Os pais de Maria Joaquina, patinadora transexual de 11 anos, deram início a uma campanha para ajudar a filha a competir no Campeonato sul-americano de patinação, de 19 a 30 de abril, em Joinville, Santa Catarina.

Maria Joaquina foi classificada no Campeonato Brasileiro 2019, realizado pela Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação, mas a Confederação Sul-americana da categoria não permite que ela participe por causa de sua transição de gênero.

Com a hashtag #deixemmariaparticipardosulamericano, eles convocam as redes sociais para fazer uma pressão para que a garota possa participar da competição.

“Desde 2017, entramos com uma batalha para nossa filha trans poder competir no feminino. Deu tudo certo. A Confederação Brasileira aceitou. Ela compete no feminino e eles aceitam o nome social dela. Este ano, ela entrou numa categoria que disputa vaga para o sul – americano, ficou em segundo lugar. As cinco primeiras de cada País têm a vaga garantida, só que a Confederação sul-americana se opôs a respeitar a identidade de gênero dela. Mas, independentemente disso, embora ela tenha conquistado a vaga, a Confederação Brasileira não a convocou, apesar de ter direito a isso”, explica Gustavo Cavalcanti, o pai de Maria Joaquina, com exclusividade ao EVA.

“Vale ressaltar que a quantidade de testosterona que a atleta possui está abaixo dos limites das atletas femininas estabelecido pelo Comitê Olimpico Internacional”, acrescenta o pai.

Patinadora trans de 11 anos, Maria Joaquina se classificou para Campeonato Sul-americano de Patinação mas é impedida de participar

O outro lado

Em carta enviada para esclarecer as normas da competição, a Confederação Sul-americana de Patinação (Confederación Sudamericana de Patinaje) esclarece à Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação que só aceita atletas cujos documentos de identidade façam referência ao mesmo gênero do competidor, ou seja, RG masculino = competidor masculino, RG feminino = competidor feminino.

Após o posicionamento internacional, que segue os mesmos critérios da Confederação Continental de Patinação, o órgão que representa os atletas no Brasil não incluiu Maria Joaquina na convocação. De acordo com o pai da atleta, não houve nenhum contato para justificar a ausência do nome da menina na lista. Procurada pela reportagem do EVA, ninguém da Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação foi localizada.

“Mas ela não foi convocada nem na categoria masculina, ou seja, a justificativa não procede”, contesta o pai.

Documentos

Em dezembro de 2018, os pais da atleta ingressaram com ação de retificação de registro civil para adequação de nome e gênero na certidão de nascimento e até o momento não conseguiram a tutela do Estado. O processo está com vistas ao Juiz, após parecer favorável do Ministério Público. De acordo com a advogada Melissa Veiga, amiga da família, “diante da ausência da certidão de nascimento constando seu nome e gênero feminino, Maria Joaquina foi desclassificada da categoria feminina”.

A ação está em trâmite na 2ª Vara da Família e Sucessões do Foro Descentralizado de Santa Felicidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, onde a família mora.

Segundo o MP, “a vedação e as normativas internas mencionadas podem estar ferindo diversos dispositivos legais e internacionais de direitos humanos”. A defensora pública Eliana Tavares Lopes, que representa a família, ainda diz que, “ao que tudo indica, deveriam as Confederações Internacionais adequarem suas regras internas às normais internacionais de direitos humanos, nos moldes do que as Federações Nacionais Brasileiras de patinação já fazem”.

Desabafo

No perfil do Instagram, a advogada Melissa Veiga, amiga da família, descreveu a situação em tom de desabafo.

“Algumas coisas são difíceis de explicar, eu sei. Na verdade, tudo que foge ao bom senso e ao respeito pelo ser humano é de difícil compreensão. Já falei algumas vezes sobre ela por aqui, falo nas minhas aulas, cursos e palestras. Maria Joaquina, mais uma vez está vivendo uma experiência que as minorias experimentam: o não reconhecimento da sua dignidade humana. Maria Joaquina é patinadora profissional, federada pelo Estado do Paraná e no último campeonato brasileiro, ocorrido no dia 22 de março, em Joinville, classificou-se em segundo lugar. De acordo com as regras, as cinco primeiras colocadas conquistaram uma vaga para competir no campeonato sul-americano. Todavia, nesta semana, os pais receberam um comunicado de que sua filha não poderá competir, por um único detalhe, completamente insignificante, conforme o próprio vídeo demonstra. Maria Joaquina é uma criança transexual que ainda não obteve determinação judicial para retificação do seu registro de nascimento. Em dezembro do ano passado, os pais ingressaram com ação de retificação de registro civil para adequação de seu nome e gênero na certidão de nascimento e até o momento não conseguiram a tutela do Estado. O processo está com vistas ao Juiz, após parecer favorável do Ministério Público. Diante da ausência da certidão de nascimento constando seu nome e gênero feminino, Maria Joaquina foi desclassificada da categoria feminina. A Defensora Publica que esta à frente do caso, oficiou o Presidente da Confederación Sadamericana de Patin e, ainda, a Federação brasileira de Hóquei e Patinação, ambas com o mesmo presidente, Sr. Moacyr Neuenschwander Júnior. É de clareza solar, caso não ocorra a retratação, a absurda decisão de excluir Maria Joaquina da competição, violará severamente direitos humanos, afrontando normas internacionais que garantam, no caso, o melhor interesse da criança. Para além disso, a identidade de gênero de Maria Joaquina constitui parte essencial parte da sua personalidade e um dos aspectos básicos da sua autodeterminação, dignidade e liberdade. A família lançou uma campanha e contam com a nossa ajuda. Compartilhem a #deixemmariaparticipardosulamericano e marquem a Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação @cbhp para que a mesma tome ciência da movimentação social/ virtual a favor da dignidade de Maria Joaquina”.

 

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Algumas coisas são difíceis de explicar, eu sei. Na verdade, tudo que foge ao bom senso e ao respeito pelo ser humano é de difícil compreensão. Já falei algumas vezes sobre ela por aqui, falo nas minhas aulas, cursos e palestras. Maria Joaquina, mais uma vez está vivendo uma experiência que as minorias experimentam: o não reconhecimento da sua dignidade humana. Maria Joaquina é patinadora profissional, federada pelo Estado do Paraná e no último campeonato brasileiro, ocorrido no dia 22 de março, em Joinville, classificou -se em segundo lugar. De acordo com as regras, as cinco primeiras colocadas, conquistaram uma vaga para competir no campeonato sul-americano. Todavia, nesta semana, os pais receberam um comunicado de que sua filha não poderá competir, por um único detalhe, completamente insignificante, conforme o próprio vídeo demonstra. Maria Joaquina é uma criança transexual que ainda não obteve determinação judicial para retificação do seu registro de nascimento. Em dezembro do ano passado, os pais ingressaram com ação de retificação de registro civil para adequação de seu nome e gênero na certidão de nascimento e até o momento não conseguiram a tutela do Estado. O processo está com vistas ao Juiz, após parecer favorável do Ministério Público. Diante da ausência da certidão de nascimento constando seu nome e gênero feminino, Maria Joaquina foi desclassificada da categoria feminina. A Defensora Publica que esta a frente do caso, oficiou o Presidente da Confederación Sadamericana de Patin e, ainda, a Federação brasileira de Hóquei e Patinação, ambas com o mesmo presidente, Sr. Moacyr Neuenschwander Júnior. É de clareza solar, caso não ocorra a retratação, a absurda decisão de excluir Maria Joaquina da competição, violará severamente direitos humanos, afrontando normas internacionais que garantam, no caso, o melhor interesse da criança. Para além disso, a identidade de gênero de Maria Joaquina constitui parte essencial parte da sua personalidade e um dos aspectos básicos da sua autodeterminação, dignidade e liberdade. o direito A família lançou uma campanha e precisam da nossa ajuda!! (Continuação nos comentários).

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Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas EVA e Revista Guia SP, da Jovem Pan.

  • Está certo, ele é um menino, mesma que aparenta ser uma menina, mas é um menino, quando crescer, será um homem e isso nunca vai mudar!

  • Pode mudar RG muda nome mudar o órgão genital , faxer o que quiser sempre será MACHO , MENINO, GAROTO , BOY, HOMEM , MASCULINO ETC , Povo perdeu o senso de ridiculo

  • A genética NÃO MUDA!!!! Daqui a um milhão de anos, se encontrarem o corpo de Maria Joaquina, o DNA apontará MACULINO. SEXO MASCULINO!
    As pessoas precisam parar de enlouquecer. Se não gostam ou não se vêem com o sexo que nasceu, precisam aceitar que SÃO SIM O WIE NASCERAM, mas vivendo como o sexo oposto. E existem coisas que não tem como forçar, pq EXISTEM DIFERENÇAS GRITANTES entre homens e mulheres. A composição dos dois sexos é diferente. Coloquem a mão na consciência, gente. Não é caso de preconceito. É bom senso. Sanidade mental, biologia!!!!!! As coisas são como são! Fato! Fato! Fato!!!!!!!!!!!!

  • Está na hora desse comitê criar uma liga para trans. Pois não é justa a competição entre HOMENS BIOLÓGICOS e MULHERES BIOLÓGICAS. Não ao preconceito e não tbm às vantagens em cima das mulheres biologicamente inferiores em força física em relação aos homens. Bom senso, por favor!

  • Vejo que os comentários aqui são de pessoas sensatas…
    Está cheio de trans, que na verdade são homens, querendo disputar contra mulheres. Mas ninguém vê uma mulher que se declara homem querendo disputar uma competição de volei, basquete, futebol ou MMA com os homens de lá.
    Isso me parece oportunismo e falta de ética!

  • Pode mudar o sexo, mudar o documento, mas uma coisa é certa: a estrutura óssea, os músculos do sexo masculino são diferentes do feminino. Seres humanos do sexo masculino tem mais força que do feminino. Isso não é justo com as outras crianças do sexo feminino que competem com uma criança trans. Eu respeito às escolhas, de sexo, de mudanças, não gosto de incentivar o preconceito, mas não tem como querer igualar o corpo ( força, disposição) de um homem com uma mulher, principalmente no esporte . Isso é fato.

  • No esporte é complicado. Cada um tem que competir no sexo que nasceu, senão não fará sentido separar times femininos e times masculinos. Existe uma razão pra separacao e não é preconceito

  • Penso que é como um cego que quer dirigir veículo ou pilotar avião: lamento por sua condição, sinto por você ser assim, mas não pode. O “trans” qualquer coisa é assim também, a opção foi dele, então aceite as consequências, porque não é justo com as meninas, afinal, o camarada é um menino. O negócio todo é tão simples, não seu porque tanto alarde.

  • É um assunto muito complexo. A pergunta que deve ser feita nesse caso: ela leva alguma vantagem competitiva por ter nascido menino?
    Se não, acredito que deveria ser autorizada a competir.

  • Pessoal da modalidade que mais tem gays na história, está em polvorosa. Socialmente ela pode ser o que quiser, quando, como e sempre, mas no esporte não! Que criem uma liga trans. A rápida evolução desta criança na modalidade, é algo surreal, ela é visivelmente mais forte. Triste colocar crianças numa situação dessas, de injustiça, tanto pra ela como desclassificada, quanto pras concorrentes, que mal entendem o que está acontecendo.

  • Por mim deveria competir, sim, pos é um esporte onde uma maior força física por ser do gênero masculino não interfere. Já em outros esportes onde uma maior força física que eventualmente fará a diferença não deveriam.
    Interessante como neste esporte, especificamente não pode e, já em tantos outros que a força física realmente faz a diferença podem…

  • Bem feito!Sera q vcs nao sabem diferenciar o corpo de uma mulher de o corpo de um homem? E injusto misturar! As geneticas sao completamente diferentes

  • Existe um ERRO grave na postagem do Instagram de Melissa Veiga, que deveria o editor do EVA colocar um “sic” !

    Não existe “patinadores profissionais” no Brasil … todos , até os adultos são amadores. Maria Joaquina não é “patinadora profissional” !

  • Que horror quererem impor, obrigar a sociedade a mudar de costumes e valores na marra. Não adianta, não dá pra aceitar essa aberração, as pessoas podem mudar de sexo, mudarem a forma de vestir e se portar, mas a genética não tem como mudar. Parem com essa loucura, aonde que uma criança de 11 anos já tem maturidade pra trocar de sexo. Meu Deus o mundo pirou, é o Armagedom.

  • Pelo menos uma federação do esporte teve coragem. Não adianta ele é menino..Trata-se de genetica..O certo seria fazer campeonatos para trans( simples assim)…O Globalismo quer impor algo goela abaixo..
    É uma covardia contra as mulheres. Nós temos menos força que homens..Pelo amor de Deus. Isso deveria estar enquadrado no dopping…

  • Serio gente que vcs do comentario estao questionando a identidade da Maria. Que falta de humanidade de vcs. Vao se tratar pois vcs sao muito vazios. Ela é uma crianca, que so quer ser Feliz e aceita. Sao pessoas mal resolvidas que destilan preconceito. Aos especialistas em biologia que estao falando em genetica, por favor anexem o diploma de doutorado. Pois falam como se fossem especialista.

  • Paty, vamos lá, civilizadamente…
    Deixa eu tentar entender. Esqueçamos essa coisa de “meninos e meninas” e nos atentemos às regras, pelo menos da forma que eu as entendo (e aceito correções).
    1) Ela competiu na categoria feminina. Logo, a categoria na qual ela se classificou pro Sul Americano foi a feminina. Ela não pode ser chamada para competir no masculino simplesmente porque não competiu e não se classificou em tal categoria. Confere?
    2) Uma vez classificada na categoria feminina, o que diz o regulamento da Confederação Sul Americana? Que o documento tem que corresponder ao sexo da pessoa. Se é uma menina que vai competir na categoria feminina, o documento tem que estar registrado como sexo feminino. Esse regulamento não foi criado ontem, inclusive. Confere?
    Então, me desculpem, mas não vejo preconceito aí ou que estejam impedindo de competir “por ser trans”. Se a documentação dela estivesse em ordem, ela estaria competindo normalmente, sendo ou não sendo trans. Se eu mandar um documento em desacordo com o que exigem a CBHP ou a FPPA, minha filha não compete nem a nível estadual, nem a nível nacional. Cabe a mim, como pai da menor, inclusive, me informar com antecedência do que é necessário para que o registro em ditas federações seja feito corretamente e eu não tenha surpresas, principalmente se eu souber que minha filha é um caso diferenciado, não comum (ou o nome mais adequado que seja).
    Entendo, ainda, que o processo da documentação está em trânsito desde dezembro e que a documentação está presa à burocracia. Só que “dura lex sed lex”. Quando tenho que apresentar um documento a qualquer órgão público, não interessa se “não o tenho porque a burocracia é demorada”. Só vão me liberar o que eu preciso quando eu tiver o documento exigido em mãos.
    A meu ver, CBHP está apenas seguindo as regras…

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