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Dois anos se passaram e familiares das vítimas do voo da Chapecoense ainda esperam por justiça e lutam por indenização

Dois anos se passaram e familiares das vítimas do voo da Chapecoense ainda esperam por justiça e lutam por indenização

Há dois anos, éramos pegos de surpresa com uma notícia na madrugada envolvendo a delegação da Chapecoense e de consequências devastadoras. O time foi vítima de um trágico acidente aéreo que vitimou 71 pessoas entre jogadores, dirigentes, membros da comissão técnica, jornalistas e tripulação. Seis pessoas sobreviveram ao acidente: o goleiro Follmann, o zagueiro Neto, o lateral Alan Ruschel, o jornalista Rafael Henzel e dois comissários de bordo. O povo colombiano deu uma lição de solidariedade jamais vista.

Com muito esforço e ajuda, a Chape foi se reerguendo em 2017 e viveu bons momentos. Esse ano as coisas não aconteceram como o esperado e o time vive o seu pior momento desde a tragédia, precisando de pontos na última rodada do Campeonato Brasileiro com o risco de ser rebaixado. Fechando o campeonato, recebe o São Paulo precisando vencer para permanecer na Série A sem depender de ninguém. Se empatar ou perder, depende de tropeços de América-MG e Sport, que estão hoje na zona de rebaixamento.

As famílias das vítimas do acidente aéreo da Chapecoense ainda tentam na justiça a indenização do seguro da aeronave que fazia o transporte para a Colômbia. A busca por respostas é dolorosa. A seguradora se recusa a fazer o pagamento da apólice aos familiares por considerar que havia irregularidades no voo (todos sabem que faltou combustível por irresponsabilidade na decisão tomada pelo piloto / proprietário) .  As famílias ainda buscam informações para ingressar com ações na justiça e receber o pagamento.

Nessas últimoa meses, alguns passos foram dados. O Grupo Chapecó a Fundação Vidas foi criado com objetivo de garantir o acesso à moradia, saúde, educação e alimentação aos familiares das vítimas. O prazo de existência de quatro anos, mas prorrogável até o pagamento das indenizações às famílias. Completando 2 anos do acidente agora e para não perder esse prazo, Chapecoense e algumas famílias abrem um processo conjunto contra a aerocivil colombiana, órgão responsável pelo controle aéreo no país vizinho, equivalente à Anac no Brasil. O processo se baseia no próprio regulamento do órgão, que prevê indenização em caso de falha comprovada na gestão dos voos.

Em “espécie” quase nada chegou às mãos das famílias. Os únicos valores recebidos foram o dinheiro arrecadado com doações e os seguros da CBF, destinados apenas às famílias de jogadores, e do clube, encaminhado aos parentes de funcionários. Além das ações civis e trabalhistas (os empregadores das vítimas foram processados pelos familiares) há ainda uma ação criminal que não envolve dinheiro, mas é fundamental para que os responsáveis pelo acidente sejam punidos.

Nada disso trará as pessoas que se foram de volta. O vazio é muito grande. Os primeiros meses da Chape foram heróicos e ela conseguiu no campo se superar. Mas agora o nó apertou, financeiramente e na disputa no campeonato. Depender de resultado na última rodada não será fácil. E se cair, sempre é muito difícil voltar, ainda mais com esses sérios problemas financeiros e ações trabalhistas e judiciais.