O caso Cesare Battisti, o terrorista considerado honesto em território brasileiro, continua repercutindo na Itália.
Ontem o STF seguiu a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomada no seu último dia de governo que era a de não extraditar Battisti para a Itália, o que valeu a liberdade para aquele que um dia foi chamado pelo ministro da justiça como preso político.
Na foto, Battisti ainda está nas mãos da polícia brasileira.
Não está mais, está livre, leve e solto.
A Itália se revoltou e alguns políticos chegaram a propor o boicote à Copa do Mundo-2014 que será realizada no Brasil como retaliação a decisão do STF.
A Fifa já avisou que isso provocaria sanções contra a Itália.
A verdade é que os italianos, assim como alguns brasileiros, não entendem bem o Brasil.
Não sabem que aqui gostamos de deixar bandidos soltos.
Não entendem porque não devolvemos um sujeito com prisão perpétua a cumprir em seu país e queremos ficar com ele por aqui.
Não entendem porque o mesmo governo que impediu a sua extradição e o colocou em liberdade, em 2007 devolveu para a Cuba do amigo Fidel Castro os boxeadores cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, que não eram bandidos, eram apenas esportistas cansados de um regime autoritário e sem perspectiva de futuro para eles.
Na foto os boxeadores ainda estão nas mãos da polícia brasileira que em seguida vai devolve-los a Cuba.
Lara e Rigondeaux desertaram da delegação cubana no Pan-Americano do Rio de Janeiro.
Lula e seus pares não permitiram. Não deram asilo político aos dois.
Fidel Castro reclamou da deserção e o governo brasileiro se compadeceu.
Os boxeadores foram obrigados a dar entrevista dizendo que gostariam de voltar para Cuba.
Receberam a promessa de que nada aconteceria na volta à Ilha de Castro, mas Lara nunca mais voltou a lutar e Rigondeaux embora bicampeão mundial e olímpico na sua categoria, nunca mais representou Cuba em competições fora do país.
Passaram por necessidades e foram preteridos pelos orgãos esportivos de Cuba.
Hoje Lara e Rigondeaux não estão mais em Cuba.
Conseguiram fugir via-México para Miami e voltaram à luta.
É uma prova inequívoca da entrevista forjada no Brasil em 2007.
Pois só dois anos mais tarde, em 2009, assim que teve uma chance, Lara fugiu numa lancha no meio da noite direto para Miami.
Se queriam tanto voltar para Cuba porque fugiram de lá assim que puderam?
É, os italianos realmente não entendem o nosso país.
E nós? Entendemos?


Luís Carlos Quartarollo está na Jovem Pan desde o dia 3 de Novembro de 1989. Natural de Piracicaba, onde começou carreira em fevereiro de 1972, sempre trabalhou no esporte, principalmente futebol. Gosta mesmo é de futebol. Mas não dispensa um bom livro e bons filmes. Acha a política a coisa mais falsa que existe.
