Modernidade e disruptura não começou com você, meu jovem

O comércio eletrônico, as Bit Coins, o Big Data, o mundo digital, onde distância não mais existe e apenas o tempo nos enlouquece. Ou ainda onde o computador Google se aposenta pois não existem mais mestres de xadrez que o conseguem vencer. Isso não é novo, e muito menos começou agora, aqui e com você.

 

Vivemos hoje apenas o resultado de um processo longo, muito longo. “A long, long road.”

 

Você imaginaria que alguém poderia vender sorvete por telemarketing nos anos 1930 e entrega-los nas principais capitais da Europa?

Ice-cream flavors at the ice cream parlor

Existiam poucos telefones, só para alguns. E pense> mandar sorvete de Roma, por exemplo, para Paris?

 

Mas isso existia. O Palazzo del Freddo, localizado exatamente na capital italiana, já fazia isso nos primórdios. Não era online, nem por computador, era no velho telefone com fio mesmo.

 

Porém, haviam atendentes, um Data Base, uma espetacular logística e armazenagem, além de um delivery impecável, pois os clientes naquela época eram lordes e fidalgos, ou seja, ficavam enfurecidos por muito pouco, e o ‘customer care’ apanharia literalmente com erros ou descuidos inaceitáveis.

 

O que mudou? É que antes, o serviço era para pouquíssimos e hoje é “for all”. Antes era caríssimo, hoje custa 1 euro.

 

O que mudou na criação e captura de valor? Na criação… nada! São inventos, tecnologias, processos, coisas. E na captura? Tudo: velocidade, custo, timing, e de poucos para todos.

 

O valor não está nas coisas. O valor está em quem faz o quê com as coisas! Então, pergunto: “Quem é você?”

Você cruzaria o oceano e enfrentaria uma fila só para comer um doce?

O que é mesmo valor?

A criação do valor está nas coisas, mas a captura do valor não está nas coisas. Se alguém dissesse: “Pessoas viajam de um lado para outro do mundo, ficam numa fila e pagam para simplesmente comer um doce.

 

Você diria que essas pessoas são loucas ou irracionais?

 

Nessas observações residem provocações importantes para discutirmos o que significa valor. E claro, o que isso tem a ver com você, comigo, com as nossas vidas.

 

O famoso Pastel de Belém nasceu na cidade de Lisboa, em Portugal. Turistas do mundo todo vão para saborear esse doce, que geralmente é vendido em uma casa estilo à moda antiga portuguesa, com ladrilhos.

 

Há fila para entrar, para ser atendido, para sair e pagar. Ao lado, há um Mc Donald’s, Starbucks. Mas é na velha casa portuguesa que com certeza reside uma gigantesca captura de valor.

 

Desde 1837, Os famosos Pastéis de Belém são feitos com açúcar, gema de ovo, leite, e a farinha. Uma Commodity. Porém, o valor é extraordinariamente maior. Ali é a ‘casa dos Pastéis de Belém’.

 

O valor não está nas coisas, o valor está em quem faz o quê com as coisas!

 

Então, pergunto: “Quem é você?”