Um incêndio atingiu, hoje, parte de uma das maiores referências históricas em Paris, A Notre-Dame. Em meio a tristeza de ver quase mil anos de história ameaçados pelo fogo (a catedral tem 856 anos e levou outros 160 para ser construída), conversamos com o professor de história da arte, João Braga, para resgatar os encantos e segredos desta obra medieval.

Notre-Dame, em francês, significa Nossa Senhora ((La vierge à L’Enfant), a catedral é dedicada à Virgem Maria, uma mulher. Todas as catedrais do estilo gótico na França são dedicadas à virgem. As rosáceas: os vitrais da catedral são importantíssimos pois funcionavam como a leitura dos iletrados, para formar cristãos através de cenas da vida de Jesus.

As edificações medievais eram feitas em pedra, um material considerado sagrado. Os artesãos deixaram mensagens criptografadas na construção. As torres, por exemplo, são desiguais porque a cidade de Paris, na época, era mais habitada do lado esquerdo e as torres foram construídas de maneira a seguir essa proporção para que houvesse equilíbrio de distribuição da energia cósmica e telúrica.

Notre Dame foi o palco de uma das maiores histórias de amor da idade média: Abelardo e Heloísa. Esse romance proíbido só foi desbancado por Romeu e Julieta no renascentismo, mas diferente de uma das maiores obras da literatura de Shakespeare, a história de Heloísa e Abelardo é real, sobreviveu séculos e foi retratada no filme “Em nome de Deus”. Heloísa, sobrinha de um aristocrata se apaixona por um mestre de teologia que havia prometido castidade ao tentar se tornar padre. Os dois vivem um amor escondido, se casam na sacristia da Notre-Dame ainda em construção, no século XII. Têm um filho e dão o nome de Astrolábio, um instrumento usado para medir a distância entre as estrelas. Heloísa é mandada para um convento e Abelardo, após ser castrado pelo tio de Heloísa, em um mosteiro. Os dois trocam cartas ao longo da vida toda e estão enterrados juntos no cemitério Père Lachaise, em Paris.

A rainha Margot se casou na Catedral, em agosto de 1572. Milhares de protestantes  e huguenotes vindos de todas as partes da França, enchiam as ruas de Paris. A capital do reino recebeu tanta gente, que muitos tiveram que dormir nas ruas, pois as estalagens e hospedarias já estavam lotadas. Todos queriam estar presentes no casamento de Henrique de Bourbon, rei de Navarra,(Henrique IV) com Margarida de Valois (rainha Margot) irmã do rei Carlos IX., no que seria conhecido como Bodas de sangue. Seis dias depois do casamento, milhares de huguenotes foram assassinados por ordens da coroa, no que ficou conhecido como uma das páginas mais sangrentas da história da França.

Napoleão e Josefine foram coroados em Notre Dame, em 2 de dezembro de 1804.

Fonte: João Braga @joãobragaprofessor é professor de história da arte e história da moda.

  • Esses “ricalhaços” (ricos , a maioria não fez nada pra isso e palhaços que não disfarçam querer aparecer), deveriam socorrer famintos do mundo que são quase 1 bilhão de almas (praticamente, só almas…)…O vaticano é proprietário do maior patrimônio imobiliário do mundo e tem reservas para reconstruir sozinho mil “notre dames”…o problema é que ajudar a aplacar a “fome’ do mundo, não tem visibilidade…

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