Badalada, Premier League volta com favoritos claros e “medianos ousados”; veja guia

Na próxima sexta-feira, começa a Premier League. E essa temporada promete. A começar pelos treinadores. Os já consagrados Guardiola (Manchester City), Klopp (Liverpool), Mourinho (Manchester United), Benítez (Newcastle) e Pochettino (Tottenham) ganharam a companhia de Sarri (Chelsea), Emery (Arsenal) e Pellegrini (West Ham).

Os clubes, é claro, como acontece em todos os anos, também se reforçaram bastante. Destaque para o Liverpool, que segue bem nesta temporada. Aproveitou muito bem a janela de verão e reforçou ainda mais o elenco com o goleiro Alisson, os meias Fabinho e Keita e o atacante Shaqiri.

O atual campeão City fez apenas uma contratação, o ponta argelino Mahrez, desejo antigo de Pep Guardiola. O clube tentou regularizar o meia brasileiro Douglas, que na última temporada foi emprestado ao Girona da Espanha, mas não conseguiu a liberação de trabalho. De resto, a base foi mantida.

O Chelsea, agora sob o comando de Sarri, repôs a saída de Courtois com a chegada de Kepa. Além dele, contratou os meias Jorginho e Kovacic. Vai ser interessante ver a mudança de mentalidade após a saída do Conte.

Além do técnico Emery, o Arsenal se reforçou principalmente no sistema defensivo. Contratou o goleiro Leno, o lateral Lichtsteiner, o zagueiro Sokratis e o volante Torreira. É o início de uma nova era após a saída de Wenger.

Uma equipe interessante de acompanhar nessa temporada será o Everton. O time contará conta com alguns personagens conhecidos do público brasileiro, como Richarlison, Bernard e Mina.

Mais um clube que se reforçou com jogadores conhecidos por aqui foi o West Ham. A equipe treinada pelo chileno Pellegrini contratou o zagueiro Balbuena e o meia Felipe Anderson. Destaque também para as chegadas de Wilshere, Carlos Sanchez e Yarmolenko.

Há também equipes que preferiram manter a base do ano passado, como o Tottenham, que não fez nenhuma grande contratação, mas também não perdeu nenhum jogador importante.

No United, do reclamão Mourinho, a principal contratação foi o volante brasileiro Fred. Apesar dos ótimos jogadores, segundo o técnico português, o elenco ainda não está forte o suficiente.

O Fulham, recém-promovido à primeira divisão, superou a incrível marca de 100 milhões de euros em contratações. Destaques para as chegadas dos atacantes Schürrle e Mitrovic.

Dos menos badalados, destaque para os times que subiram de divisão há duas temporadas. Desde 2011/12, das três equipes que conquistavam o acesso, ao menos uma era rebaixada na temporada seguinte. Em 2017/18, Newcastle, Brighton e Huddersfield conseguiram se manter na elite.

Comandado pelo espanhol Rafa Benítez, o Newcastle manteve a base e se reforçou com alguns nomes modestos que estiveram na Copa, como o meia suíço Schär, autor do gol de empate no jogo contra o Brasil.

O Brighton investiu no jovem iraniano Alireza Jahanbakhsh. Destaque no AZ Alkmaar da Holanda, o ponta deve ser mais uma opção de ataque ao lado do principal nome do time, Anthony Knockaert.

Já o Huddersfield conseguiu se manter na primeira divisão graças ao bom desempenho do australiano Aaron Mooy, também presente no Mundial de 2018.

Além do Fulham, também vale ficar de olho no desempenho dos recém-promovidos Cardiff City e Wolverhampton, pois a história recente mostra que os times que sobem não flertam com um retorno imediato à “Segundona”.


O QUE ESPERAR DESSA TEMPORADA DA PREMIER LEAGUE

– Vejo duas equipes como as favoritas nessa temporada: Liverpool e Manchester City. Coincidentemente, duas equipes que mantiveram a base e se reforçaram pontualmente. Curioso também para ver a completa mudança de mentalidade do Chelsea de Sarri. Serão três times muito interessantes de assistir, tanto do ponto de vista tático, como técnico. Outra equipe que provavelmente mudará muito a forma de jogo é o Arsenal, que deve passar por um ano de reestruturação e, por isso, acho que dificilmente brigará por grandes conquistas. Tottenham e United chegam fortes também, mas não sei se será suficiente para a conquista do título. West Ham e Everton formaram elencos interessantes e acredito que podem surpreender.

Bruno Prado | Comentarista da Jovem Pan

– O crescimento do número de brasileiros na Premier League é bastante significativo. Eram 12 na temporada passada e agora serão 20. Destaque para Bernard, que chega ao Everton, e que ficou queimado após 2014 e mesmo na Ucrânia não foi tão bem; e Felipe Anderson, que há um bom tempo se destaca na Lazio e agora terá oportunidade no West Ham. Outro que merece menção é Richarlison, atacante que já havia jogado bem no Watford e agora está no Everton. Isso mostra um distanciamento do futebol de seleções para o futebol de clubes, que cabe até para a Inglaterra. O país fez uma ótima Copa, tem ido muito bem nas competições de base, mas vê a Premier League recheada com jogadores estrangeiros. Acho que os brasileiros também entram nessa análise. O goleiro Alisson, por exemplo, é muito valorizado lá fora, mesmo com as criticas sofridas aqui no Brasil. O próprio Gabriel Jesus renovou com o City, apesar da Copa regular, pelo trabalho que faz no clube. E isso também se aplica aos técnicos. Vemos na Premier League os melhores treinadores, enquanto, na Copa, não havia nenhum dos que eu colocaria entre os dez melhores do mundo na atualidade.

Bruno Landi | jornalista do Portal Jovem Pan

– A simples manutenção da base campeã com a melhor campanha da história da Premier League já seria suficiente para colocar o Manchester City como o principal favorito ao bi – algo que não acontece na Inglaterra há dez anos. Mas os Citizens foram além. Não só seguraram os seus principais jogadores, como se reforçaram com o ótimo Riyad Mahrez, eleito o melhor da competição em 2015/16 e considerado a peça que faltava em um ataque que já assombrou o mundo na temporada passada.

A grande questão é saber quem poderá rivalizar com os comandados por Pep Guardiola

Com o Chelsea sob nova filosofia e o Arsenal sem Wenger pela primeira vez desde 1996, Manchester United e Tottenham, principais perseguidores em 2017/18, são as apostas mais óbvias. Mas é impossível descartar o Liverpool. Os atuais vice-campeões europeus têm um técnico inventivo, mantiveram o trio Salah-Firmino-Mané e mostraram apetite na janela de transferências. Reforços como Alisson, Naby Keita, Fabinho e Xherdan Shaqiri prometem não só mudar o patamar de um time que já era excelente, como também dar o que faltava aos Reds para ter força para brigar por um título de pontos corridos: elenco. Como surpresa, é bom ficar de olho no Everton, time que não economizou nas férias e se reforçou com nomes importantes, como Yerry Mina, Lucas Digne, André Gomes, Bernard e Richarlison. 

Giovanni Chacon | Repórter da Jovem Pan

– A ideia é que essa seja a edição mais competitiva dos últimos tempos. O meio-campo das 6 principais equipes evoluiu, com exceção do Tottenham, que não fez mudanças no elenco. A consistência de grandes craques no ataque, como Kane, Lukaku, Salah e Agüero, fazem da Premier League a melhor liga no quesito ofensivo atualmente. Vejo esse ano de destaque também para os goleiros. Ataques bons exigem goleiros bons. De Gea, Cech, Lloris, Kepa, Ederson e Alisson, fora os craques de equipes menores como Schmeichel e Rui Patrício, fazem com que os arqueiros ganhem destaque na temporada 2018/19. Para mim, o campeão será o Manchester United. A grande surpresa será o West Ham, e a decepção, o Southampton.