A versão de Quiroga. O goleiro peruano da Copa de 78

O Peru vendeu o jogo. A Argentina comprou o Peru e por isso venceu por 6 x 0 e se classificou para a final da Copa do Mundo.

Quantas vezes você já ouviu isso?

Essa estória, ou história para muitos, vem desde 1978 quando o Brasil empatou com a  Argentina, em Mar del Plata, e ficou na dependência do encontro dos anfitriões com os peruanos na última rodada da segunda fase.

O Brasil enfrentou a Polônia horas antes e venceu por 3 x 1.

A Argentina numa manobra malandra mudou o horário do seu jogo para mais tarde.

Se a Argentina não vencesse o Peru de goleada era o Brasil de Cláudio Coutinho que iria à final.

A classificação do Grupo B da segunda fase aponta Argentina e Brasil em primeiro com cinco pontos.

Os donos da casa se classificaram porque marcaram dois gols a mais que o Brasil: 8 contra 6.

Teriam que vencer o Peru pelo menos por quatro gols de diferença, venceram por seis.

Resultado: O Brasil disputou o terceiro lugar e ganhou da Itália, 2 x 1, com um gol antológico com a curva de Nelinho e a Argentina venceu a Holanda na final e foi campeã do mundo pela primeira vez.

Os jogadores peruanos são chamados de vendidos até hoje.

Em 2004, na Copa América, do Peru, eu conversei com o goleiro daquela Seleção e um dos maiores “vendidos”, segundo os informantes brasileiros.

Quiroga era o cicerone da Seleção do México e Ramon Miflin, grande jogador da Seleção Peruana de 70, atuava na mesma função com a Seleção do Brasil.

Fomos a feia cidade de Piúra para o jogo México 0 x 4 Brasil, nas quartas de finais do torneio.

Miflin era amigo de Quiroga, a quem dizia que era uma espécia de Barbosa peruano, um homem injustiçado por ter tido o azar de estar no lugar errado no jogo errado.

A injustiça, segundo Miflin, era mais dos estrangeiros, no caso os brasileiros, do que dos peruanos que ainda tinham Quiroga em boa conta. Era um ídolo.

Essa conversa foi gravada e guardada no meu arquivo pessoal e da Jovem Pan.

Agora que Argentina, em péssima situação, enfrenta novamente o Peru numa Copa do Mundo, já que as Eliminatórias fazem parte da Copa, o assunto volta à tona.

Dizem que os adversários diretos em busca da classificação oferecem dinheiro para os peruanos pararem desta vez os argentinos dentro da Argentina.

Tarefa difícil para uma equipe que ameaça entrar em greve por falta de pagamento e sem nenhuma chance de classificação.

Guardada as devidas proporções, é a mesma situação da Copa de 78 quando o Peru se despedia da competição justamente contra a Argentina.

Você vai ouvir Quiroga se defender das acusações e dizer que mais incompetente que o Peru foi o Brasil que devia ter vencido a Argentina para não depender de ninguém.

Vai ouvir Quiroga dizendo que isso já não o incomoda mais, que não se arrepende de ter jogado aquela partida, que por muito tempo defendeu a Seleção Peruana e que sempre o chamaram nas horas difíceis.

Quiroga lembra que depois de 78 continuou jogando no Sporting Cristal e que o brasileiro Elba de Pádua Lima, o Tim, foi técnico do Peru em 82, na Espanha, e o convocou e mais do que isso, o escalou como goleiro titular.

“Se eu fosse um vendido e tivesse mesmo prejudicado o Brasil, você acha que o brasileiro Tim teria me chamado de novo”, diz Quiroga.

É um arquivo histórico à sua disposição.

Ouça, Quiroga:

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