Agronegócio é resultado de sucesso da cadeia produtiva

O santista Chorão, da banda Charlie Brown Jr., escreveu em sua canção: “Eles querem que você se sinta mal, pois assim eles se sentem bem“.

Chorão era de Santos. Santos tem o maior Porto do agronegócio da América Latina.

O outro Chorão, Wallace Landim Chorão, uma das lideranças dos caminhoneiros,  telefonou para a Casa Civil do governo para reclamar do aumento do óleo diesel.

O presidente Jair Bolsonaro recuou, e Chorão, dos caminhoneiros, disse: “Isso prova que mais uma vez o presidente está do nosso lado“.

O drama logístico brasileiro que conecta ao nosso Chorão santista, poeta do rock, da minha cidade de Santos, ao Chorão dos caminhoneiros, me fez resgatar o quanto temos de distâncias longínquas para resolver sérios problemas estratégicos nacionais, mas também o quanto a música e a rebeldia poética nos aproximam; “Eles querem que você se sinta mal para que eles se sintam bem“.

Uma possível greve de caminhoneiros assustou o governo. Significaria para o agronegócio um fator interno mais grave do que a nova crise da peste suína dos porcos chineses.

Com impactos no consumo da soja brasileira, uma potencial greve do transporte das safras em abril e maio teria repercussões sobre o movimento dos grãos.

O compromisso com os clientes internacionais, efeitos em todas as cadeias, incluindo a proteína animal, o movimento dos insumos, e ainda mais grave do que a tal guerra comercial de Donald Trump com Xi Jinping, que não sai dos games virtuais.

Mas, pra quem vai sobrar a conclusão do Chorão, do meu roqueiro santista? Quem é que vai se sentir mal para que assim eles, os outros se sintam bem?

A Ministra da Agricultura Tereza Cristina disse que não gosta do tabelamento dos fretes. Os acionistas da Petrobrás não gostaram nada da interferência nos preços; o Chorão dos caminhoneiros também reconhece que a situação não é muito fácil.

E agora lideranças? Nós versus eles. Quem fica mal para alguém ficar bem?

Nesse jogo, onde agronegócio é resultado de sucesso da cadeia produtiva, incluindo logística e transporte ninguém vai sair vencedor disso sem diálogo, bom senso e negociação e lideranças de verdade.

Chorão, saudoso Charlie Brown Jr., nessa disputa ou ganhamos todos, ou perderemos todos. A hora do novo agronegócio.

O pão nosso de cada dia precisa ser mais brasileiro

A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se entusiasmou com a iniciativa da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) …e eu também. Aqui na Jovem Pan sempre ressaltamos que agronegócio exige uma liderança e iniciativas sistêmicas. Um ótimo exemplo o programa Renovabio, do biocombustível. Agora, o embaixador Rubens Barbosa, Presidente da Abitrigo escreveu para o Estadão o seu projeto de caminharmos para uma evolução no trigo nacional.

Para que os leitores saibam, pelo menos metade do nosso pãozinho, massas, pizzas, bolos, biscoitos, tudo que é derivado do trigo, 55% é importado.

Imagem: pngtree.com

Uma cadeia de valor extraordinária, com mais de 25 bilhões de reais… e a mais popular, pois está em 100% das casas dos brasileiros. E por quê somos dependentes do trigo, o único grão o qual não temos autossuficiência?

Por nenhuma razão que não seja a da liderança e de uma proposta de uma política nacional do trigo.

Agora finalmente a proposta foi feita e a Abitrigo a entregou para a ministra Tereza Cristina. Os pontos chaves são:

– Desenvolvimento de novas sementes resistentes a doenças;

– Ênfase no aumento do fluxo do comércio; vamos também exportar trigo e reduzir nossa dependência;

– O Brasil tem sementes e já podemos produzir trigo no cerrado, regiões como Formosa, em Goiás, já são ótimos exemplos disso;

O projeto desenvolvido pelo embaixador Rubens Barbosa, à frente da Abitrigo, objetiva criar um ambiente legal, estimular negócios, rever incentivos fiscais, comércio internacional, logística e infraestrutura ao lado de medidas concretas já discutidas e aprovadas no Congresso Internacional do Trigo, realizado pela Abitrigo.

A hora do novo agronegócio, é hora das cadeias produtivas brasileiras liderarem propostas e projetos à moda liberal, como gosta o Ministro da Economia Paulo Guedes e como espera a ministra Tereza Cristina.

Está na hora do pão ser muito mais brasileiro.

Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica começa hoje

Hoje, no Rio de Janeiro, ocorre a abertura do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica. Este setor, que tem no Brasil mais de 800 mil OSC’s (Organização da Sociedade Civil) significa um espaço gigantesco para o crescimento do agronegócio, tanto em grandes regiões onde a lei não chegou, como áreas amazônicas, quanto em comunidades urbanas.

Cito dois exemplos: a pecuária sustentável da Amazônia, que conta com o suporte de uma organização internacional de desenvolvimento, a Palladium, de Dubai, e na área da comunidade, a horta de Manguinhos, no Rio de Janeiro.

A filantropia estratégica, que nasce no íntimo humano pela solidariedade e amor ao ser humano, agora toma proporções estratégicas. É necessário acabar com a miséria planetária, e ela é mais rude e tenebrosa em áreas rurais desassistidas, onde não tem cooperativismo e ausência de uma organização de agronegócio, com ciência, tecnologia, treinamento e educação de produtores rurais.

Mas, sem dúvida também, com a necessidade de agroindústrias processadoras locais para agregação de valor e chegada dos produtos aos mercados.

A filantropia estratégica se encontra também nas cooperativas que, no mundo, movimentarão mais de dois trilhões de dólares. São do tamanho do Brasil, e no Brasil, reúnem 1 milhão de produtores rurais e representam quase a metade de tudo o que produzimos.

Há um grande movimento e espaço para esse setor chamado mundialmente de international development, está ligado aos movimentos do capitalismo consciente.

No Brasil, onde ele se manifesta cria riquezas e transforma a dignidade humana.

Fundações como Shunji Nishimura, em Pompéia, Zé Carvalho, em Pojuca, na Bahia, fundação Aury Bodanese da cooperativa Aurora, fundação Cacau Show do chocolate, dentre outras, registram grandes contribuições para dar suporte a uma base da pirâmide e fazer muita gente crescer na dignidade de vida.

O Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica acontecerá entre os dias 09 e 12 de abril, no Centro de Convenções SulAmérica.

Serão quatro dias com profissionais brasileiros e estrangeiros do Terceiro Setor comparilhando conhecimento sobre legislação, contabilidade, captação de recursos, comunicação, administração, voluntariado e assistência social.

Pelé e Coutinho, Tereza Cristina e Paulo Guedes: um gol na economia

Precisamos de duplas de trabalho que joguem competentemente no país. Recentemente, faleceu infelizmente o grande centro avante Coutinho, que ao lado de Pelé fizeram a melhor dupla de ataque da história do futebol mundial. Pelé e Coutinho.

 

Agora, precisamos urgentemente de duplas fantásticas para dar uma virada no país. Os dados apontam para uma década perdida, esta última, onde talvez não passemos de um crescimento ridículo de apenas 1% ao ano.

 

Precisamos crescer nos próximos 5 anos a um objetivo de 4% ao ano para chegarmos a um PIB de 2 trilhões e meio de dólares, minimamente. Dessa forma, que venham os novos Pelés e Coutinhos do país.

 

O Presidente Bolsonaro e Presidente da Câmara, Rodrigo Maia: bola na marca do pênalti, foco na reforma da previdência.

 

Ministro Sérgio Moro e presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli: foco na segurança e nos crimes de corrupção.

Mas vem o x da questão – e que se não ocorrer, não iremos os 4% de crescimento da nossa economia – a dupla de ataque fundamental do país, a união do ministro da Economia, Paulo Guedes, formando tabelinha para o crescimento do país com a ministra Teresa Cristina, Ministra da Agricultura.

 

Esses dois ministérios reunidos significam camisa 9 e camisa 10 da economia do país.

 

Pois a reunião desses dois ministros envolvem todas as cadeias produtivas do agribusiness, desde a indústria que forma a ciência e a tecnologia, passando pelos produtores rurais, seguindo na indústria de agregação de valor e processamento das matérias-primas originadas nos campos, indo ao comércio  e serviços, que reunidos formam na pior das hipóteses 1/3 do PIB brasileiro, com cerca de 500 bilhões de dólares.

 

A dupla do crescimento brasileiro envolve ministro Paulo Guedes e ministra Tereza Cristina, pois reúnem todas as cadeias produtivas do antes, dentro e pós-porteira das fazendas.

 

No meio de campo, presidente Bolsonaro e Rodrigo Maia com foco na Reforma da Previdência, e na defesa o judiciário e Polícia Federal, com Moro e Dias Toffoli.

 

A hora do novo agronegócio, e que a Sociedade Civil Organizada, as Confederações Nacionais Empresariais se unam e se reúnam para um plano ao lado das duplas do sistema público.

 

Ministra Tereza Cristina e ministro Paulo Guedes são camisas 9 e 10 da nossa seleção… pra marcar gol.

O espetáculo do mal versus a bondade trivial

Realidades são percepções acumuladas. Estamos construindo percepções em quantidade jamais imaginadas na humanidade. A interrogação fica: mas com qual qualidade?

Explodimos em traumas virtuais mesmo sem sentir na própria pele, mas de elevado impacto na mente. O furor mediático busca disputar e ganhar a guerra pela sua, a minha, a nossa percepção. Vence o que for percebido.

Não existe o que fica escondido. Desta forma, às lideranças da sociedade cabe um instante de profunda reflexão. Como estamos educando seres humanos para a elevação qualitativa de suas percepções? Como os poderes mediáticos e os  influencers têm atuado como pedagogos, educadores na batalha de todas as batalhas?

Equalizar o mal espetacular na disputa com o bem monótono coletivo e nada singular?

Imagem: PNGtree

Para cada golden shower de um carnaval existem centenas de alegrias criadas para dignificar a festa humana do viver, para cada tragédia, como a que aconteceu na escola de Suzano, existem todos os dias cenas e atos de valores superiores humanos.

Para cada mal feito na Terra existem milhares de bem feitos. Para cada mal que se faz e se viraliza ocorrem milhares de atos e fatos das forças do bem que não atraem audiências, e no despercebido se esvaem.

Existe uma guerra invisível no ar, as forças da entropia versus guerreiros da sintropia.

E as armas desse combate exigem persuasão poderosa para multiplicar os impactos dos feitos que educam para a dignidade humana, os transformando em espetáculos muito mais valorados e tratados em todas as esferas mediáticas. Agora totalmente “imediáticas”.

Falamos de capitalismo e consumo conscientes; está na hora da comunicação consciente.

Guerreiros não nascem prontos.

A pedagogia da superação.

The New York Times fala de agronegócio e do Brasil, mas sem conexão

The New York Times dedicou uma página exclusiva para a guerra comercial entre Europa, China e EUA, e ao lado, outra página inteira sobre o tuíte que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro publicou sobre o golden shower.

Meus alunos do programa internacional de agronegócio me mostraram o jornal The New York Times de sábado passado (09/03) e me perguntaram: “Professor, o sr. fala que o Brasil é fundamental no agronegócio mundial, mas olha aqui, não tem uma linha sobre o Brasil na discussão das guerras comerciais, mas na página ao lado, o seu presidente Bolsonaro apareceu pro mundo com uma cena triste e infeliz do carnaval, o tal do golden shower… não tem algo de errado por lá, professor?”

O que você responderia?

Na página que interessa a nossa economia e a todo povo brasileiro, as negociações envolvendo Europa, com o sr. Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia versus o sr. Donald Trump, presidente dos EUA, a manchete dizia: A food fight between allies (a luta pelos alimentos entre aliados).

Imagem: Freepik

No centro dessa mesa não estão difíceis as questões industriais. Ao contrário. O que está no centro da mesa são as questões agrícolas, os protecionismos às tarifas e a proposta americana de vender mais. Vender muito mais frango, carne vermelha, lácteos, vinhos, soja, frutas… tudo.

Trump é um mega vendedor a moda antiga, hard sell, como dos velhos tempos das yellow pages. Na mesma página do jornal, também mencionava a guerra comercial com a China. O sr. Xi Jinping disse que tem apenas um receio: o de Trump mudar tudo na hora da assinatura do acordo. O encontro que deve ocorrer no final de março início de abril.

Aí vem a tristeza deste brasileiro ao ler o jornal The New York Times e comparar a importância do Brasil no agro mundial – hoje inegável – sem uma linha na questão das guerras comerciais; e uma página ao lado dessa matéria estratégica para o agronegócio brasileiro e a economia brasileira, um título: “The presidente and the golden shower“ (o presidente e o banho dourado).

Quem não viu o tweet? Todo mundo. Foi publicado nada menos nada mais do que pelo presidente da República do Brasil.

Todos nós queremos que o governo dê certo, que o sr. Bolsonaro exerça um ótimo mandato, que o Brasil cresça seu produto interno bruto, e para isso acontecer, precisamos vender mais produtos do nosso agronegócio para o mundo.

O Brasil tem tamanho e autoridade para circular nas mídias mundiais com relevância na questão da segurança alimentar do planeta, não precisamos da tristeza e da infelicidade humana associada ao nosso carnaval, que afinal, é um grande negócio de turismo.

Donald Trump, o mestre do marketing e da venda hard sell, está vendendo como ninguém os produtos do agro americano. Vamos ver o que vai sair do encontro do nosso presidente Bolsonaro com Trump.

Anufood Brazil começa amanhã em São Paulo

ANUFOOD Brazil, Feira Internacional Exclusiva para o Setor de Alimentos e Bebidas, inicia amanhã, 12 de março e vai até dia 14, no São Paulo Expo.

Finalmente uma feira global importantíssima de alimentação está aqui no Brasil. É inspirada na Anuga, uma feira realizada em colônia na Alemanha, famosa no âmbito das compras e vendas de alimentos numa relação business to business.

Na programação de amanhã, 12 de março, em paralelo à feira, haverá um congresso internacional com 4 painéis:

– 1° painel é sobre segurança alimentar global, com a presença da Ministra da Agricultura Tereza Cristina.

– 2° painel é sobre o comércio global de alimentos;

– 3° painel é sobre a tendência do consumo mundial de alimentos

– 4° painel sobre o sagrado tema das perdas e desperdícios de alimentos.

O movimento mundial do agribusiness somadas todas as suas cadeias de ponta a ponta significa mais de 17 trilhões de dólares. E o grandioso valor desses 17 trilhões de dólares, 70% deles estão exatamente no pós-porteira das fazendas, alimentos, fibras, comércio, serviços, bebidas, essências, cosméticos, agroindústria, frutas, flores e comunicação.

Exatamente como a proposta da ANUFOOD, e bem explica seu idealizador no Brasil, ministro Roberto Rodrigues: “Vale a pena participar desse evento!”.

Haverá também a Arena Gourmet, um espaço dedicado a apresentações e workshops em diversas áreas como: padaria, confeitaria, chocolate, culinária contemporânea entre outras.

Mais informações em: www.anufoodbrazil.com.br

A hora do novo agronegócio!

Expodireto Cotrijal homenageia Tejon na Calçada da Fama do Agro

A Expodireto Cotrijal é uma das maiores feiras do agronegócio internacional. Focada em tecnologia e negócios, contribui de forma decisiva para o desenvolvimento do setor como um todo.

O principal objetivo de feira é aproximar o produtor do conhecimento, das informações, da tecnologia consagrada e sacramentada nos órgãos de pesquisa ou nas empresas privadas, de ótimas oportunidades de negócios e também de importantes debates ligados ao meio rural.

A 20° Expodireto Cotrijal, que será realizada na cidade de Não-Me-Toque, no Rio Grande Do Sul, entre os dias 11 a 15 de março de 2019, vai criar um espaço de destaque que ficará eternizado no parque da Expodireto Cotrijal, a Calçada da Fama do Agro, que irá homenagear 20 personalidades do agronegócio.

A Cotrijal é uma cooperativa que tem levado a sério a possibilidade da reunião do high tech, da ciência avançada com as práticas conservacionistas.

A Expodireto se consagra como a feira mais importante na sua categoria de tecnologias com fundamentos conservacionistas e sustentáveis e também pela liderança, trazendo o protagonismo feminino, a juventude cooperativista.

Neste ano, o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica abrirá a Expodireto inaugurando a Calçada da Fama do Agro.

Nas suas palavras, ele diz: “Vamos eternizar as personalidades que fazem do agronegócio o setor que sustenta a economia brasileira e que faz o Brasil dar certo…”.

As 20 personalidades eleitas para a calçada da fama serão:

– A senadora Ana Amélia Lemos

– O consultor André Pessôa

– O pesquisador Antônio Sartori

– Carlos Sperotto, que foi presidente da Farsul (in memoriam)

– O brilhante homenageado agrônomo Dirceu Gassen (in memoriam)

– Erlei Melo Reis, agrônomo patologista

– Francisco Matturro, presidente da Agrishow

– Francisco Turra, ex-Ministro da Agricultura, presidente da Abpa

– Irmfried Otto, ex-presidente da Cotrijal (in memoriam)

– José Tadashi Yorinori, idealizador do vazio sanitário (in memoriam)

– Kurt Kissmann, agrônomo fitossanitarista (in memoriam)

– Luis Carlos Heinze, senador

– Nei César Mânica, presidente da Cotrijal

– Odacir Klein, líder e atual presidente da União Brasileira do Biodiesel

– Ottoni de Souza Rosa, pesquisador-diretor da Biotrigo Genética

– Paulo Sérgio Pinto, jornalista

– Roberto Rodrigues, ex-Ministro da Agricultura

– Rui Polidoro Pinto, líder cooperativista

– Shiro Nishimura, membro da família Nishimura, ex-presidente da Jacto

Ainda nessa Calçada da Fama do Agro, com imensa honra, também lá estarei, escolhido pela Sociedade do Agronegócio do Rio Grande do Sul, pela Expodireto Cotrijal. Muito obrigado!

A hora do novo agronegócio, de toda a Rede Jovem Pan, que  se sentem homenageados pela homenagem que me é prestada ao lado das demais 19 personalidades.

Somos parte do Brasil que cresce e é admirado no mundo.

 

China: consumidores globais, vontades iguais

Todos temos uma ideia aproximada da expansão da China, crescendo em média, 9,7% ao ano desde 2000.

A China tem quase 100 firmas dentre as 500 maiores do mundo, e tem o 2° maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta, em busca de ser o primeiro.

A participação da China na agricultura, que era de cerca de 30% no passado, hoje é de 9%. Mas mesmo assim tem um gigantesco crescimento do seu agribusiness, com empresas, aquisições e um consumo interno de alimentos e bebidas, na casa de US$ 2 trilhões de dólares, quase um PIB do Brasil somente no consumo interno de comida e bebida.

A população da China de 1 bilhão e trezentos milhões de pessoas era predominantemente rural, e hoje metade está no campo. Significa 600 milhões de pessoas nas cidades chinesas.

A outra metade precisa ser mantida e suportada em micro e pequenas propriedades rurais com baixíssima produtividade, o que então obriga o governo chinês a taxar produtos de outros países, para que possa haver a mínima condição competitiva para os micro e pequenos produtores chineses.

Mesmo assim, no setor de hortaliças, frutas, legumes, pescados e especiarias, a China tem conseguido exportar cerca de US$ 95 bilhões de dólares, ficando  cabeça a cabeça com o total das exportações brasileiras.

Nesta semana nos reunimos com especialistas e estudantes chineses do Master Science Food & Agribusiness Management da Audencia Business School, de Nantes, na França.

O que nos trouxe um dado curioso e muito provocativo para os negócios e as estratégias de marketing no mercado chinês, foi saber que 75% dos consumidores chineses não confiam na qualidade e na saudabilidade dos produtos industrializados na China.

Escândalos como o leite com melanina, baby food industry em 2008, a explosão de uma planta química em 2015 e a elevada poluição leva um moderno consumidor, que se transformou em poucos anos, à busca de um padrão de produtos premium, que quer marcas globais e reconhecidas internacionalmente por qualidade e saudabilidade.

Imagine se apenas 20% da população chinesa, num padrão de classe média para classe A, vivesse em busca de produtos premium? Falamos de 260 milhões de pessoas… elas estariam dispostas a pagar mais pela percepção de melhores produtos.

Dessa forma, quando temos pela frente como país exportador o nosso Brasil, que enfrenta taxas de impostos que elevam o preço dos nossos produtos na China, como frangos e suínos, por exemplo, vemos que precisamos nos preparar para os enfrentamentos das guerras comerciais.

Fica aqui a questão: Sabemos fazer marketing? Sabemos vender os produtos brasileiros para todos os stakeholders envolvidos, não apenas os compradores importadores?

Claro que não sabemos, ou melhor, têm muita gente que sabe sim, a questão é que os talentos brasileiros de marketing não foram ainda convocados para a linha de frente dessa verdadeira guerra pelas percepções dos consumidores mundiais.

Afinal, desde 1979 a Coca-Cola foi lançada no maior mercado comunista do mundo, a China. Isso diz algo?

75% dos consumidores chineses preferem marcas e produtos importados. A guerra comercial pode ser travada acima de meia dúzia de negociadores. Uma poderosa luta por corações e mentes de pessoas globalizadas e com muitos desejos comuns, muito mais comuns do que Karl Marx ou Mao Tsé-Tung um dia imaginaram.

 

Direto da França para o programa A Hora do Agronegócio, na Jovem Pan.

 

Gratidão profunda, antes tarde do que nunca

Passei cerca de 12 anos entrando e saindo de hospitais, dos meus 4 até 16 anos, fazendo cirurgias plásticas reparadoras em função de uma grave queimadura sofrida na face.

 

Numa dessas passagens pelo hospital, fiquei internado 7 meses, numa experiência de enxertos, os quais foram um completo fracasso. Eu tinha 12 anos.

 

Morava em Santos com meus pais adotivos, Rosa e Antônio. Porém, essa internação foi feita no Hospital Brigadeiro Luiz Antônio, em São Paulo, onde morava minha tia adotiva, a Irene.

 

Naquela época, hospitais não se pareciam em nada com os modernos de hoje. As visitas tinham dias e horários. A comida hospitalar não era nada boa. Servida no carrinho da copa, deixava saudade e uma enorme distância da minha casa, pois Rosa era uma espetacular cozinheira.

 

Por isso, minha tia Irene durante 7 meses pegava dois ônibus para ir até o hospital e voltar para casa, porque morava no Alto da Lapa.

 

Todas as terças e quintas-feiras, às 20h, lá estava minha tia Irene com uma sacola na mão, e de dentro dela tirava uma marmita com a sua deliciosa comida; era o meu jantar.

 

Imagine, essa mulher pegava dois ônibus para ir, dois para voltar, e nunca falhou em nenhuma noite nesses 7 meses.

 

O que eu na época achava? Não tinha a menor consciência. Eu achava que era assim, que não passava de algo normal, e que era exatamente isso o dever dela. Eu não tinha nenhum sentimento de agradecimento. Me achava até credor, e o mundo era devedor. Afinal, eu estava no hospital. Logo, nada mais do que a obrigação da minha tia fazer isso.

 

O tempo passou. Eu cresci, estudei e me transformei numa pessoa considerada vitoriosa. Minha tia Irene faleceu em Canela, sua cidade natal, no Rio Grande do Sul.

 

Sempre a quis muito bem, e ia visitar, associando meus trabalhos na Jacto e Agroceres, empresas do agronegócio, onde sempre o estado do Rio Grande do Sul era um roteiro obrigatório.

 

Minha tia Irene faleceu de uma embolia, quando eu já tinha 50 anos de idade. Até então, eu tinha uma consciência do significado daquela mulher? Não.

 

Claro, amava aquela tia adotiva. Mas cheguei a raciocinar sobre esse fato? Não, porquê eu me sentia como muitas pessoas se sentem, credoras do mundo. O mundo deve para mim. E as pessoas fazem por mim, o que óbvio, deveriam fazer. Não há nada de mais no que minha tia fez.

 

Passa o tempo, aprimoramos nossa consciência. Somos surpreendidos por sermos também tratados com indiferença ao fazermos para os outros coisas que nos custa fazer, que nos consome tempo.

 

Precisamos suar para entregar as marmitas (sejam elas quais forem). Um dia parei e vi o quanto trabalhava e me dedicava para dar a pessoas queridas o que eu entendia ser o meu dever fazer.

 

Mas eu não sentia por parte dessas pessoas uma gratidão, um reconhecimento. Era como se fosse meu dever dar e o outro receber. Isso era justo. E ainda, uma sensação de que não entregava tudo pairava no ar.

 

Me sentindo incomodado, parei e refleti. Então, veio a minha mente a imagem da minha tia Irene, todas as terças e quintas à noite, seu prazer em me ver comer, seu abraço, seu beijo.

 

Na hora das visitas irem embora, ela descia, e lá do térreo do hospital acenava a cada 10 metros para a minha janela, até desaparecer na esquina, no ponto do ônibus.

 

Chorei. Explodiu em mim a consciência. Foi tarde. Muito tarde. Eu gostava da minha tia, mas nunca a abracei e a beijei intensamente gritando “te amo tia Irene, suas marmitas de terças e quintas eram muito mais do que uma comida”.

 

Era o exemplo mais puro do amor, da responsabilidade e de jamais abandonar um ser da sua família, ainda que adotivo como eu.

 

Escrevo isto, para que os jovens (e outros não tão jovens assim) tomem consciência, não tão tarde, apesar de ser melhor tarde do que nunca, e agradeçam.

 

Agradeçam as muitas marmitas que recebem de pais, tios, avós, amigos, vizinhos. Elas não são dadas a você porquê você simplesmente merece. Ou porquê você é credor do mundo e os outros seus devedores.

Admita a gratidão o mais cedo possível e não faça como eu, que só fui chorar e agradecer muitos anos depois, e quando a tia Irene já estava no céu, com certeza levando suas marmitas de amor para seus anjos.