‘Enoteca’: Na Sicília, o que realmente importa é o produtor

*Por Esper Chacur Filho

Nunca escondi minha paixão pela Sicília, esta ilha mística e histórica do sul da Itália. A Sicília tem personalidade própria e forte, que começa no dialeto e avança na mesa, passando pelos seus vinhos.

A cultura do vinho na Sicília remonta à antiguidade, tendo os Gregos como precursores (3.500 anos atrás) com a fundação das cidades de Siracusa e Agrigento. O auge se deu no século XVIII, quando os ingleses criaram o Marsala. Hoje em dia, estamos assistindo ao renascimento da Sicilia como importante produtora de vinhos de qualidade. Só que, desta vez, os méritos se devem aos vinhos secos, brancos, rosês e tintos extremamente
particulares.

O blog “Guia do vinho” nos conta que a Sicília é a maior região produtora de vinhos da Itália, produz algo como 8 milhões de hectolitros. Curiosamente, os vinhos de denominação de origem controlada (DOC) respondem apenas a 2,1% dos vinhos produzidos. Assim sendo, as regiões DOCs não são tão importantes, prevalecendo os vinhos IGT.

Na Sicília o que realmente importa é o produtor.

Os vinhos tintos costumam ser bem encorpados, especialmente aquelas da casta Nero Dávola, e os brancos têm acidez e minerabilidade especiais. Por aqui, encontramos muitos vinhos sicilianos, sendo que o Corvo Dulca, de Salaparuta, é o mais comum. Desse produtor recomendo o branco, de especial qualidade. Vale também provar o Rosso Del Conte, da Tasca D´Almerita, e o Sédara, da DonnaFugata. Os tintos vão bem com carnes gordas e, os brancos, com frutos do mar bem temperados.