O Dia Internacional do Desarmamento Infantil, anualmente todo 15 de abril, tem como principal objetivo debater as consequências que os incentivos ao uso de armas de fogo por crianças. Parece um absurdo, mas as crianças estão cada dia mais armadas dentro do crime organizado e, além da arma de fogo real, existe o uso de armas de brinquedo em situações de crime. Segundo pesquisas realizadas nos Estados Unidos, as armas de fogo são a segunda maior causa de morte de crianças no país, sendo o número de mortes menor em Estados que têm leis mais rígidas em relação às armas de fogo.

De acordo com o delegado de polícia de São Paulo Thiago Garcia, a orientação dos pais em relação às crianças e adolescentes é fundamental para prevenir tragédias envolvendo armas de fogo e menores de idade. “Os pais devem deixar bem claros os perigos que as armas representam. Além disso, o responsável pela arma de fogo, na hipótese de residência habitada também por criança, adolescente ou pessoa com deficiência mental, deve apresentar declaração de que a sua residência possui cofre ou local seguro com tranca para armazenamento do armamento”, orienta o profissional, mencionando a exigência legal prevista no Decreto nº 9.685/2019.

Arma de brinquedo incita agressividade?

O delegado explica que, apesar das inúmeras campanhas que trocam armas de brinquedo por outros tipos de objetos infantis, por exemplo, não há uma resposta única para a questão: arma de brinquedo incentiva a violência em criança?

“Eu, por exemplo, na minha infância, tive revólver (aquele de espoleta do “Rambo”) de brinquedo e não me tornei uma pessoa violenta. Há milhares de pessoas que tiveram essa mesma experiência e não perderam o equilíbrio na fase adulta. É normal brincar de ”polícia e ladrão” na fase infantil”, opina. Por outro lado, se a criança cresce em um ambiente hostil, diz o delegado, onde armas de fogo são cultuadas e usadas indevidamente, isso poderá exercer má influência sobre ela, contribuindo para que desenvolva a violência em sua personalidade desde a recreação com arma de brinquedo. “É interessante notar que, no Brasil, são vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir”, finaliza ele, sobre a Lei nº 10.826/2003.

Videogames incentivam a violência?

De acordo com Thiago,o fato de jogar videogames, como “Counter-Strike” (um dos jogos de tiros mais conhecidos), que ele mesmo jogou na infância, não faz com que o jogador saia atirando de verdade nas pessoas. “Pesquisas realizadas ainda não conseguiram comprovar que a violência está realmente relacionada aos jogos. Entendo que vários fatores produzem a violência. Não é só por causa de um jogo que a pessoa será violenta. Precisamos fomentar a cultura e investir em recreação salutar para os jovens, como esporte e leitura”, defende.

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas EVA e Revista Guia SP, da Jovem Pan.

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