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O 2019 da seleção brasileira

A sequência de Tite na seleção após uma derrota em Copa do Mundo mostra que não é uma coisa fácil permanecer no comando da seleção nestas circunstâncias.

A análise sobre seleção é sempre muito exagerada, para o bem ou para o mal. Tite não é o gênio que muitos consideravam durante as eliminatórias e também não é um treinador que mereça tantas críticas como tem recebido após o Mundial.

Antes da Copa, escrevi em minhas redes sociais que se ganhasse a Copa, Tite seria elogiado até pelos erros e se perdesse seria criticado até pelos acertos e é isso que tem acontecido neste momento.

Todos têm uma opinião sobre o que Tite poderia ter feito de diferente na Copa do Mundo, eu por exemplo acho que ele poderia ter voltado com Renato Augusto no meio, penso que o time perdeu poder de articulação sem Renato e Daniel Alves que estava machucado e isso prejudicou o rendimento de alguns jogadores como Paulinho. Essa é apenas minha opinião, não existe nenhuma garantia de que o resultado ou desempenho seria diferente se essa mudança tivesse acontecido. O desempenho do Brasil na Copa não foi abaixo do normal, criou chances inclusive para eliminar a Bélgica. O Brasil não teve um desempenho muito abaixo dos belgas e nem da campeã França.

Nos seis amistosos após o Mundial não aconteceu nada de anormal, o Brasil está em um momento de acerto de time e isso é completamente natural. Duas trocas no time titular são significativas e mudam completamente as características da equipe, saíram dois jogadores verticais e agudos, Paulinho e Gabriel Jesus e entraram dois articuladores, Arthur e Firmino, muitos não percebem, mas são mudanças bruscas e leva tempo para acertar.

O grande desafio é ter agressividade e infiltração. Firmino sai da área para articular e quem entra? Arthur não avança como Paulinho, Coutinho e Neymar podem fazer eventualmente, mas também procuram o meio pra articular, Douglas Costa ou William são agudos, mas procuram o fundo e não a área. Uma alternativa que surgiu foi Richarlison, o atacante do Everton entrou bem pelo lado contra Argentina, Uruguai e Camarões, dando inclusive essa opção de infiltração. Outra possibilidade é voltar a escalar um centroavante mais agudo como o próprio Richarlison ou Gabriel Jesus.

São desafios normais de acerto de time, mas que acabam sendo pouco discutidos pela relevância dada a questões de pouca importância como a escolha do capitão, a maneira de falar de Tite nas entrevistas e um problema sério de calendário que caiu no colo de Tite, quando tentou convocar jogadores que atuam no futebol brasileiro.

A Copa América é tratada como obrigação e pode custar inclusive a continuidade do trabalho do técnico que sabe disso, até por esse motivo, Tite não muda tanto sua base, vai disputar a competição com um time mais pronto, experiente e confiável. Os mesmos que pedem renovação, cobram resultados imediatos e não entendem que são processos distintos, se você quer renovação, não deve cobrar resultado imediato, mas aqui as coisas não funcionam assim.

Importante lembrar que nas últimas três edições da Copa América(2011, 2015 e 2016), o Brasil não chegou na semifinal, no retrospecto geral dessas edições foram 11 jogos com 4 vitórias, 5 empates e 2 derrotas. Não é um retrospecto de alguém que tenha obrigação de vencer uma competição, mas aqui essa obrigação existe.