(SÃO PAULO) Enquanto aguardo anunciarem meu voo para Barcelona, com escala em Zurique, aproveito para escrever sobre o que penso sobre este GP da Espanha.
Tratar a prova como uma mudança drástica nos projetos das equipes é algo correto, porém não necessariamente haverá uma alteração impactante na relação de forças.
Todo ano se fala a mesma coisa, mas nem sempre quem está ganhando começa a perder e vice-versa. Ano passado, por exemplo, a Red Bull começou a caçar a Brawn em Barcelona, ainda que a rival tenha vencido os GPs seguidos de Espanha, Mônaco e Turquia. Somente em Silverstone jogo virou para valer.
A pausa da parte asiática até o começo da temporada européia permite que os times trabalhem bastante, mas as evoluções acontecem em diversos setores e equipes. Claro que um pode achar uma solução melhor do que o outro, mas ainda assim não veremos o circo de pernas para o ar.
Sinceramente, estou ouvindo esse papo de que a Mercedes terá um pacote que fará do carro algo completamente novo desde Fevereiro. Para o Bahrein, diziam, já haveria a tal evolução milagrosa. Por este motivo, prefiro esperar a corrida em si. Talento e dinheiro eles têm para alcançar as rivais mais bem colocadas.
Acredito muito no potencial da McLaren. Desde 2007, a equipe de Woking tem mostrado ser aquela que mais evolui durante uma mesma temporada. No ano citado, houve o Spygate e os méritos do time foram desconsiderados, com razão, diga-se de passagem.
Porém, nos dois anos seguintes vimos a equipe mostrar capacidade em se reinventar. Ano passado, começaram o mundial com uma carroça e terminaram com o segundo melhor carro, atrás apenas da Red Bull.
A Ferrari nos últimos anos tem tido bons carros (ano passado não), porém, ao longo do ano, evolui menos que algumas rivais. Somente em 2006, quando Michael Schumacher duelou com Fernando Alonso é que a escuderia de Maranello começou atrás para virar o jogo. Em 2007, apesar de Kimi Raikkonen ter virado na matemática do Mundial, a equipe começou melhor em performance do que a McLaren.
A tendência, repito, é que todos os times melhorem. E claro, nesta “dança” da performance, tudo pode acontecer. Mas honestamente não espero mudanças revolucionárias. Os quatro times que estão na frente continuarão na frente. Os três que estão atrás permanecerão atrás. E o resto fica no meio do grid, como está desde o início.
E vocês, esperam o quê?

