(VIENA) Olá pessoal! Na semana passada eu postei um trecho de uma entrevista que fiz com Felipe Massa entre Silverstone e Hockenheim. Disse na ocasião que tinha muito mais para apresentar.
Um dos tópicos que conversamos foi o quanto sua vida mudou após duas datas importantes que aconteceram no mesmo dia – 25 de julho. Em 2009, seu grave acidente na Hungria. Em 2010, em Hockenheim, a ordem que recebeu para deixar Fernando Alonso vencer o GP da Alemanha.
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Seguem algumas partes da entrevista em texto:
EPISÓDIOS DE 25 DE JULHO
“É uma data que vai fazer parte da minha história. Não só agora correndo, mas, quem sabe, daqui a 15 anos, fazendo outra coisa. Acho que é um dia marcante na minha carreira e na minha vida.”
“Aquilo que aconteceu na Hungria foi o momento em que eu tive, como muita gente fala, o azar de encontrar uma mola. Foi algo que nunca aconteceu na Fórmula 1. Lembro de coisas voando, uma roda, outros pedaços, mas uma mola que pesa quase um quilo, e me acertar, não. O primeiro pensamento é: ‘Nossa, o cara foi pegar bem uma mola!’. E por outro lado, nada me aconteceu. Continuo 100% saudável e não era o meu momento.”
“Por esse lado, tive muita sorte de nada ter acontecido comigo. Eu poderia não estar mais aqui. Acho que, no final, tive muita sorte. Não era minha hora. Se isso tivesse acontecido anos atrás, talvez eu não estivesse aqui. O capacete do passado não era tão seguro. O atual é.”
COMO ADMINISTRAR A QUEDA BRUSCA DE RESULTADOS?
“Sem dúvida, vem sendo um turbilhão. Quando comparado com antes, muita coisa diferente aconteceu nesses últimos anos. Funcionava tudo muito bem. Eu ganhava corridas… Lógico, eu tinha um carro muito mais competitivo do que tenho hoje. Espero que nosso modelo continue melhorando para voltar a brigar por vitórias como antes.”
“Sou religioso, rezo antes de dormir. Antes de cada corrida eu rezo no carro também. Nunca pedi ajuda em termos de resultado. Sempre peço proteção e que nenhum acidente aconteça. Agradeço tudo aquilo que tenho, a saúde que possuo. Nunca sento no carro e peço a Deus: ‘Me faça vencer a corrida’, não é isso. Esse não é o caminho certo.”
“A vitória vem do trabalho dentro do carro. E isso é responsabilidade da gente, do piloto, do profissional. Isso eu sei que nunca iria pedi. A sorte também conta, lógico. Em Valência, na volta 7, soltou um negócio no meu assoalho. Isso representava um segundo por volta. Tinha certeza de que poderia brigar pelo pódio, pois o carro estava muito bom no começo da corrida. O Michael [Schumacher] ficou em terceiro e ele estava atrás de mim antes do meu problema. Acho que agora, nesse momento, estou muito bem, confiante, mas falta um pouquinho de sorte, sem dúvida.”
APÓS HOCKENHEIM, SEU MUNDO CAIU DENTRO DA FERRARI
“Sempre dou muito valor para o meu trabalho. Fui muito profissional e respeitei tudo aquilo que já fiz. Creio que isso faz parte da minha pessoa, sempre fui um cara muito profissional e sempre trabalhei com muito respeito. Continuo sendo assim, pois sou um cara honesto e trabalhador.”
“Mas claro que senti. Foi um momento difícil, sem dúvida. Hoje me perguntam: ‘Aquilo te fez mudar?’. Não. Sento no carro e não penso em Hockenheim. Só penso em ganhar, em ultrapassar, fazer o melhor, acertar o carro. Lógico que não foi um momento bacana, mas faz parte e eu sempre entro no carro pensando na vitória.”
“Na minha cabeça, isso não interferiu. Não mudei por causa disso. Na minha cabeça, tenho a chance de vencer em todas as corridas. Assim como hoje, meu companheiro de equipe está disputando o título, e eu estou muito para baixo do que ele. Tudo que eu quero é ter chances de vencer. Se não der, ajudarei o outro carro a ser campeão. Isso faz parte de todas as equipes quando você tem um piloto disputando, e outro não – ainda que em uns times pareça mais que em outros.”

