma nova educação! Precisamos de jovens formados para essas novas carreiras, pois já existe um novo agro, onde na pesquisa realizada pela Plant Project destacou que 96% dos brasileiros disseram que o Brasil pode e deve ser apresentado ao mundo como uma inteligência em agronegócio.

E para se especializar nessas novas profissões, é preciso estudar em uma instituição específica. A FATEC Pompéia Shunji Nishimura possui variados tipos de cursos nas áreas de tecnologia aplicada no agronegócio. E o melhor: é gratuito!

 

As inscrições para o vestibular estão abertas até 07/12 e são 40 vagas por curso. Para mais informações, acesse: www.vestibularfatec.com.br

Uma das opções é o curso superior em Tecnologia em Big Data no Agronegócio, com duração de três anos. Há também a opção do curso em Mecanização de Agricultura de Precisão.

 

O agronegócio do futuro será uma agromontadora de sustentabilidade insensível.

Da agropecuária, ao agronegócio e o salto para a AGROSSOCIEDADE

O que nos trouxe até aqui no agro não nos levará mais ao futuro, mas algumas coisas sim, pelo menos uma essencial: aprender a aprender.

E agora, com gigantesca velocidade. Campo e cidade estão integrados e produtores rurais e consumidores finais conectados pela era chamada de “disruption”.  Agroindústrias, supermercados, “chefs“ e geneticistas estão servindo a mesma mesa, compartilhados numa montagem de um lego de ciência e tecnologia, e na expectativa da hiperestrutura da telecomunicação, onde o sinal será sagrado para o agro de precisão.

A diversidade entra em cena, não apenas na subsegmentação de distintas variedades vegetais e ambientações animais, ou em temas onde já iniciamos como integração lavoura-pecuária e floresta, mas agora surge a sensibilidade e a sensitividade da mulher no agro. Retornam das cidades e dos grandes centros, jovens que não imaginavam vir a ser agro um dia, dentro de um espetáculo de engenharia, universo digital, arte e cultura tão amplo quanto a saga humana espacial. Entramos no nano espaço, na inteligência de um gene e na construção de sabores, saúde e atrações apetitosas sob a biologia invisível. E essa era não escolhe tamanho, cultura ou cadeia produtiva. Não existe agricultura familiar, de escala, ou classe média produtora. A única coisa que existe é o estado da arte de uma montadora agrotecnológica de sustentabilidade intensiva.

Google vira Agro, Instituto Europeu de Design vira Agro, ESALQ que já é Agronegócio, também se transforma em Agrossociedade (Piracicaba é uma prova viva do amalgama e todas as jovens cidades do coração do país).

A agropecuária de precisão ou digital ou virtual ou smart farming muda tudo. Assim como, enquanto você lê este artigo, no mundo em apenas um minuto, mais de 700 mil logins são feitos no Facebook, 1.300 viagens no Uber, 69 mil horas de Netflix são assistidas, 2.4 milhões de buscas são feitas no Google, 2.78 milhões de vídeos são vistos no Youtube e não se plantará ou se criará sem as métricas dos sensores e a telemetria das novas máquinas. As redes sociais encantadas encantam e ao mesmo tempo podem gerar lumpens digitais, quanto engajamento e profundidade. Precisa saber escolher – em cada detalhe surge um novo produtor e produtora, e novos consultores, técnicos e distribuidores.

Quer dizer, o que mudou no mundo, acima de todas as outras mudanças? Velocidade. O mundo ficou veloz, ficou interativo e somos todos agora, independentemente de gerações, seres humanos imediáticos. Ou seja, imediatos e mediáticos.

Os sensores significam a alteração tecnológica para a gestão revolucionária e se tudo passa a ser notado e percebido nos terminais dos mobiles ou de qualquer note ou aplicativo, eu e você somos convocados para um belíssimo incômodo. O de mudar e aprender a aprender o que não pensávamos que fosse ser necessário aprender.

Um técnico numa integração, um zootecnista, agrônomo, veterinário, nutricionista, um acadêmico de ciências agrárias, um produtor rural contemporâneo, um gestor de marketing, de granja ou pecuária bovina, do leite ou do corte, da agricultura e da hortiflorifruticultura, todos agora, além de submetidos a um benchmarking global e instantâneo, precisam auscultar e interpretar o que essa torre de babel informacional insiste em nos provocar. Estamos invadidos e condenados à gestão dos dados. Mas dados podem ser apenas dados. Os profissionais do futuro serão, acima disso, criadores de interpretações e coordenadores de tomadas de decisões sistêmicas, muito além do seu tradicional escopo. A rastreabilidade e as certificações estampam nas embalagens dos derivados do campo o poder da originação.

Quem vai fazer isso? A nova geração já vem preparada para estes instrumentais. E ainda com a sensibilidade feminina, a mulher passa a ganhar uma presença intuitiva e sensitiva neste novo mundo de um agro inteligente, virtual, digital, o mundo “smart farming”. Mais sensores geram mais sensibilidade, isso amplia a visão da sustentabilidade e consequentemente prepara cérebros para ficarem mais sensitivos.  A cidade pauta o campo, o cidadão pauta o pesquisador e o cientista precisa vender a ciência para bilhões de leigos: a Agrossociedade.

Iremos assistir o surgimento de “facility digital“, organizações que se desenvolverão no talento da reunião de dados, de criação de softwares práticos e fáceis de uso e de gestão. Afinal a simplicidade será essencial na competitividade deste jogo de gênios, que precisará ser jogado com todos e para todos.

Sabendo que os pilares para a construção de uma Agrossociedade são o pilar social, o pilar ambiental e o pilar econômico,  e todos eles devem estar equilibrados para que a nossa cadeia produtiva seja otimizada e progrida exponencialmente, como falamos acima, o que faremos com cerca de três milhões de propriedades rurais brasileiras, que obtém uma renda média mensal de meio salário mínimo, onde 90% do valor está originado em apenas 12% a 14% das fazendas – no caso brasileiro metade desse valor está sendo produzido em menos de 30 mil fazendas? Precisaremos de cooperativismo, um marco histórico de civilização, e uma certeza de Agrossociedade.

Uma nova Agrossociedade precisa e deve ser tema realista para qualquer governo bem-intencionado. E isso não será feito com conversas eleitoreiras e com a venda de utopias; iremos assistir um retorno ao interior e a uma necessária inteligência de nichos, e de empreendedorismo de especialidades, tendo nas micro, pequenas e mesmo sítios e quintais, propostas tecnológicas e de negócios familiares e de indivíduos microempreendedores. Para a alta escalabilidade, o futuro nos reserva segmentações e especializações. Vamos ver o fim de “commodity“, como classicamente a conhecemos. As cidades desejam virar campo. E agora o campo está cada vez mais high tech e oferecendo qualidade de vida.

O “agridisruption” chegou e com ele a Agrossociedade. Isso é tema de interesse de todas as grandes corporações e profissionais do agronegócio, envolvidos e comprometidos não só com o agro, mas com o lado social, econômico e ambiental do mundo.

Bem vindo à Agrossociedade: local onde se produz e evolui com rapidez e consciência. Nas cidades onde se produz o agro, ali mesmo, os novos exemplos de qualidade de vida, agricultura vertical, local, o sonho do consumo urbano, biomarketing, bioconsumers, desenvolvimento humano, meio ambiente, responsabilidade social e do novo empreendedorismo global, com inovação, superação e cooperação. O agro, definitivamente virou “pop“.

Bem-vindo à ESALQ/USP, uma plataforma para a jornada ao futuro.