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Final de ‘Game of Thrones’ cede ao clichê e faz canto para democracia e liberdade

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Final de ‘Game of Thrones’ cede ao clichê e faz canto para democracia e liberdade
Daenyerys Targaryen fala a seu povo após ganhar a guerra pelo trono

É difícil uma série com grande número de fãs chegar ao fim agradando boa parte do público. Foi assim com “Lost” e “Os Sopranos”. E, a exemplo do que acaba de ocorrer com “Game of Thrones”, seguirá acontecendo por muito tempo. Após oito temporadas luxuosas, a epopéia da HBO deixou muito gente desapontada ao tentar amarrar muitas das pontas construídas ao longo de anos com uma leva de episódios pequena. Houve quem tenha achado que Daenerys não deveria ter cometido o genocídio em Kings Landing. Houve quem tenha dito que Cersei merecia uma morte mais lenta e dolorosa. Houve quem tenha feito abaixo-assinado para que os últimos capítulos da série fossem refeitos.

O último episódio da produção pode ter deixado a desejar para muitos, mas encerrou a história com roteiro redondo. Boa parte das tramas acabou por se resolver. Como era de se esperar, Jon Snow tirou a vida de Daenerys ao ver que ela era um risco com tanto poder na mão. Sansa assumiu o comando do Norte. Tyrion seguiu escapando das muitas condenações. Por mais previsíveis que fossem tais desfechos, ainda causou surpresa que o trono tenha ficado com Bran, numa decisão que em muito lembra cenas de novelas clássicas. A própria escolha de seu nome foi justificada: paraplégico, sobrevivente, sabedor de toda a história graças a seus poderes adquiridos, ele tem um passado que fala ao coração de um povo. O curioso é que a série chegou ao fim mostrando que o totalitarismo está longe de ser uma solução razoável. Ao sugerir uma votação popular e democrática para o novo rei, Samwell Tarly virou piada para a elite de nobres. Algo bem antenado com os tempos atuais em todo o mundo.

Condenado à Patrulha da Noite e a uma vida sem direito a casamento ou filhos, Jon Snow se rebelou. Atravessou a muralha e foi viver com os selvagens. O herói preferiu uma vida de liberdade a dobrar os joelhos para qualquer novo monarca. “Game of Thrones” vai acabar lembrada como a série que parou o mundo – um dos últimos fenômenos acompanhados globalmente e ao vivo na TV -, mas desagradou no final. Apesar disso, será sempre uma referência. Uma produção, que, aliás, vai render frutos. Um deles não foi anunciado, mas todos certamente assistiriam caso concretizado: quem não acompanharia as aventuras de Arya Stark a oeste de Westeros? A HBO tem nas mãos mais uma possibilidade de sucesso.

Brincadeiras à parte, não dá para negar o quanto “GOT” emplacou personagens femininas poderosas e as tirou do lugar comum ou envolvimentos românticos. Os clichês só apareceram na reta final, com vilões devidamente punidos e mocinhos enaltecidos. O seriado pode ter inovado bastante, mas se rendeu à tentação de agradar a fãs de melodrama clássico.