Existem inúmeras histórias que tentam explicar o fascínio, principalmente do brasileiro, pela bunda. Já lá em 1954, a Miss Brasil Martha Rocha perdeu o título de Miss Universo para uma americana chamada Miriam Stevenson. A justificativa? Duas polegadas a mais nos quadris.

Pensem que na faixa Garota de Ipanema, de 1962, Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes falavam da garota que tinha um doce balanço:

“Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela, menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passa”

Nos anos 80, muitas outras musas brasileiras tinham força nos quadris! Tivemos Gretchen, hoje rainha dos memes:

Rita Cadillac, que foi chacrete, cantora, atriz em filmes pornográficos, tendo ainda se apresentado no presídio do Carandiru e no garimpo de Serra Pelada!

Temos que lembrar também de Carla Perez, que descia na boquinha da garrafa. E o funk? Com o ritmo chegou a vez das popozudas que descem até o chão e mandam beijinho no ombro para as inimigas:

Na música internacional, o clipe de Anaconda lançado pela Nicki Minaj ,em 2014, levou o twerk à um nível nunca antes explorado. Pois o remelecho do popô em terras gringas ganhou esse apelido mesmo: twerk.

Kim Kardashian, socialite que se tornou mundialmente famosa por seu reality show, Keeping Up with the Kardashians, provou que o corpo esquálido exibido nas passarelas não era a única forma de fazer barulho no universo fashion:

 

Mas vamos voltar ao Brasil? Essa história de associar o popozão à brasileira não é lá sempre uma alegria de carnaval. Em ano de Copa do Mundo no Brasil, em 2014, duas camisetas da Adidas, uma das patrocinadoras do evento, causaram enorme desconforto. uma delas trazia o coração verde-amarelo transformado em uma bunda de biquíni invertida. Outra camiseta trazia uma moça de biquíni, com o Pão de Açúcar. A fase que acompanhava era “looking to score”, que pode ser interpretada tanto como “fazer gols” como “se dar bem” e “pegar mulher”.

A Secretaria de Direitos Humanos publicou uma nota de repúdio à “confecção de camisetas com ilustrações de cunho sexual, associado às cores e aos símbolos do Brasil”. E como bem lembrou Ruth de Aquino, em artigo escrito para a Revista Época

A propaganda da bunda é um recurso empobrecedor, misógino e perigoso. O turismo sexual é uma tragédia no Brasil. Interrompe a infância e a inocência de milhares de brasileirinhas e, especialmente no Norte e Nordeste do país, é uma praga social de dimensões ainda desconhecidas e acobertadas. Muitas famílias exploram suas meninas-moças para colocar comida na mesa.

Um história curiosa da publicidade também merece ser contata aqui. Nos anos 90, o dublês de bumbum mais famoso em anúncio para revista e catálogos de lingerie era Aloysio Ferraz, o maquiador Lili Ferraz, um homem. Era dele o popô de vários comerciais, considerado inclusive como o dono do bumbum perfeito. Ouça o próprio Lili contando essa história para Roberto Justus (em 8:05)

 

Paula Carvalho

https://blog.jovempan.uol.com.br/paulacarvalho/

Publicitária, faz parte da bancada do Jovem Pan Morning Show e apresenta o Eva. Tem um canal no Youtube sobre séries e filmes, além do podcast Direto do Sofá, com dicas e análises de séries.

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