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Independência é vida desde que tenhamos consciência de que somos interdependentes

Independência é vida desde que tenhamos consciência de que somos interdependentes
Fonte: píxabay.com

Independência consciente da interdependência é vida. Caso contrário, pode ser morte.

Fonte: píxabay.com

“Independência ou Morte!”, gritou D. Pedro I nas margens do Rio Ipiranga vindo de Santos, onde de fato foi decidida a independência do Brasil da corte portuguesa.

E neste 7 de setembro falo aqui de Santos, onde observo dezenas de navios parados no largo aguardando para entrarem no maior porto da América Latina e o principal do agronegócio brasileiro.

E sem dúvida, ali parados, esses navios estão pagando o demurrage..

Mas aqui de Santos, no sudeste, o mar camarada, e no lado oeste, o interior companheiro. Olhando para os caminhões – e os caminhoneiros que são legítimos trabalhadores honrados brasileiros – lá está estampada a conta do aumento do custo do transporte.

 

A CNA diz que cresceu 204% com ida e volta, num frete de Sorriso, Mato Grosso, para o Porto de Santos. A CNI a disse: “Vamos esperar uma decisão célere da justiça” e outra entidade, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), explicou através do presidente Sérgio Mendes: “Não tem como produtor e exportador absorverem isso“.

Mais uma entidade, a Abiove, de óleos vegetais, com André Nassar como presidente exclamou: “A correção da tabela de preços passou por cima de questões técnicas e jurídicas, foi política, tememos que esse comportamento do governo se torne padrão“.

Enquanto as entidades gritam, parece que há uma lei universal ainda não deglutida pelas lideranças empresariais brasileiras: toda grande independência será totalmente dependente da união e da cooperação entre os membros que formam um sistema.

Isso significa agronegócio, um sistema interdependente. Ou seja, fora da negociação, dos contratos e da orquestração das cadeias produtivas, a independência de cada um dos seus elos, vira de fato morte, e não vida.

Pelo lado dos caminhoneiros, o presidente dos Autônomos de Cargas de Ponta Grossa, Neori Leobet afirmou: “O reajuste da tabela de preços é o que precisava ser feito“.

Outro líder dos caminhoneiros, Wallace Landim, disse que vai ter manifestação dia 12 de setembro, em frente à ANTT pressionando para que haja fiscalização sobre o tabelamento.

O que aprendemos com a lição da independência ou morte? Que a independência de um sistema, de uma nação, é totalmente dependente de sua organização interna.

Enquanto as confederações e as associações patronais não conversam entre elas mesmas, e enquanto não se define um líder para o comitê de crise dos fretes, e da mesma forma, enquanto isso não ocorre no lado dos caminhoneiros autônomos, ficam todos esperando pela decisão do Sr. juiz Luiz Fux, do STF, que disse: “Todas as decisões sobre a tabela do frete estão suspensas até que haja uma decisão sobre a constitucionalidade da medida”.

Enquanto isso, a morte, o lado malvado da independência sangra a todos os elos de sua corrente.

Semana da pátria. Semana de saber que independência é vida desde que tenhamos consciência de que somos todos interdependentes, caso contrário, pode ser morte. Viva o Brasil.

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