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A popularidade de Andres Sanchez

A popularidade de Andres Sanchez

Como jornalista, sempre tive um interesse muito grande pela opinião pública: o poder dela, como ela pode ser estimulada, se de fato pode ser controlada ou mesmo direcionada. E, ontem, um post chamou minha atenção:

O jornalista Diego Luz atentou-se ao teor dos comentários do tweet em que o presidente do Corinthians, Andres Sanchez, explicava a questão da penhora da taça do Mundial de Clubes de 2012. Quase que integralmente os comentários eram negativos e o foco, claro, era em cima do mandatário.

Isso fez com que eu lembrasse do período eleitoral recente do Corinthians. No início do ano, Sanchez competia com outros quatro candidatos: Paulo Garcia, Antônio Roque Citadini, Felipe Ezabella e Romeu Tuma Júnior. Como é comum nessa época, algumas notícias começaram e pipocar, principalmente ligadas a Sanchez, que era o grande favorito à vitória.

Na ocasião, apesar de um certo desgaste, a popularidade dele era grande. Quando nós jornalistas noticiávamos algo sobre o agora presidente, os torcedores de um modo geral criticavam as informações e diziam que a imprensa estava tentando tumultuar.

Poucos meses depois, o cenário é bastante diferente. Os resultados não vieram, o Corinthians sofreu um desmanche, a perspectiva não é grande, as promessas não se concretizaram.

Me arrisco a dizer que hoje a popularidade de Andres Sanchez é de longe a mais baixa desde que ele se envolveu na política do clube. Mas, claro, nada que não possa ser revertido com bons resultados dentro de campo.

E por que será que isso acontece? Acredito que nesse momento o corintiano parece não só estar insatisfeito com a gestão do mandatário, como também com a postura dele frente aos principais problemas que o clube vem enfrentando. Aliás, o ótimo – e sempre calmo – jornalista Vitor Guedes, no programa Podcastimão, exemplificou um pouco esse cenário:

“Foi ridícula a coletiva do Andrés Sanchez. Piada faço eu. Existe uma coisa chamada liturgia do cargo. Ele é presidente do Corinthians. Eu posso falar que tem Mundial, que o Palmeiras não tem… Ele, não. Não pode fazer gracinha.”

A questão é, independentemente de erros e acertos, o torcedor do Corinthians nesse momento pede uma gestão mais profissional. Com menos ironias e brincadeiras e com mais resultados práticos.

Achar que o discurso utilizado dez anos atrás vá funcionar da mesma forma agora, é subestimar demais a capacidade das pessoas e a complexidade da opinião pública.


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