O talento humano está sempre acima da tecnologia na televisão. É a união da sensibilidade de muitas pessoas que surgem os grandes momentos na teledramaturgia. Um bom exemplo disso foi o capítulo desta terça-feira de “Gabriela” com o assassinato de Dona Sinhazinha e Osmundo. Um texto interessante muito bem executado pelo diretor de cena, fotografia e pelos artistas envolvidos. Uma sequência que prendeu o telespectador e que resumiu a história de amor de uma mulher sufocada pelo marido grosseiro e que reencontra a paixão e o prazer nos braços de um homem mais jovem. A densidade da obra de Jorge Amado na tela, algo difícil quando se tem como base a literatura de um dos nossos melhores escritores.
Além da construção, o que chamou atenção foi a atuação de Laura Cardoso e José Wilker. A atriz estava perfeita como a mulher que defende a moral (falsa, pelas aparências) e os bons costumes e se diz religiosa, mas que em nenhum momento sente remorso em instigar o marido traído. Wilker também deu um show de interpretação na sequência onde o Coronel Jesuíno resolve “limpar sua reputação”. “Matou porque é macho”, disse Ramiro, para deixar claro toda a hipocrisia que existia naquela época. Uma sequência que vai entrar para a lista dos melhores momentos de nossa dramaturgia.
Nesta terça-feira, “Gabriela” marcou 20 pontos de média, o equivalente a 39% do público do horário. Os índices estão dentro do que a emissora esperava para este horário, uma vez que após às 23h há uma redução na quantidade de televisores ligados.

