Não há com o negar que “Avenida Brasil” é uma novela com um texto de qualidade, muito bem amarrada e com elenco de primeira. O folhetim de João Emanuel Carneiro tem conseguido manter os índices na casa dos 40 de média, algo que representa algo próximo a 60% do público de seu horário. Ou seja, enquanto está no ar, de cada 10 televisores ligados, 4 estão em “Avenida Brasil”. Depois de focar na trama principal (vingança de Nina contra Carminha), aos poucos o autor abre seu leque e começa a dar mais espaço a outros núcleos e personagens que transitam ao lado dos protagonistas.
É justamente neste momento que começam a aparecer belas interpretações e, pelo que seu viu até agora, será um festival de ator “roubando” cena, no bom sentido desta expressão tão comum nos bastidores das TVs. Lá no Projac os produtores de “Avenida Brasil” garantem que diariamente acompanham um festival de interpretações impecáveis e que não há uma competição vaidosa porque todos sabem que João Emanuel Carneiro vai distribuir boas cenas a todo o elenco. Ou seja, a ideia é que todos brilhem.
Marcos Caruso está perfeito como Leleco e consegue levar com muito humor uma figura tão presente nas periferias do Brasil. Eliane Giardini nem precisou de muito tempo para fazer de Muricy uma figura importante em seu núcleo e Heloísa Périssé também tem seus momentos divertidos com Monalisa e funciona muito bem com Fabíula Nascimento, que dá vida a Olenka. Também mercê destaque o trabalho de Letícia Isnard como a boboca Ivana, que em breve deve mudar totalmente de postura. Entretanto, está na hora do autor de “Avenida Brasil” mostrar algo diferente para o núcleo de Alexandre Borges. Pelo menos até agora, não há nada de novo no homem que tem três famílias e se desdobra para que nenhuma mulher descubra a outra. É algo que já vimos em novelas e esse clima de que ele está logo ali se mostra menos interessante que a história de Nina e Carminha ou até mesmo da Maria- Chuteira Suelen. E olha que seu passado ainda não foi revelado.

