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A difícil humildade

Quando jogam nas equipes principais de cara o número de seguidores, nas redes sociais, se multiplica do dia para noite. Ele passa a ser reconhecido nas ruas e ser assediado.

 

 

 

No começo do ano os jogos que temos são da Taça São Paulo. Já foi importante. Hoje só serve para cobrir grades de programações da mídia, enquanto o futebol profissional está em férias. Mas muitos meninos gostam desta exposição de mês inteiro para se mostrar um pouco mais, embora tenham calendário em suas categorias, durante todo ano, coisa que não havia quando a Taça foi criada e teve relevância.

O grande problema desta fase da carreira da molecada é o momento da transição para o time profissional. Eles deixam de ser “meninos” para virarem “homens”. E a maioria não está preparada para manter o mesmo nível. O jogo é outro, a responsabilidade é bem maior e estar na grande mídia pode significar mudança de patamar para o bem ou para o mal.

Há alguns anos as cabeças eram outras. Não havia tanto estafe e tanto dinheiro envolvidos com jovens jogadores. Agora, quando o rapaz sobe, fica difícil voltar para melhor preparação, mesmo que isso seja necessário. E aí muitos ficam pelo caminho. Quando jogam nas equipes principais de cara o número de seguidores, nas redes sociais, se multiplica do dia para noite. Ele passa a ser reconhecido nas ruas e ser assediado.

O retorno eventual pode ser visto como fracasso e não correção de rota. Vira confusão e não em poucas ocasiões o menino não atinge o nível que seria capaz. Não consegue avançar. Esse problema tem sido discutido por gente muito séria do nosso futebol. Perdemos bons jogadores por faltar cabeça para aceitar a reciclagem. Subir e não sentir nada é coisa para poucos. A maioria precisa ir e vir por um tempo. Os que aceitam essa lei natural, evoluem. Boa parte some, desaparece com seus sonhos, por não saber esperar o momento certo.