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São Paulo começa do zero mais uma vez

O maior problema do São Paulo nos últimos anos é a falta de sequência de trabalho. O São Paulo rapidamente desiste de qualquer ideia ou projeto quando não chegam os resultados. Os anos sem título acumulam, a paciência diminui e a pressão aumenta. Fica cada vez mais difícil dar sustentação para alguma coisa.

O ano de 2018 do São Paulo foi muito melhor do que os anteriores. Em 2016 e 2017, o time lutou contra o rebaixamento, no ano passado liderou e sonhou com o título.

O São Paulo nos seus melhores momentos com Diego Aguirre era um time forte defensivamente e rápido nos contra-ataques, o time não trocava muitos passes e tinha excelente aproveitamento nas finalizações. Aguirre perdeu jogadores e não conseguiu repor. A consistência defensiva foi prejudicada com a venda de Militão, o time perdeu saída para o contra-ataque com as lesões de Éverton e Rojas. A falta de elenco foi um fator decisivo na queda de desempenho no campeonato, mas as rodadas na liderança mostraram que nem tudo era ruim. O ideal e lógico para 2019 seria manter as coisas boas e tentar melhorar o que não funcionou.

O que aconteceu neste ano foi o oposto, o São Paulo começa tudo do zero. Quando aconteceu a troca de Aguirre por André Jardine, era clara a ideia de mudar o estilo de jogo, Jardine é um técnico que gosta que o time tenha a bola e troque passes, Aguirre tem um jogo mais direto. A troca de técnico já seria uma mudança radical e poderia levar tempo para ser implantada, mas veio a eliminação na Libertadores e Jardine saiu.

No momento, o São Paulo é dirigido interinamente por Vágner Mancini e depois terá Cuca, mais uma mudança radical. O time agora busca um jogo direto, de velocidade e imposição física. Diego Souza e Nenê, autores da grande maioria dos gols do time no Brasileiro de 2018 foram descartados, garotos como Anthony e Helinho ganharam espaço, o sistema de três zagueiros foi utilizado nos últimos jogos.

Nem vou discutir o que é melhor, mas o fato é que o São Paulo não tem um rumo e nada impede que mude de novo ao longo do ano. Individualmente nas últimas temporadas, o time não é muito inferior aos outros, mas não sabe o que quer, troca tudo o tempo inteiro, está sempre recomeçando. O jogo é coletivo e se as mudanças são constantes, o coletivo não existe e o time não sai do lugar.