Vai ser frio assim lá no Parque São Jorge. De onde vem tanta calma?
Danilo é assim desde que apareceu no Goiás e depois ganhando Libertadores e Mundial no São Paulo.
Para ele o jogo parece passar devagar Chegou ao Corinthians já na curva dos trinta anos depois de uma passagem pelo futebol japonês que o deixou mais zen ainda.
Amargou reserva, desconfiança, ficou até fora do banco de reservas e nunca, nunca veio a público reclamar uma vez sequer.
Pelo alto salário que tem foi questionado muitas vezes. Mas Danilo é isso aí, um predestinado, um iluminado, faz gols decisivos da maneira mais simples de se fazer e por isso que é bonito de ver.
Faça um retrospecto de sua carreira e você vai descobrir que sempre foi assim.
Quem primeiro o definiu bem foi o técnico Cuca que tentava explicar o óbvio para a incompreensível torcida do São Paulo na época.
“Danilo é assim mesmo, parece não se importar, é frio, às vezes distante, mas sempre presente”, dizia Cuca.
Ele é um cuca fresca que joga para o time. Se pedirem para ser lateral-esquerda assim o será. Se quiserem um meia assim o será e se for preciso jogar nas pontas também não tem problema.
Se precisarem de alguém que ocupe a posição de centro-avante como ontem quando fez o gol da vitória sobre o Santos, também o fará.
Assim é Danilo. Pau para toda obra e para qualquer esquema e homem de confiança dos companheiros e do técnico.
Quando a bola batida por Alex atravessou para o outro lado e encontrou o seu pé esquerdo poucos corintianos tiveram dúvida de que o gol não aconteceria.
Com enorme categoria tocou no canto direito de Rafael e consolidou a classificação corintiana para às finais da Libertadores ali.
É algo inédito para o Corinthians, mas não para Danilo. Ele já esteve lá, já ganhou, já foi, viu e venceu e parece não se importar, mas talvez se importe mais que os outros.
Ele sabe como ganhar uma Libertadores e sabe que o time olha muito para ele neste momento.
Ah, antes que venham me corrigir, eu sei que o jogo do Pacaembu terminou 1 x 1 e por isso o Corinthians se classificou.
Eu estava lá, mas o Corinthians venceu por 2 x 1 no placar agregado dos dois jogos que é o que vale e Danilo fez o gol da vitória corintiana mais uma vez e um um dos mais importantes da sua carreira.
O gelado, o frio Danilo esquentou o Pacaembu numa noite chuvosa que entrou para a história do Corinthians.
O quê mais a dizer?
Bom, sobre o jogo acho que vou escrever muito pouco. Primeiro porque cheguei em casa quase às três da manhã como muitos dos torcedores que estiveram no estádio e muitos outros e melhor do que eu já fizeram suas crônicas dessa partida.
Era melhor dormir do que escrever com a cabeça cansada e com a jornada esportiva ainda fazendo barulho no meu cérebro.
Vi um Santos no primeiro tempo melhor que o da Vila na semana passada, mas totalmente dominado pela excelente marcação do Corinthians.
O Santos ficou com a bola e o Corinthians com a classificação. Esse negócio de posse de bola não vale nada se você não transformar em gols.
Neymar só fez uma jogada no primeiro tempo e acabou em gol depois de cruzamento de Alan Kardec que Borges colocou na trave. No rebote gol de Neymar e só.
Cássio não teve nenhum trabalho no jogo e os principais jogadores do Santos foram totalmente anulados por Tite e companhia.
O Corinthians soube administrar o resultado. Teve a competência ou a sorte que só acompanha na verdade os competentes para fazer o seu gol logo aos dois minutos do segundo tempo e depois foi esperar o tempo passar.
Jorge Henrique ainda deu uma cabeçada perigosa no primeiro tempo e Rafael fez boa defesa.
Flávio Prado, na Jovem Pan, rotulou como jogo chato, eu rotularia como um jogo de um Corinthians muito bem esquematizado novamente e sabendo o que fazer em campo contra um time que chegou a demonstrar desorganização do outro lado.
Os jogos decisivos são assim mesmo. Mas chatos não são, não. Pergunte ao torcedor o que ele achou do jogo e como contou os minutos finais da sua epopéia corintiana no Pacaembu. Foi de arrepiar.
Parabéns, Corinthians, um lídimo finalista da Libertadores e favorito a ganhar um título tão esperado contra Boca ou Universidad, de Chile.
O Corinthians pode muito bem com os dois. Tem time e um grande técnico para isso.
Ao Santos resta lamber as feridas, se reorganizar e disputar com força o Campeonato Brasileiro.
E resta também mais uma lição. Não basta parecer ser o melhor do Brasil, é preciso ser o melhor e ainda se lembrar que ter um bom esquema tático de vez em quando ajuda mais do que alguns talentos juntos.


Luís Carlos Quartarollo está na Jovem Pan desde o dia 3 de Novembro de 1989. Natural de Piracicaba, onde começou carreira em fevereiro de 1972, sempre trabalhou no esporte, principalmente futebol. Gosta mesmo é de futebol. Mas não dispensa um bom livro e bons filmes. Acha a política a coisa mais falsa que existe.
