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São Paulo e Diego Aguirre, do amor ao desamor num estalar de dedos

São Paulo e Diego Aguirre, do amor ao desamor num estalar de dedos

 

A saída de Diego Aguirre do São Paulo era algo esperado. Não para agora, mas sim para o final do ano. Há alguns meses as partes conversavam para a renovação do vínculo, mas a queda de rendimento do time mudou os planos da diretoria. Faltando poucos jogos e com a ameaça real de perder a vaga direta pra Libertadores uma sacudida desesperada foi feita. Com o uruguaio a perspectiva era só de piorar mais. Com a mudança um novo fôlego pode surgir, essa é a idéia dos dirigentes.

As coisas mudam rapidamente no futebol. Me lembro que a torcida estava desesperada no meio do ano sabendo que podia perder o treinador para a seleção uruguaio. Passou um tempo e Aguirre era chamado de burro pela arquibancada. Nada me surpreende. Nos meus recentes post escreví sobre os técnicos que não param no clube. Nada serve. Pós Muricy, nos últimos 9 anos, foram 13 técnicos. Nesse monte de profissionais, alguns competentes, outros nem tanto, o problema era só o técnico? O time era esse esquadrão pra disputar títulos? Muitos imaginavam que sim, por isso as constantes mudanças. Parece que o profissional tinha a obrigação de tirar leite de pedra e levar o clube rumo à volta olímpica.

Melhorou muito em 2018 a ponto de iludir o torcedor. A virada em primeiro no turno fez com que a torcida acreditasse que seria possível ser campeão brasileiro. Cá entre nós, nunca foi. O elenco é pobre perto dos outros. Na primeira dificuldade não aguentou a pressão. Aí que entro no erro de todos. Na teimosia de Aguirre em improvisar jogadores que mostraram que não dariam certo. Por qual motivo não recorreu aos garotos antes? Helinho e Toró não podiam ter sido testados pelos lados antes? Arboleda não é o melhor zagueiro do elenco, então por que sempre foi a última opção? Abraçou Sidão de um jeito que quando resolveu mudar já era tarde. E Nenê, escanteado por Dorival Jr, foi abraçado por Aguirre. Na liderança do campeonato os dois eram inseparáveis. Quando houver a queda de rendimento e o meia foi para o banco, o uruguaio parece ter perdido o comando do vestiário. Nessa queda de braço o camisa 10 ganhou mais uma. A diretoria foi vendo tudo isso e nada fez. Poderia ter interferido antes, cobrado antes do treinador e ter colocado ordem na casa. Não fez e agora pode ser tarde demais.

Nos bastidores, a mudança foi justificada pela atitude do elenco. Raí tinha dito que o trabalho não seria avaliado por um jogo ou alguns jogos apenas. Valeria toda a temporada, desde a chegada até o final e com muita calma. Aguirre foi contratado em março para substituir Dorival Júnior e sai do São Paulo na quinta posição com 58 pontos. No total, ele comandou o time em 43 jogos, com 19 vitórias, 15 empates e nove derrotas, 55,8% de aproveitamento.

A atitude de Nenê é só mais uma prova. Jogador sente quando o técnico está fragilizado. Se estiver “fechado com o técnico” pode tentar ajudar. Se não estiver, escancara ainda mais essa fragilidade e o empurra para o abismo de vez. ( abaixo a observação que fiz antes da queda de Aguirre )

O próximo adversário é o Grêmio, no Morumbi, confronto direto na briga pela vaga no G4. André Jardine comanda a equipe nas cinco rodadas finais e nunca escondeu o sonho de um dia treinar em definitivo a equipe profissional. A torcida sonha com Rogério Ceni. Leco é o presidente, mesmo que demitiu Ceni ano passado. Abel Braga agrada, Renato Gaúcho, Mano Meneses também, mas são caros demais. Cuca não fala a mesma língua do presidente Peres do Santos. De repente pode pintar como nome forte. Qual time será montado? Isso é o mais importante. Caso contrário, independentemente de quem vier, chegará forte, mas na primeira curva que o pneu beliscar a zebra será colocado pra fora como os tantos que não serviram nesses últimos nove anos comandando o São Paulo, pois na cabeça dos dirigentes os times eram fortes o suficiente pra brigar pelo título. Uma grande ilusão.

A gente continua por aqui pessoal. Opinem sempre, por favor. Meu twitter é @spimpolo e Instagram @marcio.spimpolo