Alargar a visão – uma nova narrativa brasileira no agro

Agrossociedade, por si já nos tatua um conceito amplificado acima de “business“. Cidadãos, gerações, cidades e educação que formam culturas pela geografia brasileira gerados a partir da construção de riquezas originadas na agricultura.

Ou antes da agricultura? Na ciência, nas práticas tecnológicas, nos experimentos e na coragem de líderes que acreditaram na capacidade de produção dentro de uma zona tropical do planeta? Ou depois da agricultura no processamento, na logística, no comércio? Ou foi tudo isso junto amalgamado, que termina por colocar o Brasil na condição do 3° maior exportador de alimentos do mundo e assegurador do abastecimento interno do seu povo?

Olhando o Brasil de fora, constatamos que temos uma missão com visão ampliada para debater, considerar, interpretar e cumprir. Aprendemos a produzir e criar no ambiente tropical. Incontestável. Nos transformamos em grandes competidores e vendedores de alimentos globais. Incontestável.

Temos uma legislação ambiental, um código florestal mais exigente do mundo, colocando no produtor brasileiro a responsabilidade de ser a “sentinela da terra“. Incontestável.

Temos oportunidades imensas de evolução pelo conhecimento da gestão, da ciência e do cooperativismo. Incontestável. E longe de sermos perfeitos, nossos defeitos são grandes, notórios, e nós sabemos e os temos identificados, eles nos incomodam e ficamos incomodados. Incontestável.

Mas, o que falta no discurso brasileiro para tomada de uma posição única, diferenciada e totalmente alinhada com o inexorável progresso da fraternidade e do humanismo nos próximos 50 anos?

Ensinar. Não seremos no planeta apenas um grande vendedor de alimentos e estratégico para a segurança alimentar da população mundial. Seremos também os educadores de como desenvolver a dignidade cidadã, ensinando povos do cinturão tropical do globo terrestre a poder produzir e desenvolver também os seus próprios alimentos.

Ótimo que temos 66% do território do país preservado e sob legislação, e somos recordistas em produção utilizando menos de 10% da área para isso, quando comparados com outras nações.

Incontestável. Também temos orgânicos, biodinâmicos, rastreabilidade e cerca de 1 milhão de pequenos agricultores cooperativados. Incontestável.

Sim, um Brasil além do grande vendedor, um nobre e real educador. Somos um achado sensacional na faixa tropical do globo, quando o fotografamos a partir das riquezas agropecuárias. Temos recursos humanos, conhecimentos, e práticas concretas e reais. Sabemos produzir em condições tropicais e com sustentabilidade. Incontestável.

Brasil, o grande educador dos povos e nações envoltas pelo “tropical Belt”, ou “Cinto Tropical”. Um cinturão tropical onde antigamente nada se produzia, com exceções de algumas commodities como café, cana-de-açúcar, borracha e cacau; e hoje, além da hortifruticultura, do reviver do algodão, de uma nova borracha, a inovadora soja, o milho, o biocombustível, o biodiesel, feijão com arroz, o novo cacau, uma liderança avançada em todas as proteínas animais, e exemplos extraordinários no cooperativismo.

 

Além disso, uma agroindústria e uma rede interna de varejo, food service e supermercados com mais de 80 mil pontos de vendas, onde circulam diariamente 25 milhões de pessoas que devem vir a ser pontos educacionais ótimos para a educação nutricional e de alimentação do brasileiro.

 

E claro, pra não dizer que não falei das flores, até flores vicejam e terminam por embelezar o florescer do lado tropical da terra.

 

Existem incômodos? Incontestáveis. E o que vamos fazer? Incomodar.

Pra começar, mais do que produzir, preservar e exportar, o Brasil é a maior casa educadora do mundo, ensinando nações do cinturão tropical da vida, a auto felicidade de ter seus próprios alimentos. Uma pedagogia evoluída de superação.

Refletir. Pensar. A narrativa e os feitos e fatos que nos podem conduzir a uma relevante e nobre missão na terra. Incomoda? Sim, incontestável. Vamos incomodar.

 

Dr. José Luiz Tejon Megido

Diretor do programa food e agribusiness management e design innovation da Audencia Business School, Nantes, França, para o Brasil. Colunista da Jovem Pan e revista Feed&Food. Diretor de conteúdo do CNMA – Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio | ABAG / Transamérica Expocenter. Membro do CCAS – Conselho Científico Agro Sustentável. Conselheiro e fundador da ABMRA – Associação Brasileira de Marketing Rural do Agronegócio.

Esperar pelo próximo presidente é como acreditar que o cavalo de Troia era um presente dos gregos

Até quando a “Marcha da insensatez” (livro Extraordinário escrito por Bárbara Tuchman) continuará nublando, enganando e traindo a sociedade brasileira?

Existe um Brasil lúcido, sensato. Ele apenas não se manifesta, não se articula e talvez esteja ainda dominado por uma tenra infância de crianças disputando a manifestação de seus egos.

O Brasil não pode esperar pelo processo político, pela absurda incerteza de acreditar que o novo presidente venha de qual facção vier, conseguiria dar o salto histórico para o país não se ver mergulhado nas trevas da ausência de consciência, dos seus próximos 20 anos.

Nada será como antes. Agora seremos exigidos na educação, nas lutas competitivas, no poder da cooperação, na ciência, no comércio e seremos obrigados a forjar uma nação, uma pátria, uma república, ou então iremos agonizar no império da revolução dos bichos de George Orwell. Superação é o dever.

Superação como prefere Makiguti significará “criar valor a partir da sua própria vida, sob quaisquer circunstâncias. E valor quer dizer o bem, o benefício e o belo. “Só teremos superação com os fundamentos superantes da coragem, da confiança, da cooperação, da criação, da consciência, da conquista, da correção e da definição de um caráter de país.

 

Quem educa supera e faz superar. E quem tem o dever de não ficar mais esperando pelo entrópico processo político e sua relação mortífera com parte do empresariado, que desprovido de valores se locupletou como nunca dantes na corrupção, desmascarada pelos também inesperados e disruptivos jovens das lava jatos tropicais, esse dever cabe a nós. Cabe a sociedade civil organizada, cabe ao ponto mais precioso  da superação, assumir o protagonismo e abandonar a vitimização. Quem são os piores líderes para fracassarem nesse desafio? Aquele que se vitimiza, dessa forma, espante e enxote qualquer um que traga uma retórica vitimizadora e de vitimização. Quem pode nos levar a essa disruptiva fase mutante, não insensata?

 

Os brasileiros que trabalham, sensatos e representantes de um Brasil que aos trancos e barrancos se mantém entre as 10 maiores economias do mundo,  que está na lista mundial de países livres, que conseguiu liderar em diversos segmentos econômicos e tecnológicos, como o próprio agronegócio,  exemplificam um país formado de sofridos e pobres imigrantes de todos os cantos, com escravos e excluídos do planeta, assim como foram meus pais, meus avós, meus bisavós.

 

Precisamos convocar, sim, as estruturas formais e já organizadas da sociedade civil organizada. Para superar precisamos de liderança democrática e de entidades que aí estão, até agora caladas, escondidas deste momento de tão magnânima dimensão.Convoco as organizações empresariais nacionais, as confederações empresariais que reunidas representam todo o produto interno bruto do país. As 12 CN’s. Convoco as representações religiosas, a OAB, educadores, trabalhadores, estudantes e militares. Os colegas jornalistas e a mídia.

 

Só há uma regra de ouro para criarmos uma proposta de projeto brasileiro de governança, ao lado ou à parte do sistema político partidário isoladamente que, sem duvida, por ele só, nos conduzirá inexoravelmente ao cavalo de Tróia, um presente de grego, seja quem for o presidente oculto na sua barriga equina. Nenhuma entidade, organizada, pode ter qualquer vínculo ou elo com partidos políticos. A contaminação político partidária condena a representação da sociedade civil organizada a uma guerra de loucos, onde enganos e traições, vozes tumulares de ideologias passadas nos condenariam ao fracasso antes da partida. A ideologia do passado já morreu. Que venha, se precisar, a ideologia do futuro. Ela não se encontra nos baús enterrados nas suas tumbas.

O Brasil precisa superar, ultrapassar e ir muito além de ficar esperando por um processo político ou num debate pautado pela loucura entre este nome, ou aquele nome, como se fosse possível e aceitável esperar pelo que não virá, e que já faleceu na esquina próxima passada da história recente. O populismo é o veneno do futuro. O mornalismo, das normalidades mornas, a anestesia da ação. Não se enfrenta o populismo somente com o sonho democrático do voto. Precisa de mais, muito mais. Sem ajuda das organizações sensatas e estruturaras, o voto não fará milagre. Até porque milagres estão num campo de dimensões elevadas, e não seria justo esperar por eles. A Deus o que é de Deus e ao brasileiro o que é o dever de cada brasileiro.

Quatro pontos para uma Sociedade Civil Organizada

Sociedade Civil Organizada: os quatro pontos para chegarmos a uma síntese:

1° ponto: Onde o agronegócio progride e cresce a qualidade de vida. O PIB per capita de Correntina, no oeste da Bahia, era de quatro mil, duzentos e sessenta e sete reais no ano 2000. Em 2015, foi para trinta e nove mil e trinta e quatro reais.

São Desidério, outra cidade do oeste baiano, em 2000 o PIB per capita registrava quatro mil duzentos e setenta e seis reais, e passou em 2015 para oitenta e três mil, duzentos e trinta e quatro reais.

Temos uma realidade em todo interior brasileiro, acentuado positivamente onde cooperativas bem lideradas estão presentes. Isso é fato, e não mito.

 

2° ponto: Tiago Muniz, jornalista da Rede Jovem Pan, entrevistou o presidente reeleito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, João Martins, semana passada, com a presença do presidente Michel Temer, em Brasília, e mostrou na fala do Sr. João Martins, uma queixa contra ativistas que atacam o agronegócio. Tiago Muniz ainda ressaltou que nesse discurso o presidente reeleito da CNA não declarou quem são e quais forças seriam essas.

 

Ou seja, organizações fortes e poderosas, como a própria CNA, se consideram vítimas perante fatos concretos da importância do agro no país, cuja população reconhece hoje seu fundamental valor.

Está na hora de saber orquestrar a comunicação, pois a realidade é resultado de percepção, e parar de pôr a culpa nos outros…

3° ponto: Vera Magalhães, outra colunista da Rede Jovem Pan escreveu para o Jornal O Estado de S. Paulo:

“O adiamento da votação da reforma da previdência não mostra só a impossibilidade de o atual congresso desempenhar um papel minimamente responsável…”.

 

O mais assustador é a completa falta de cálculo político, com isso se explica que a história comprova, serem mais reeleitos os que votam em reformas do que aqueles que não votam em reformas. Portanto, são burros ao protelar fazer agora o que precisa ser feito já…

4º ponto: Manuel Castells, estudioso e o profeta das redes, numa entrevista para o jornal O Valor disse: “Entre 60% e 75% dos cidadãos das democracias ocidentais não acreditam que os partidos políticos os representem legitimamente”, e adiciona: “… em situações extremas, como a do Brasil, precisaria de algo que venha da sociedade e não do sistema político, deslegitimado”.

Qual a conclusão e a síntese? Simples…

 

Entidades como a CNA precisam parar de chorar e aprender a se comunicar com a sociedade de forma muito mais consistente, permanente e inteligente, e claro, precisam trazer ao seu lado a Confederação Nacional da Indústria – CNI, a do Comércio, de Finanças,  das Cooperativas e sete as demais.

Sabemos que são doze Confederações Nacionais Empresariais que representam todo o PIB do país, não o governo… são 12 órgãos estruturados da Sociedade Civil Organizada.

Perante as evidências, por quê não se unem para um projeto brasileiro? O agronegócio envolve a todas as doze Confederações Empresariais. Está na hora de assumir a profecia de Manuel Castells. Que nos valha a sensatez da sociedade civil organizada.

 

“Eu não acredito mais em governo“, diz ex-Ministro Alysson Paolinelli

A frase “Eu não acredito mais em governo“ foi dita por um brasileiro com a autoridade legítima: Alysson Paulinelli. E eu digo: “Estamos juntos nessa”.

No Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tivemos um dos Ministros mais exemplares votado por unanimidade nacional: Alysson Paulinelli. Hoje preside a Associação Brasileira do Produtores de Milho – Abramilho.

A data desta entrevista considero emblemática para todo o país: 7 de dezembro de 2017. Estávamos num dos mais importantes eventos da fruticultura brasileira realizado pela Abanorte, na cidade de Janaúba, região de Jaíba, localizada no norte de Minas Gerais.

(Veja como foi o Abanorte Fruit Connections: http://www.abanorte.com.br/web/app.php/noticia_page/69).

No evento, frente a mais de 500 testemunhas, haviam produtores de frutas, técnicos, autoridades e a mídia, perguntaram sobre as necessidades do país em diversos aspectos, como infraestrutura, política das águas, acordos comerciais e plano agropecuário, e de forma assertiva o ex-Ministro Alysson asseverou: “Eu não acredito mais em governo…“, e alguém perguntou em seguida: “E no Governo Estadual?“ e finalizou dizendo: “Também não…”.

Entrevistado por mim, pedi sua autorização para expor essa sua convicção ao país, e devidamente autorizado o transcrevo, pois considero que o Brasil não está precisando de choque nenhum além do choque de liderança da sua Sociedade Civil Organizada.

Eu perguntei para o Ex-Ministro: “Por que não acredita mais em governo?”, e ele respondeu: “Porque governo só atrapalha. No Ministério da Agricultura, por exemplo, não temos autonomia para nada. As decisões caminham todas para privilégios de interesses político-eleitoreiros.”.

Então, concluo que passamos a ter no mundo e no Brasil um descompasso do compasso. Isso quer dizer que a sociedade planetária se movimenta na velocidade digital, e governos no passo lento do cágado abraçados à índole nata do bicho preguiça. Quando não, algumas vezes velozes movidos pela picardia dos ratos que adoram roubar os queijos das dispensas abertas da nação brasileira.

Exceções? Existem, como a ciência já descobriu, que servem para confirmar a regra. Então, resolvi fazer uma outra grande pergunta ao ex-Ministro: “Ministro Alysson, o que vamos fazer doravante?”

Sua resposta cravou fundo na nossa consciência. Foi um cravo doloroso carregado de incômodos que se voltam e apontam exatamente para nós: “Não podemos esperar por governos, precisamos pegar para fazer. Sair, negociar, ter uma voz unida e reunida, pois sabemos tudo o que precisa ser feito. Nossos especialistas, estudiosos, pesquisadores e analistas possuem preparo e diagnósticos muito bem feitos das necessidades estruturais do país, em todos os sentidos. Basta irmos e acompanharmos os congressos, as pesquisas, as apresentações e as entrevistas. O que vemos é repetir e repetir os mesmíssimos diagnósticos. O que varia apenas é a tonalidade, a assertividade e a criatividade dos apresentadores.”.

Sim, sabemos tudo o que precisa ser feito no Brasil. Então, por quê não fazemos?

Não podemos mais nem esperar por governo e também devemos parar de botar a culpa em governos. Perante a falência notória e exemplar do sistema de governança do Brasil exponenciado pelas prisões, acusações e escândalos de um conluio público privado, revelador de uma contabilidade campeã do mundo na sua soma de falcatruas.

Esperar pelo governo, pelo próximo presidente, pelos novos legisladores e pelos embates ideológicos de esquerda, direita e de intérpretes da Constituição e das leis seria fácil se não fosse a sua inviabilidade, ou pior, a insanidade dessa insensatez.

Então, qual a proposta? Precisamos de governo?

Sim. Mas não mais de um governo que faça as coisas olhando para seu umbigo ou para Brasília. Precisamos de uma governança, de um cogoverno. Um deveria permanecer dentro das representações da democracia, os partidos políticos, suas facções e sub facções, e que ao longo do tempo possamos aprimorar a sua qualidade. O outro governo é esse que o ex-Ministro Alysson explicitou em no evento. Um governo da Sociedade Civil Organizada não contaminada por ideologias e sem a infiltração político-partidária. Um norte pra o país, onde todos os setores empreendedores nacionais devem ter um projeto, assim como o agronegócio. Que seja sustentável, que contenha responsabilidade social e que signifique um plano diretor para o Brasil crescer, e idealmente, que todos esses setores consigam integrar seus planos entre todas as cadeias produtivas brasileiras.

“A democracia é o melhor sistema de governo do mundo, mas ele tem uma regra: quem está organizado faz, e quem não está sofre…“, disse Alysson Paulinelli.

E continuou: “Passei pelo governo e estudei muito e sei das deficiências que eu tive, eu não acredito mais em governo, e profundamente decepcionado, vejo que governo não tem capacidade de fazer as coisas. Há uma interdependência que não funciona no Ministério da Agricultura. Não tem autonomia, seus recursos estão em outro gabinete; a fiscalização imperando no Brasil como forma de criar dificuldades para vender facilidades. Por isso eu não confio…

A saída? O caminho? O agro tem soluções, gerou soluções e é o que mantém a economia. Esse agro não pode esperar pelo governo, pois ele só atrapalhou. Desde 1986 só fizeram bobagens… acabaram com os instrumentos de política agrícola. O governo se encurrala e só sobra pra ele o instrumento de taxas de juros para controlar inflação. Não acredito mais em governo, pois é uma bagunça.

Para todo brasileiro, segue o recado para 2018: Que a sociedade reaja a esse caos, uma crise moral, política e social. Reconhecer que como o agro, outros setores também podem se organizar e buscar dinheiro lá fora a melhores custos do que aqui dentro. A democracia é o melhor sistema de governo, e eu participei do governo militar e eu sei o quanto presidente Geisel e seu sucessor sofreram para a abertura democrática, mas democracia tem uma regra no mundo inteiro, e quem está organizado faz, e quem não está sofre…”.

José Luiz Tejon

Jornalista, escritor, professor.

Membro do CCAS – Conselho Científico Agro Sustentável.

Membro do conselho consultivo da ABMRA – Associação Brasileira Marketing Rural.

Colunista da Rede Jovem Pan, Revista Feed&Food e colunista no Canal Rural, com o blog Agrosuperação.

As melhores do agronegócio 2017 pela Revista Isto É Dinheiro Rural

As Melhores da Dinheiro Rural 2017 apresentou as 500 maiores empresas do agronegócio nesta segunda-feira (27) no evento da Revista Isto É Dinheiro Rural, realizado no Tom Brasil, em São Paulo/SP.

O ranking apontou dentre as 500 maiores do agronegócio no Brasil, oito cooperativas. São elas: Copersucar, Coamo, Tereos, Aurora Alimentos, C. Vale, CHS, Lar, Comigo e Cocamar.

 

As cooperativas agropecuárias brasileiras significam praticamente a metade de tudo o que se produz no país; respondem por cerca de 5 bilhões de dólares de exportações.

Temos no país 1500 cooperativas agropecuárias com mais de 1 milhão de cooperados.

Conversando com os diretores da Coamo, a cooperativa de Campo Mourão/PR, que tem uma receita de 11,5 bilhões de reais, algo muito positivo chamou a atenção, pois tem crescido o número de cooperados, sendo hoje 28 mil, além de contarem com 850 jovens que estão sendo preparados para a liderança e sucessão. Coube a Coamo receber também o prêmio da melhor gestão financeira e eleita como a melhor cooperativa do ano.

Continua sendo genial o cooperativismo, pois 80% dos seus cooperados produzem em áreas de até 100 ha.

 

Dentro das cooperativas, ainda se destacaram a Tereos, na área de cana-de-açúcar, uma cooperativa francesa com ótimo desempenho no país, tendo recebido a medalha de ouro na gestão da cadeia produtiva, ou seja teve preocupação com todos os elos do agronegócio, desde a ciência até o consumidor final.

As cooperativas reunidas atingem mais de 180 bilhões de reais de receita, o que significa 13,5% de todo o PIB do agro, e cresceu 13,5% o seu faturamento em 2016 comparado a 2015 (mesmo em meio a toda crise nacional).

A empresa do ano do agronegócio coube a DSM Tortuga na área da nutrição animal, sal mineral e principalmente vitaminas e tecnologias para o setor da proteína animal, com uma receita de 1,8 bilhão de reais no Brasil, e quase 8 bilhões de euros no mundo.

Outro prêmio foi destinado para a Coopavel, a cooperativa de Cascavel/PR como responsabilidade na cadeia produtiva como um todo, outro exemplo de realização e de liderança no oeste paranaense.

 

As cooperativas são além de claros exemplos de competência de produção e condução de pequenos e médios produtores, um caso extraordinário de estudos como centros educacionais.

Mais do que produzir e administrar o cooperativismo significa educação para a vida capilaridade de dignidade humana.

Blairo Maggi permanece no governo e viaja para viabilizar exportações

Hoje retorna de uma viagem de negociações de La Paz, na Bolívia, e Lima, no Peru, o Ministro da Agricultura Blairo Maggi. O objetivo da viagem foi vender frutas, suínos, mel e embriões de animais, além de ouvir a lista de produtos que Lima e La Paz querem vender ao Brasil.

 

 

Registramos neste blog e no programa da rede Jovem Pan de rádio “A hora do agronegócio” o desconforto do Ministro da Agricultura com a Operação Malebolge da Polícia Federal, que realizou buscas e apreensões no apartamento de Maggi e outros dois endereços no Mato Grosso devido a uma acusação do ex-governador do MT Silval Barbosa (em devida prisão domiciliar).

O incômodo do Ministro Blairo Maggi não estava sendo percebido por ele devido ao suporte que recebia do governo perante essa situação. Estava sentindo um certo sentimento de abandono e comentou sua disposição de sair do governo.

O Palácio do Planalto, diante dessa situação, garantiu a continuidade de Blairo no governo, que seguiu para mais uma missão salvadora da economia nacional.

Obviamente, setores dependentes e atrelados ao poder central de Brasília vibraram com essa decisão a qual significa, na minha opinião, iniciativas que a sociedade civil organizada poderia e deveria fazer em regime associativo e de cooperativismo, conduzindo e comandando os negócios brasileiros, algo bem exemplificado pelo setor de aves e suínos que tem numa entidade privada, a ABPA – Associação Brasileira de Proteína Animal.

O governo é importante? Sim, mas a serviço da Sociedade Civil organizada, e não ao contrário.

O Ministro Blairo tem virtudes e valores. É um empreendedor e um realizador cuja obra fala por si. O vejo num futuro breve como presidente de uma ABVN – Associação Brasileira de Vegetais Nacionais ou numa AVAB – Associação de Vendas do Agro Brasileiro… ou melhor ainda: na presidência da Confederação Nacional da Agropecuária – o órgão oficial que reuniria todo o agro brasileiro de dentro da porteira, mas, precisamos mesmo é de um comando integrado de todas as cadeias produtivas, desde o antes até o pós-porteira das fazendas. Isso sim significa agronegócio.

 

Como gravou em um vídeo, quando ainda jovem, o ministro Blairo abriu fronteiras no Mato Grosso com seu pai, e registrou: “Os governos deverão ser mínimos, pois a lentidão é insuportável. As políticas públicas deverão ser privadas. Nós, brasileiros, podemos fazer. Não dependemos de Brasília. Nós realizamos, eu tenho esse vídeo para quem quiser ver”.

Ministro Blairo, desejo boas vendas e que isso continue um dia além e muito acima da condição de ministro… mas se cuide. Confiança não é um valor predominante na governança pública hoje em dia.

O meu comunista não existe mais

Amigos, até entendo e compreendo que um ideal comunista nos anos 50/60 imaginava a possibilidade de um mundo justo e igual para todos. Esse sonho, a mim mesmo, com 18 anos de idade, me emocionava! E quantos nãos deram a vida por aquele sonho?

E o meu velho pai adotivo, trabalhador, foi estivador e morreu trabalhando com uma bicicleta nas ruas de Santos.

Ele era um desses puros comunistas, onde o trabalho, a honra, a palavra, o valor de um homem na honestidade e na justiça humana tinha o seu sentido maior.

 

E para ele, isso significava ser um comunista. Impossível comparar isso com quem hoje usa o comunismo para enganar e se autoenganar enquanto um valor e um sentido de vida, onde fracos e oprimidos permanecem mais fracos e oprimidos sob direção de parte daqueles que viraram tenebrosos opressores, e que agora, oriundos da idealizada União Soviética, são os mais ricos da Europa e donos de times de futebol.

O que não é possível aceitar é que hoje, em 2017, permanecemos manipulando seres humanos com tamanha ilusória utopia.

 

Aos meus amigos da esquerda, sempre recomendo assumir a proposta chinesa, e esta análise concreta de situações concretas, esta nua e crua realidade, não interessa a esse time que se diz esquerda.

 

Comunistas? Não são! São oportunistas, safados e traidores da alma humana. O esquerdista Roberto Freire, presidente nacional do Partido Popular Socialista, por exemplo, nunca esteve ao lado dos vociferantes falsos e traidores, e a esquerda lúcida já nas eleições entre Jânio Quadros e Marechal Lott indicava o voto para o Marechal, pois sabiam no que Jânio, Lula e Dilma terminam por dar nisso. Espaços para os piores malévolos da direita.

Mas, como observador, gostaria de apostar: Quanto tempo a Venezuela suportará com esta imbecilidade anacrônica de governo?

Zumbis vivem agarrados em sistemas já mortos, e isso vale para mortos-vivos, tanto da esquerda quanto da direita. Não duraria dois anos este governo venezuelano.

Tempo para cair no real do indesejável. Não há mais esquerda, direita ou estacionar no centro: só existe pra frente! A coragem e a ousadia do novo. E que a classe empresarial se reveja e se revista de capitalismo consciente.

A Universidade Harvard já mudou o critério para avaliação dos melhores CEOs do mundo. No agronegócio brasileiro vejo esses exemplos quando estou nas cooperativas, por exemplo, Aurora, Copacol, Coperdia, Copercampos, Comigo, Cocamar, CVale, Sicoob, Sicredi, Sta. Clara, Coopeave, Cocapec, Frisia, etc., além dos movimentos da OCB e as Organizações Estaduais.

Da mesma forma, ao visitar e ver realidades do cooperativismo em outros países, vejo que existem líderes e lideranças honestas, íntegras, corajosas, com cooperativas muito competitivas. Mais de 1 bilhão de seres humanos cooperativados. Cerca de US$ 3 trilhões de receitas originadas no mundo.

Há também nos legados de Shunji Nishimura, Secundino e Ney, três seres humanos com quem tive a sorte de trabalhar e aprender no setor de tecnologia para a agropecuária  (Jacto e Agroceres).

Na proposta do Roberto Rodrigues, ex-Ministro da Agricultura, sobre a plataforma da segurança alimentar planetária, é mais um exemplo de líderes que apresentam um marco ascensional de sentidos e propósitos.

Deveríamos todos olhar e canalizar essas visões empreendedoras, cooperativas, solidárias, humanas e abominadoras da escravização humana a partir da propaganda de vítimas. A vitimização mata e nos mata.

O meu comunista não existe mais. Meu velho pai já morreu.