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A marcha dos inconsequentes segue firme em torno do agronegócio

A marcha dos inconsequentes segue firme em torno do agronegócio

O livro A Marcha da Insensatez, de Bárbara Tuchman, um clássico que um dia recebi de presente das mãos de Ney Bittencourt de Araújo, à época presidente da Agroceres e fundador da associação brasileira de Agronegócio (ABAG).

Portanto, a inconsequência e a insensatez não são, de forma alguma, novidade alguma.

Neste exato momento, além das incertezas com a sucessão política, além das “Trumpnices”, de guerras comerciais, o Trump sempre muito mais inteligente do que pensam seus detratores, além da crise recente da Turquia que está alterando câmbio, bolsas planeta afora, além das campeãs nacionais do setor de carne estarem revelando balanços com prejuízos de cerca de 4 bilhões de reais, ainda a piração do tabelamento com preços mínimos dos fretes, quando caberia aos interessados resolverem suas questões comerciais, sem a mão, quase sempre atrasada e inoperante do governo.

Surge agora, na boca da nova safra, uma decisão da Justiça Federal no Distrito Federal de suspender o registro do herbicida glifosato a partir de 3 anos, aguardando o parecer da Anvisa a respeito, pois nos Estados Unidos a Monsanto, empresa fabricante, foi condenada a pagar indenização para uma pessoa que alegou ter contraído câncer por exposição ao herbicida.

Não amo glifosato, porém proibir na boca da safra o uso desse herbicida usado em praticamente toda a cultura de grãos do país, ao lado das sementes de soja e milho significará derrubar a próxima safra e colocar produtores rurais e todo o país num caos, onde a vitória não será do mato, será da insensatez e dos inconsequentes com parte dos poderes nas suas mãos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Embrapa e os órgãos técnicos brasileiros têm suas opiniões e visões a respeito do assunto e serão usados pela Advocacia-Geral da União para reverter essa decisão.

Enquanto isso, o adubo não chegou para boa parte dos produtores. O início do plantio com o sistema plantio direto, glifosato e sementes estão suspensos e nossos clientes, além do mercado interno, preparam planos B para uma hipótese (infernal) do Brasil não produzir e não entregar.

Aí sim, o que falta pra o caos total e a bagunça geral chegar, e chegará. Não há saída para o agronegócio nacional sem uma orquestração e união de toda a cadeia produtiva.

Precisamos de uma autorregulamentação e código de ética, onde o próprio setor lidere seus destinos. Quem não lidera, será liderado… e pode não gostar nada disso.

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