As mídias sociais e os fundamentos da comunicação versus a manipulação

Comunicação significa a agregação de valores éticos e humanos ascensionais numa relação entre o emissor e o receptor. Manipulação significa captar o que já está instalado como valores de mundo na percepção do receptor e devolver ao mesmo o produto esse desejo realçado.

A diferença entre comunicação e manipulação exige um julgamento ético. Porém, para efetivá-la como fórmula de sucesso, os ingredientes operacionais são os mesmos, mudam os valores e as intenções sustentáveis de longo prazo. Há necessidade de um emissor, da elaboração da mensagem, de um ou vários decodificadores perceptuais, do uso das mídias (um mix), da decodificação da mensagem pelos receptores, e da avaliação do feedback que realimenta todo o processo.

Todos dizem agora que Bolsonaro ganhou a eleição graças às redes sociais. Verdade ou mentira?

Vamos retornar à fórmula da comunicação = E + Mensagem + Dp + Mídia + Dpr + R+ FB*: processo da comunicação.

Para a mesma fórmula, observemos o sucesso do Kondizilla, que tem milhões de views no Youtube, e o Mc Fiotti, ao alavancar poderosamente no mercado da música funk.

Idem para quando a top model n° 1 do mundo, Giselle Bundchen, fez um post pedindo para não fundirmos o Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura.

Existe o emissor, a mensagem decodificada, a mídia, a decodificação da mensagem pelo receptor, o próprio e o feedback.

E quando um processo de comunicação, ou então preferiria dizer de manipulação, atua levando jovens ao suicídio? Ou sendo enganados em grupos terroristas, ou ainda se sentindo orgulhosos de pertencimento a organizações criminosas?

Poderíamos dar como resposta a todas estas provocações a mídia como a única responsável pelo sucesso de suas causas, sejam nobres ou não?

Se tão simples fosse usar as mídias para obter sucesso, os bilhões investidos diariamente em todas as mídias e, inclusive, nas mídias sociais modernas seriam suficientes para gerar bilhões de seres humanos de sucesso, felizes, famosos e ricos.

Quantos dos investidores nas mídias obtêm sucesso retumbante? Inclusive nas mídias sociais, as modernas páginas amarelas e listas de assinantes e endereços de antigamente, uma mídia all 4 all? A resposta continua sendo poucos.

Dessa forma eu prefiro retornar ao miolo da mensagem, à essência da causa empática, para tentar isolar o segredo do sucesso de uma fórmula comunicacional. Se eu ou você emitirmos pareceres sobre o meio ambiente, ok, atuaremos na rede. Porém, quando o grande emissor, Gisele Bundchen o faz, sua repercussão é monumental. E o Kondzilla? Um santista que ninguém o conhecia. Como hoje virou um grande emissor? Foi apenas com as mídias sociais?

Sim, como ferramenta mediática assim foi. Porém, Kondzilla reuniu outros talentos. Auscultou receptores e a audiência. Possui uma extraordinária competência de decodificação, gerou brutal empatia com a jovem audiência de base da pirâmide, criou uma mensagem aglutinadora de redes sociais, lançou símbolos, produtos identificados com sua audiência e ali conquistou múltiplos emuladores e gigantesca reverberação.

Vejo muitos profissionais hoje com a firme e leviana crença de que basta estar na mídia social para cumprir um papel decisivo no êxito de um plano de marketing. Não basta. E vejo muitos intelectuais relacionando os êxitos de produtos, empresas, políticos, etc, de forma exclusiva às mídias sociais. É muito mais do que isso.

Discutir se as mídias sociais são importantes ou não, é jogar tempo fora, claro que elas são. Que revolucionam o conceito de emissores, editores, receptores e feedback, da mesma forma. Mas simplificar a fórmula em si, significa um erro ingênuo de superficialidade de conhecimento sobre o processo da comunicação, ou interesse comercial dos seus vendedores.

O papel do grande emissor que resistirá e vai superar o tempo, não será daquele que se render às ilusões manipuladoras do curto prazo. Esse será destruído com a mesma velocidade com que foi erigido.

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