O jogo mal começou no Morumbi e o Santos já tinha um pênalti para bater.
Neymar foi lá e não perdoou fazendo seu centésimo gol com a camisa santista que hoje foi um azul turquesa que nada lembrava o grande Santos de branco de outrora.
Sinais dos tempos. Dizem que agora é assim. É para vender mais camisa. Eu não gosto dessas novidades. Prefiro manter a cor original do time.
O pênalti para mim não foi. Na hora achei que Paulo Miranda tocou primeiro a bola e nem o Santos esperava a marcação da penalidade.
Vendo depois na TV continuo com a mesma impressão, mas o adicional Vinicius Furlan atrás do gol deu pênalti e Paulo César de Oliveira acompanhou a indicação.
Alan Kardec estava na jogada com Miranda. Ele foi escalado por Muricy porque está em melhor fase que Borges e também para ajudar nos escanteios defensivos pela sua boa estatura.
Acabou ajudando. Os grandalhões do tricolor não tiveram tanta facilidade nas bolas alçadas na área santista.
Neymar é um show à parte
Depois disso, o São Paulo tentou se arrumar, mas Neymar levava mais uma vez nítida vantagem sobre o seu “maior marcador” da América do Sul.
Essa é mais uma lenda urbana dos últimos tempos. O paraguaio só leva vareio do santista.
Piris (foto) não achou Neymar em campo. Apelou e levou uma saraivada de dribles. Na sequência agrediu Neymar e levou cartão amarelo, mas merecia vermelho.
Alguns jogadores do São Paulo reclamaram das firulas de Neymar, mas se não quer que faça firulas que tome a bola dele.
Minutos antes Piris se aproveitou de uma jogada lateral para dar uma joelhada nas costas de Neymar e levou o troco com vários dribles e entortadas.
Foi o jeito que Neymar lhe deu o troco e foi muito bem dado. Isso é futebol.
O dono do jogo
Neymar ainda fez mais dois gols e acabou como dono do jogo.
No segundo recebeu um precioso lançamento de Paulo Henrique Ganso, bateu na corrida o fraco Paulo Miranda e tocou no canto esquerdo do goleiro Denis.
O mesmo Denis que viria a ajuda-lo no terceiro gol. Chute de fora da área no segundo tempo e Denis espalmou para dentro do gol no exato momento em que o São Paulo era melhor na partida e tinha diminuído o placar com um gol em impedimento de Wilian José.
O Santos ainda teve um gol de Alan Kardec mal anulado. O árbitro alegou que Edu Dracena fez falta em Paulo Miranda.
Olha o Paulo Miranda aí de novo. Mesmo quando não tem culpa está envolvido na jogada.
Provocações
Neymar ainda provocou um cartão amarelo para Rodrigo Caio que substituiu o amarelado Pires no intervalo e causou a expulsão de Cícero que já tinha um amarelo e levou outro por uma falta no onze do Santos.
No fim da partida o Santos tocou bola e a torcida gritou olé. Denílson pediu para Neymar soltar mais rapidamente a bola para evitar problemas maiores.
Em outras palavras: “Você já ganhou, não humilha mais, não”
E Denílson, que ainda é menino, tinha razão. Alguém mais esquentado poderia se revoltar e partir para violência.
O freguês
Neymar transformou o São Paulo em freguês vip. Em 10 jogos contra o time tricolor fez 8 gols e hoje aproveitou e homenageou o atacante Juari dando voltinhas na bandeira de escanteio em um de seus gols.
Juari fazia a mesma coisa na década de 70 quando não se cansava de marcar em Waldir Peres. Era o algoz sãopaulino, hoje é Neymar.
Foi o que viram os quase 50 mil torcedores que lotaram hoje o Morumbi. Na sua grande maioria sãopaulinos que foram embora resignados na derrota por 3 x 1.
O São Paulo não jogou mal, mas o Santos é muito melhor e tem tudo para ser tricampeão paulista repetindo a década de 60 quando ganhou em 67-68-69, feito jamais repetido por qualquer equipe e nem por ele mesmo em toda a história.
Nem dá para crucificar Pires por não conseguir marcar Neymar. Hoje poucos conseguem e para isso tem que contar com uma má jornada do santista.
Caso contrário é um Deus nos acuda e Ele que parece gostar também de futebol, deixa a decisão na mão do árbitro.
Final com o bugre
A final do Paulista será entre Santos e Guarani e o primeiro jogo no próximo domingo no estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas.
O segundo deve ser no Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.
Outra opção seria a Vila Belmiro. Eu jogaria no Morumbi. Ficaria lotado, daria dinheiro e como seria jogo de uma torcida só acho que seria fácil também para o policiamento trabalhar.
O Guarani acaba de bater a Ponte Preta, 3 x 1, em seu estádio e virou finalista do Paulista.
No começo do Campeonato o Guarani era um time fadado a brigar por posições intermediárias ou até fugir do rebaixamento.
Oswaldo Alvarez deu um jeito na equipe e do meio do Campeonato em diante começou a mostrar uma boa cara.
São coisas do futebol brasileiro. As surpresas acontecem. O Guarani, assim como a Ponte Preta, são times com muitos problemas financeiros e mesmo assim continuam tentando encontrar um caminho.
Ambos conseguiram chegar mais longe do que muita gente imaginava. O Guarani disputa um título depois de muito tempo e merece respeito, mas o favorito é o Santos que chega a sua quarta final consecutiva.
Perdeu em 2009 para o Corinthians de Ronaldo e companhia e venceu as duas últimas edições contra Santo André e o mesmo Corinthians. Agora o adversário é o bravo Bugre de Campinas.


Luís Carlos Quartarollo está na Jovem Pan desde o dia 3 de Novembro de 1989. Natural de Piracicaba, onde começou carreira em fevereiro de 1972, sempre trabalhou no esporte, principalmente futebol. Gosta mesmo é de futebol. Mas não dispensa um bom livro e bons filmes. Acha a política a coisa mais falsa que existe.
