Ou jogamos juntos e vencemos, ou isolados, todos perdemos no campo do agronegócio

 

Perdemos no campo do futebol, mas futebol é jogo. Uma bola entra, ou não entra, existe o imponderável: sorte e azar.

O Brasil não pode perder no outro campo, o campo do agronegócio… mas estamos perdendo, perdendo valor na crise de mega empresas como a BRF e a JBS, campeões mundiais desvalorizados.

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Embrapa abre vaga para novo presidente

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa abriu a vaga para a escolha do seu novo presidente. Sai Maurício Lopes, a quem aplaudo, e vem aí uma demanda com grandes expectativas.

A Embrapa é uma empresa brasileira de pesquisa agropecuária, uma casa fundamental para o agro nacional e toda a civilização do planeta no seu cinturão tropical.

Alguns dizem que a Embrapa precisa de um perfil executivo, um legítimo gestor, outros propõem nomes, como já ouvi, de Evaristo Miranda, que hoje dirige a Embrapa Territorial de Campinas, ou de Cleber Oliveira Soares, atual diretor de inovação e tecnologia da Embrapa e ex-dirigente da Embrapa Gado de Corte do Mato Grosso do Sul.

 

Porém, vozes importantes da Embrapa acreditam que o posto hoje de presidente da instituição exigirá, acima de tudo, talento e vocação como gestor.

 

O candidato deveria já ter passado com sucesso pela gestão de organizações públicas, um executivo ou administrador com sensibilidade para ter ao seu lado assessores estratégicos e principalmente capacidade para ouvir a sociedade, dialogar com o setor do agronegócio brasileiro, com as entidades representativas dos produtores rurais do país, com as grandes corporações internacionais que investem bilhões de dólares em inovação, e com isso, buscar um planejamento estratégico priorizando as necessidades que nos levarão ao futuro no campo da pesquisa e na implementação do conhecimento pesquisado junto ao campo brasileiro.

 

Como o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, importantíssimo na história da Embrapa, enfatiza que ainda falta muito para dominarmos todo o conhecimento necessário de cada bioma brasileiro.

 

Da mesma forma, ao dominarmos a tropicalização da ciência, seu uso no cinturão tropical do planeta, temos uma bandeira internacional da legítima paz.

Podemos apoiar, pesquisar e trabalhar junto aos países nessa faixa da terra, que reúnem cerca de 5 bilhões de habitantes e, exatamente nas zonas mais necessitadas de produção e de dignidade humana. Um projeto de estado brasileiro, sem dúvida.

 

Seria o próximo presidente da Embrapa um profissional da pesquisa ou uma pessoa com legítimos e profundos conhecimentos da administração em empresas públicas?

 

Uma boa questão, que possa vencer a sensatez, mas que seja ela por um caminho ou outro, que fique livre e blindada de facções políticas… prioridade total no país.

 

Porém, como jornalista e observador, faz sentido a proposta dele para presidente da Embrapa; agora é uma boa hora para um ótimo e preparado administrador.

Como dizia Peter Drucker: “Não existem países subdesenvolvidos, existem países subadministrados.”.

Caminhoneiros negociam e dão exemplo de luta

O assunto da greve dos caminhoneiros e suas consequências com o impasse da tabela dos fretes já tem sido alvo de análises intensas de toda a mídia com quantificações que variam, conforme a dimensão do analista econômico de 3 bilhões de reais, num sentido mais estrito, a mais de 70 bilhões de reais, numa angulação mais ampla de seus prejuízos numa cascata econômica desde exportações até o desabastecimento, inflação e o brutal impacto negativo que atiça ainda mais nossas incertezas num ano de eleições e crise de liderança nos poderes.

A vantagem de dialogarmos nas redes sociais é que escrevemos e também lemos sobre o feedback do povo, não só do setor de produtores rurais, mas de toda gente envolvida ao longo das cadeias produtivas do agronegócio, afinal agro é tudo, e agro também é caminhão e motorista de caminhão.

 

Um dos caminhoneiros, independente, autônomo, me mandou mensagem pelo meu Facebook (onde posto também artigos e as notícias do programa A hora do agronegócio) e divulgo textos pelo blog Cabeça de Líder, da Jovem Pan.

Ao estabelecermos um diálogo, ele me mostrou sua realidade, as agruras e a vida dura do seu caminhão. O nome dele é Sérgio Rabelo. Me escreveu reclamando, dizendo que era preciso ver o lado difícil da categoria. Eu agradeci e pedi para que me mandasse notícias, coisas reais e verdadeiras, como: “Onde você está agora, amigo caminhoneiro, e como está se virando com esse enrosco da tabela? Está parado? Como fica a situação… o que você está vendo nas estradas?

 

Sérgio me respondeu: “Estou negociando Tejon, negociando… agora vou pegar um frete de borracha, látex da fazenda que fica no município de Palmeirópolis… a fazenda Serra Dourada. Palmeirópolis fica a 449 km de Palmas-Tocantins, município com cerca de 8 mil habitantes. Lugar de minérios também, produz soja, milho, banana, leite, melão, abóbora, e é considerado um dos maiores potenciais da borracha, de seringueiras do látex do estado de Tocantins e do país…”.

 

Eu perguntei: “E como é a negociação?” Ele disse: “Eu queria a tabela, R$ 280,00 a tonelada. queriam pagar R$ 250,00, consegui R$ 270,00”.

Ou seja, enquanto esperamos pela justiça, a decisão, na impossibilidade de sua aplicação, o que resta mesmo é a força, a criatividade e a luta do caminhoneiro, que faz da tabela agora uma base para negociar, não parar e sua vida continuar.

 

“Eu estou negociando…”, enfatiza ele, “…e procuro pegar e carregar com quem mais se aproxima da tabela.”

 

Fica aqui de novo, a nossa posição, ninguém governará o Brasil se não organizar a Sociedade Civil.

 

Nosso amigo caminhoneiro, autônomo, lutador e guerreiro fala: “Vamos levando, negociando… até onde dá.”.

 

Um Brasil que já temos com brasileiros que contra tudo e muitos, não param. Por isso, desde 1970, o Brasil continua entre as 10 maiores economias do mundo. Imagina se os governos ajudassem… onde estaríamos?

Na Rússia, em meio a Copa do Mundo, associações promovem a proteína animal do Brasil

Estou celebrando ainda o brilhante livro da biografia das copas do nosso companheiro e jornalista Thiago Uberreich, e como já disse algumas vezes, para cada notícia ruim nosso cérebro precisa de, pelo menos, cinco notícias positivas.

Então, aí vai uma notícia boa:

Em meio a toda crise dos frangos com embargos, greves, afetando da mesma a suinocultura, o preço elevado da ração e em meio a dificuldades, a Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA junto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – APEX estarão realizando ações de promoção da qualidade da carne suína e de frango na Rússia até o dia 30 de junho.

Propaganda da ABPA e Apex-Brasil da carne suína brasileira, em rua movimentada de Moscou, Rússia, país-sede da Copa do Mundo 2018. Foto: Divulgação ABPA

Grande ação estratégica da ABPA no momento da Copa do Mundo.

Serão 45 pontos espalhados pela capital russa com banners ressaltando a qualidade dos produtos brasileiros com mensagens ligando o futebol brasileiro com a proteína animal.

A copa recebe pessoas de todo o planeta, e o Brasil exporta para 160 países. Ricardo Santin, diretor executivo da ABPA, disse: “A Copa do Mundo é um dos maiores eventos do mundo, e lá estaremos com a carne brasileira…“.

A Rússia desde novembro de 2017 se mostrou a maior cliente do Brasil. Embarcamos 260 mil toneladas de carne suína para a Rússia só no ano passado.

Obtivemos uma receita de 693 milhões de dólares em suínos; vendemos 83 mil toneladas de frango, com quase 130 milhões de dólares em receita.

Temos no mercado russo um potencial cliente de muito mais do que isso, é excelente essa ação da ABPA ao lado da APEX.

Seria bom que o Neymar ao fazer um gol batesse os braços em alusão as asinhas do nosso frango, e que o Gabriel Jesus, ex-palmeirense, pudesse elevar o nosso porco lá na Rússia as alturas!

Enquanto o pancadão do tabelamento do frete para o agro no Brasil fica estagnado, que a seleção e a carne suína e do frango cresçam em Moscou e aqueçam as lindas estepes russas.

Bolsonaro arruma encrenca com o maior cliente do Brasil: a China

Bolsonaro arrumando encrenca com o maior cliente do Brasil… arroubos que criam agouros.

Como se já não sobrassem problemas internos no país, onde temos inimigos das mais distintas facções, lá vai agora Bolsonaro se meter e arrumar encrenca na Ásia.

 

O Brasil representa uma área geopolítica segura para os interesses de todos os países do mundo, na questão de segurança alimentar.

 

E sem dúvida, a China assim vê o Brasil. Ela significa hoje o maior cliente do agronegócio brasileiro e o maior cliente, em tudo… comprou mais de 47 bilhões de dólares ano passado, investiu de 2010 até 2015 mais de 37 bilhões de dólares no Brasil.

 

Em um tour asiático a família Bolsonaro andou derramando palavras de ordem contra a invasão chinesa, e ainda os afrontou, indo a Taiwan e tendo encontros com seus líderes políticos.

 

O Brasil não é os Estados Unidos, nem Rússia, nem Japão e nem a Europa. Somos um país tropical, situados numa área geopolítica de independência e equidistância em conflitos internacionais.

 

O Brasil significa para a China, Rússia e Oriente Médio um excelente parceiro estratégico, pois seria impensável o país se meter em algum tipo de conflito ou preferências ideológicas por este ou aquele, acima do único interesse nacional, fazer o comércio e atrair investimentos dentro das nossas regras e leis, além de desenvolvermos um cliente que é sonho de vendas de todos os fornecedores do planeta, a China, nosso freguês.

Bolsonaros em Taiwan: (da esquerda para direita) Carlos, Flávio, Jair e Eduardo posam para foto em Taiwan (Reprodução/Página do perfil de Bolsonaro no Facebook/Divulgação)

Compramos aproximadamente a metade do que vendemos para os chineses, e essa relação de trocas será sim cada vez mais alvo de negociações… e precisamos nos preparar para isso.

 

Um erro de arroubos é colocar medo nas relações e inserir palavras de ordem falso nacionalistas que só podem atrapalhar o agronegócio brasileiro.

 

Como pré-candidato à presidência da república, deveria visitar nossos clientes e olhar zonas novas de acordos, além de aprender com os mesmos, e se tão interessado assim está no agronegócio brasileiro, deveria Bolsonaro ir investigar por que compramos alho e feijão preto da China, se o país é do agronegócio.

 

Com certeza se surpreenderia ao ver investimentos em tecnologia e redução de custos na cadeia produtiva chinesa, o que significaria belas lições para um brasileiro que quer se meter a liderar o Brasil.

 

O Brasil não deve criar dependências com um ou dois mercados. O país deve sim vender mais com mais capilaridade e valor agregado. Mas atacar o cliente número 1, ou é burrice, ou tática eleitoreira de um despreparado.

Alargar a visão – uma nova narrativa brasileira no agro

Agrossociedade, por si já nos tatua um conceito amplificado acima de “business“. Cidadãos, gerações, cidades e educação que formam culturas pela geografia brasileira gerados a partir da construção de riquezas originadas na agricultura.

Ou antes da agricultura? Na ciência, nas práticas tecnológicas, nos experimentos e na coragem de líderes que acreditaram na capacidade de produção dentro de uma zona tropical do planeta? Ou depois da agricultura no processamento, na logística, no comércio? Ou foi tudo isso junto amalgamado, que termina por colocar o Brasil na condição do 3° maior exportador de alimentos do mundo e assegurador do abastecimento interno do seu povo?

Olhando o Brasil de fora, constatamos que temos uma missão com visão ampliada para debater, considerar, interpretar e cumprir. Aprendemos a produzir e criar no ambiente tropical. Incontestável. Nos transformamos em grandes competidores e vendedores de alimentos globais. Incontestável.

Temos uma legislação ambiental, um código florestal mais exigente do mundo, colocando no produtor brasileiro a responsabilidade de ser a “sentinela da terra“. Incontestável.

Temos oportunidades imensas de evolução pelo conhecimento da gestão, da ciência e do cooperativismo. Incontestável. E longe de sermos perfeitos, nossos defeitos são grandes, notórios, e nós sabemos e os temos identificados, eles nos incomodam e ficamos incomodados. Incontestável.

Mas, o que falta no discurso brasileiro para tomada de uma posição única, diferenciada e totalmente alinhada com o inexorável progresso da fraternidade e do humanismo nos próximos 50 anos?

Ensinar. Não seremos no planeta apenas um grande vendedor de alimentos e estratégico para a segurança alimentar da população mundial. Seremos também os educadores de como desenvolver a dignidade cidadã, ensinando povos do cinturão tropical do globo terrestre a poder produzir e desenvolver também os seus próprios alimentos.

Ótimo que temos 66% do território do país preservado e sob legislação, e somos recordistas em produção utilizando menos de 10% da área para isso, quando comparados com outras nações.

Incontestável. Também temos orgânicos, biodinâmicos, rastreabilidade e cerca de 1 milhão de pequenos agricultores cooperativados. Incontestável.

Sim, um Brasil além do grande vendedor, um nobre e real educador. Somos um achado sensacional na faixa tropical do globo, quando o fotografamos a partir das riquezas agropecuárias. Temos recursos humanos, conhecimentos, e práticas concretas e reais. Sabemos produzir em condições tropicais e com sustentabilidade. Incontestável.

Brasil, o grande educador dos povos e nações envoltas pelo “tropical Belt”, ou “Cinto Tropical”. Um cinturão tropical onde antigamente nada se produzia, com exceções de algumas commodities como café, cana-de-açúcar, borracha e cacau; e hoje, além da hortifruticultura, do reviver do algodão, de uma nova borracha, a inovadora soja, o milho, o biocombustível, o biodiesel, feijão com arroz, o novo cacau, uma liderança avançada em todas as proteínas animais, e exemplos extraordinários no cooperativismo.

 

Além disso, uma agroindústria e uma rede interna de varejo, food service e supermercados com mais de 80 mil pontos de vendas, onde circulam diariamente 25 milhões de pessoas que devem vir a ser pontos educacionais ótimos para a educação nutricional e de alimentação do brasileiro.

 

E claro, pra não dizer que não falei das flores, até flores vicejam e terminam por embelezar o florescer do lado tropical da terra.

 

Existem incômodos? Incontestáveis. E o que vamos fazer? Incomodar.

Pra começar, mais do que produzir, preservar e exportar, o Brasil é a maior casa educadora do mundo, ensinando nações do cinturão tropical da vida, a auto felicidade de ter seus próprios alimentos. Uma pedagogia evoluída de superação.

Refletir. Pensar. A narrativa e os feitos e fatos que nos podem conduzir a uma relevante e nobre missão na terra. Incomoda? Sim, incontestável. Vamos incomodar.

 

Dr. José Luiz Tejon Megido

Diretor do programa food e agribusiness management e design innovation da Audencia Business School, Nantes, França, para o Brasil. Colunista da Jovem Pan e revista Feed&Food. Diretor de conteúdo do CNMA – Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio | ABAG / Transamérica Expocenter. Membro do CCAS – Conselho Científico Agro Sustentável. Conselheiro e fundador da ABMRA – Associação Brasileira de Marketing Rural do Agronegócio.

Airbnb no Salão Internacional de Agricultura em Paris

Da França direto pra Jovem Pan, para os meus leitores do blog Cabeça de Líder.

No Salão Internacional de Agricultura, em Paris, você encontra o mundo sob o tema central deste ano: “A agricultura, uma aventura coletiva”. São mais de mil expositores no Parque de Exposições da Porta de Versalles.

 

O foco é valorizar o trabalho coletivo como chave do setor. São seis gigantescos pavilhões divididos por assuntos, como o pavilhão de carnes, outro dedicado a cavalos e também a produtos culturais do campo, onde a jardinagem e o mundo vegetal se faz presente. Há um terceiro pavilhão com comidas e bebidas, e ali está presente a televisão francesa sendo transmitida ao vivo.

No 4° pavilhão, da agricultura de precisão, vi o recrutamento de jovens e o meio ambiente high tech. No quinto pavilhão uma mostra dos produtos de vários países do mundo, onde a Costa do Marfim apresentava o melhor stand falando de sua política de preservação das florestas, e Marrocos mandava ver num samba do Brasil, uma tímida participação apenas com a caipirinha e o nobre capim dourado.

Sem dúvida e com todo respeito, o Brasil faltou neste show.

E por último um pavilhão dedicado a cães e gatos.

 

Algumas coisas surpreendem. Você não imaginaria ver o Airbnb num evento da agricultura, imaginaria? Pois ali estava, com um grandioso stand. E qual a ideia do Airbnb estar num evento rural? Promover o turismo rural.

Airbnb está presente no Salão Internacional de Agricultura 2018, em Paris.

O Airbnb na França já conta com mais de 6 mil agricultores cadastrados. Oferecerem sua propriedade para o turismo agrícola. O que significa ganhar uma renda adicional, mostrar e promover a sua atividade agrícola e conhecer pessoas do mundo inteiro.

 

Esperar pelo próximo presidente é como acreditar que o cavalo de Troia era um presente dos gregos

Até quando a “Marcha da insensatez” (livro Extraordinário escrito por Bárbara Tuchman) continuará nublando, enganando e traindo a sociedade brasileira?

Existe um Brasil lúcido, sensato. Ele apenas não se manifesta, não se articula e talvez esteja ainda dominado por uma tenra infância de crianças disputando a manifestação de seus egos.

O Brasil não pode esperar pelo processo político, pela absurda incerteza de acreditar que o novo presidente venha de qual facção vier, conseguiria dar o salto histórico para o país não se ver mergulhado nas trevas da ausência de consciência, dos seus próximos 20 anos.

Nada será como antes. Agora seremos exigidos na educação, nas lutas competitivas, no poder da cooperação, na ciência, no comércio e seremos obrigados a forjar uma nação, uma pátria, uma república, ou então iremos agonizar no império da revolução dos bichos de George Orwell. Superação é o dever.

Superação como prefere Makiguti significará “criar valor a partir da sua própria vida, sob quaisquer circunstâncias. E valor quer dizer o bem, o benefício e o belo. “Só teremos superação com os fundamentos superantes da coragem, da confiança, da cooperação, da criação, da consciência, da conquista, da correção e da definição de um caráter de país.

 

Quem educa supera e faz superar. E quem tem o dever de não ficar mais esperando pelo entrópico processo político e sua relação mortífera com parte do empresariado, que desprovido de valores se locupletou como nunca dantes na corrupção, desmascarada pelos também inesperados e disruptivos jovens das lava jatos tropicais, esse dever cabe a nós. Cabe a sociedade civil organizada, cabe ao ponto mais precioso  da superação, assumir o protagonismo e abandonar a vitimização. Quem são os piores líderes para fracassarem nesse desafio? Aquele que se vitimiza, dessa forma, espante e enxote qualquer um que traga uma retórica vitimizadora e de vitimização. Quem pode nos levar a essa disruptiva fase mutante, não insensata?

 

Os brasileiros que trabalham, sensatos e representantes de um Brasil que aos trancos e barrancos se mantém entre as 10 maiores economias do mundo,  que está na lista mundial de países livres, que conseguiu liderar em diversos segmentos econômicos e tecnológicos, como o próprio agronegócio,  exemplificam um país formado de sofridos e pobres imigrantes de todos os cantos, com escravos e excluídos do planeta, assim como foram meus pais, meus avós, meus bisavós.

 

Precisamos convocar, sim, as estruturas formais e já organizadas da sociedade civil organizada. Para superar precisamos de liderança democrática e de entidades que aí estão, até agora caladas, escondidas deste momento de tão magnânima dimensão.Convoco as organizações empresariais nacionais, as confederações empresariais que reunidas representam todo o produto interno bruto do país. As 12 CN’s. Convoco as representações religiosas, a OAB, educadores, trabalhadores, estudantes e militares. Os colegas jornalistas e a mídia.

 

Só há uma regra de ouro para criarmos uma proposta de projeto brasileiro de governança, ao lado ou à parte do sistema político partidário isoladamente que, sem duvida, por ele só, nos conduzirá inexoravelmente ao cavalo de Tróia, um presente de grego, seja quem for o presidente oculto na sua barriga equina. Nenhuma entidade, organizada, pode ter qualquer vínculo ou elo com partidos políticos. A contaminação político partidária condena a representação da sociedade civil organizada a uma guerra de loucos, onde enganos e traições, vozes tumulares de ideologias passadas nos condenariam ao fracasso antes da partida. A ideologia do passado já morreu. Que venha, se precisar, a ideologia do futuro. Ela não se encontra nos baús enterrados nas suas tumbas.

O Brasil precisa superar, ultrapassar e ir muito além de ficar esperando por um processo político ou num debate pautado pela loucura entre este nome, ou aquele nome, como se fosse possível e aceitável esperar pelo que não virá, e que já faleceu na esquina próxima passada da história recente. O populismo é o veneno do futuro. O mornalismo, das normalidades mornas, a anestesia da ação. Não se enfrenta o populismo somente com o sonho democrático do voto. Precisa de mais, muito mais. Sem ajuda das organizações sensatas e estruturaras, o voto não fará milagre. Até porque milagres estão num campo de dimensões elevadas, e não seria justo esperar por eles. A Deus o que é de Deus e ao brasileiro o que é o dever de cada brasileiro.