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Primeiro painel expõe as armadilhas de empreender no Brasil – e mostra como superá-las

Maria Isabel, diretora de projetos do IFL, anunciou qual seria o tema do primeiro painel do fórum: as armadilhas de empreender no Brasil, desde a “legislação opressiva” até o “Estado onipotente e onipresente” e a visão “vilanista” do empresariado. Mediados por Denise Campos de Toledo, participaram do debate David Vélez (CEO do Nubank), Eduardo Mufarej (presidente do conselho do Somos Educação) e Adriano Gianturco (cientista político). E esse último foi bastante direto. Para ele, essas dificuldades têm sido impostas propositalmente como uma estratégia do governo.

“Todos conhecemos nossa situação. É assim por dois motivos: ideias erradas e interesses sujos. Pela visão marxista de que o empreendedor é mau, explorador, rouba, não produz. Pela visão positivista e desenvolvimentista de que o empreendedor não deve existir, de que o Estado tem que induzir crescimento. Pela visão elitista também de parte da população que fica contente quando tiram o ambulante das ruas para ter uma via ‘limpa’ como Paris. Os estados da América Latina são patrimonialistas. Um tipo de estado que nasce muito de cima para baixo. Os governantes administram o país como a própria propriedade. Então impedir de empreender é estratégico. As burocracias são estratégicas. É aumentar a arrecadação para ter o controle social”, explicou.

Vélez, então, usou a história de sua empresa para mostrar como esse cenário pode ser revertido. Contou que o Nubank surgiu assim que ele, colombiano, tentou abrir uma conta bancária em uma grande instituição brasileira. Tentou passar pela porta, o alarme disparou, voltou, tentou de novo, aguardou meia hora pela gerente, conversou com outro funcionário, ouviu que tinha que falar com o SAC… e nisso ficou por quatro ou cinco meses.

“Quando consegui, vi que os juros eram de mais de 400% por ano, isso sem falar nas tarifas! Comecei a entender: era um dos sistemas mais caros do mundo. Estávamos pagando as maiores tarifas do mundo e recebendo os piores serviços do mundo. Era como pagar passagem de primeira classe para viajar de ônibus. Decidi criar o Nubank e milhões de consumidores frustrados deram chance ao nosso produto”, disse. “O Brasil tem armadilhas, sim. Mas delas nascem as oportunidades”, completou.

Para que essas armadilhas sejam ultrapassadas, no entanto, não basta somente o talento e o esforço pessoal. Como destacou Mufarej, chegou a hora de os empreendedores se unirem e se articularem para que finalmente tenham suas vozes ouvidas pelas autoridades.

“Por isso lancei um projeto para renovação política (RenovaBR). Lançamos 120 candidatos em todos os estados do país, desde a favela até a Faria Lima. Espero começar a reverter o jogo da representação que nossa sociedade perdeu. Enquanto empreendedores, temos que ocupar melhor os espaços. Ser empreendedor é difícil, mas o que estamos fazendo para começar, de fato, a reverter esse jogo? Minha principal reflexão que fica é essa. Cadê nossa voz?”, finalizou.