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‘Tá no Ar’ chega ao fim após quebrar paradigmas e deixar legado na programação da Globo

Reprodução
‘Tá no Ar’ chega ao fim após quebrar paradigmas e deixar legado na programação da Globo
Marcelo Adnet, no quadro do militante, que criticava a própria Globo

Após seis bem sucedidas temporadas, o “Tá No Ar: A TV na TV” chega ao fim nesta terça-feira (9) na Globo provando que deixou sua marca na programação. Despretensioso, o programa conseguiu quebrar um paradigma já em seus primeiros episódios, quando fez com que a emissora passasse a falar de programas de outros canais. Atrações do SBT, da Record, da Band, da RedeTV! e da TV paga viraram referências para esquetes de humor. Além disso, a publicidade, antes confinada aos intervalos comerciais, também passou a ser ironizada. O projeto de Marcius Mehlem e Marcelo Adnet conseguiu derrubar um muro que estava erguido há décadas: a Globo fingia não enxergar a concorrência.

Ao contrário da maior parte dos programas humorísticos do país, que se apoia em bordões, o “Tá No Ar” trouxe para a tela uma reflexão sobre o que se assiste atualmente e também sobre assuntos polêmicos, como o dízimo ou o reacionarismo. A graça mordaz acabou por criar um legado que seguirá visto na programação da emissora. Primeiro, plantou uma reformulação no “Zorra Total”, que passou a se chamar “Zorra” e se apoiar em esquetes rápidos e com ritmo muito parecido com o da atração de Adnet. Não à toa nomes como Weder Silvério foram aproveitados também nas noites de sábado.

Outra de suas crias virou uma dos destaques do “Fantástico”. O quadro “Isso a Globo Não Mostra” é claramente um desdobramento do militante interpretado por Marcelo Adnet, que criticava a programação da Globo na própria Globo. A autoreferência, aliás, seguirá firme no último episódio, quando os humoristas farão o funeral do próprio programa. Graças ao “Tá No Ar”, a emissora aprendeu a rir de si mesma, reconheceu a existência dos concorrentes e deu nova cara ao seu humor. O programa fará falta.