A história de Maria Joaquina, patinadora trans de 11 anos, publicada em primeira mão no EVA, teve um novo capítulo na noite desta segunda (22).

A atleta conseguiu, após muita mobilização da mídia, parentes e amigos, participar do Campeonato Sul-Americano de Patinação Artística de sua categoria, disputado em Joinville, Santa Catarina.

Em seu perfil no Instagram, ela comemorou o feito: “Embora tenha competindo hoje no Sul Americano – não sei o que é representar o País … Me foi negado uniforme do Brasil.  Me proibiram de estar na foto oficial do país. Todos os atletas, menos eu, ganharam presente da confederação. Mas nenhum atleta ganhou o que eu ganhei … AMIGOS VERDADEIROS E A FORÇA DE LUTAR!”.

Direito na Justiça

Para ter sua participação assegurada, o pai da menina, Gustavo Cavalcanti, teve que recorrer a um mandato judicial.

Relembre a história

Os pais de Maria Joaquina deram início a uma campanha para ajudar a filha a competir no Campeonato sul-americano de patinação, de 19 a 30 de abril, em Joinville, Santa Catarina. Maria Joaquina foi classificada no Campeonato Brasileiro 2019, realizado pela Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, mas a Confederação Sul-americana da categoria não permite que ela participe por causa de sua transição de gênero.

Em dezembro de 2018, os pais da atleta ingressaram com ação de retificação de registro civil para adequação de nome e gênero na certidão de nascimento e até o momento não conseguiram a tutela do Estado. O processo está com vistas ao Juiz, após parecer favorável do Ministério Público. De acordo com a advogada Melissa Veiga, amiga da família, “diante da ausência da certidão de nascimento constando seu nome e gênero feminino, Maria Joaquina foi desclassificada da categoria feminina”.

A ação está em trâmite na 2ª Vara da Família e Sucessões do Foro Descentralizado de Santa Felicidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, onde a família mora.

Segundo o MP, “a vedação e as normativas internas mencionadas podem estar ferindo diversos dispositivos legais e internacionais de direitos humanos”. A defensora pública Eliana Tavares Lopes, que representa a família, ainda diz que, “ao que tudo indica, deveriam as Confederações Internacionais adequarem suas regras internas às normais internacionais de direitos humanos, nos moldes do que as Federações Nacionais Brasileiras de patinação já fazem”.

Assista no vídeo a seguir a apresentação que rendeu a vaga no Sul Americano para a atleta:

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas EVA e Revista Guia SP, da Jovem Pan.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *