Esta é a Semana de Conscientização e Detecção do Câncer de Tireoide, lembrado todo 25 de maio, o Dia Internacional da Tireoide.

É cada vez mais comum conhecer alguém que já retirou a tireoide entre amigos e parentes. Por isso, uma dúvida é cada vez mais crescente: existe um aumento no número de casos de câncer de tireoide ou os exames mais precisos estão diagnosticando tumores que antes não eram detectados?

De acordo com o Professor Doutor Flavio Hojaij, Livre Docente da Faculdade de Medicina da USP, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço, as duas coisas parecem contribuir para esta percepção. Como os médicos passaram a solicitar mais exames e os diagnósticos melhoraram, o câncer passou a ser descoberto precocemente. No entanto, sabe-se que a incidência da doença, que geralmente tem causa genética, aumentou em 10% na última década.

“Existem protocolos para indicar aos especialistas quando um nódulo na tireoide deve ser analisado e quando deve ser realizada uma cirurgia para a retirada da glândula. Mas a decisão final sobre como proceder é sempre do cirurgião e do paciente. Dessa forma, algumas cirurgias são realizadas mais por precaução”, observa Hojaij.

Em alguns países, como Estados Unidos e Japão, em centros universitários importantes, os especialistas já estão optando por apenas observar e monitorar alguns tipos de câncer de tireoide e não mais operar a todos, indiscriminadamente.

Flavio Hojaij lembra também que existe a possibilidade de uma cirurgia parcial da tireoide, indicada em algumas situações específicas: paciente jovem, nódulo único e pequeno, sem sinais de doença à distância, entre outros.

“Os especialistas devem verificar a possibilidade de realizar uma cirurgia parcial de tireoide em alguns pacientes, visando proporcionar uma melhor qualidade de vida sem perder o foco no tratamento e resultado de se livrar do tumor”, explica o médico.

Nos últimos três anos o cirurgião  realizou 242 tratamentos para câncer de tireoide – em nível privado -, sendo que 42 pacientes foram tratados com remoção parcial da glândula.

Câncer na tireoide

O câncer na tireoide pode ter causa hereditária e já existem hipóteses (não conclusivas) de que também existem agentes externos como causadores. Ele não é agressivo e após a cirurgia, na maioria dos casos, não há recidiva ou metástase. A pessoa passará a fazer uso contínuo do hormônio que era produzido pela glândula, o levotiroxina.

Considerado o mais comum da região da cabeça e pescoço, o câncer de tireoide é três vezes mais frequente no sexo feminino. Nos Estados Unidos, a doença corresponde a 3% de todos os casos de cânceres que atingem as mulheres. No Brasil, corresponde a 1,3% de todos os casos verificados pelo Inca (1994 a 1998), e a 6,4% de todos os cânceres de Cabeça e Pescoço. No Brasil é o oitavo mais comum na população feminina.

Estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida, mas menos de 5% deles são malignos. A incidência da doença aumentou em 10% na última década. Em caso de suspeita de câncer, além da avaliação clínica e de exames laboratoriais, o médico solicita exames de imagem ou biópsias.

A tireoide é uma glândula que produz dois hormônios que contêm iodo – a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) – e que controlam nosso metabolismo, influenciam no nosso desenvolvimento e na atividade do sistema nervoso. Ela regula ainda a função de órgãos importantes como coração, cérebro, fígado e rins e, ainda, as relacionadas ao intestino e ao aparelho genital.

O assunto já foi tema de um programa EVA especial. Assista:

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas EVA e Revista Guia SP, da Jovem Pan.

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