“Aos dois diretores desejamos sucesso em suas novas empreitadas com a confiança de que farão mais um excelente trabalho em cada um dos projetos em questão”. É com esta frase que a Record encerrou o comunicado oficial que anunciou o afastamento de Ignácio Coqueiro da direção geral de “Máscaras”. Em seu lugar estará Edgard Miranda. O texto oficial da Record diz ainda que Coqueiro “recebeu novas atribuições na preparação de um novo projeto de teledramaturgia”.
A troca de diretores em “Máscaras” foi a solução encontrada pela Record para tentar conter a maior crise de sua dramaturgia. A ação pode até garantir melhores resultados para o folhetim, mas não responde às necessidades para controlar a crise que pode colocar em jogo o projeto “A Caminho da Liderança”. O problema é que, até o momento, ninguém teve a coragem de encarar os fatos de frente. Lauro César Muniz pode até ter exagerado nos dramas e no suspense, mas o problema de “Máscaras” envolve falta de uma estrutura adequada para a realização de novelas em grande escala. E não falo de estúdios, uma vez que há espaço livre no RecNov, muito menos equipamentos técnicos. Faltou planejamento, uma eficiente programação de lançamento, pulso para controlar os egos de todos os envolvidos e “propaganda” da novela. Isso mesmo. “Máscaras” tinha temas fortes que mereciam destaque nos telejornais e programas de variedades, mas na Record as pessoas têm medo e não sabem falar sobre os próprios produtos. Enquanto não houver decisão profissional, ganhará quem grita mais alto ou tem mais prestígio.
O grande problema na Record é que as pessoas são mais importantes que a própria dramaturgia e atores, diretores, produtores e responsáveis pelas novelas trabalham quase que isoladamente. É difícil unir os artistas para a promoção das novelas. Aliado a isso, ninguém quer ser o “repórter oficial” para invadir bastidores e divulgar as novidades da própria emissora. Assim, a solução está muito além da troca de diretores.

