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Quais são as perspectivas para o Brasil? Elas existem? William Waack media debate

“Estou com dificuldade para iniciar o painel por causa da palavra ‘perspectivas’. Ninguém conseguiu encontrar. Não tenho ideia de como começar”, provocou o jornalista e mediador William Waack logo no início do segundo debate do dia, chamado Perspectivas para o Brasil. Estiveram presentes Mailson da Nobrega (economista e ex-ministro da Fazenda), Elena Landau (economista) e José Olympio Pereira (Presidente da Credit Suisse no país).

O primeiro iniciou a discussão apresentando um panorama do cenário atual. Segundo ele, essas serão as eleições mais importantes desde o processo de redemocratização e o período será marcado ou pela retomada de reformas ou pelo retrocesso. “O presidente vai ter dois desafios básicos daqui para frente: primeiro, evitar a insolvência do setor público, o colapso fiscal. Isso depende da reforma da previdência. Segundo, aumentar a produtividade. Sem ela, não tem crescimento. Não é tudo na economia, mas, a longo prazo, é quase tudo. E para ganhar produtividade, precisamos de outro conjunto de reformas”, disse.

“É sempre bom tê-lo na conversa, você é um otimista”, brincou Elena em seguida. “Eu vejo o cenário com muita preocupação. Acho que será divisora de águas, essa eleição. Pode ser um retrocesso da esquerda ou uma aventura da direita. Eu tinha começado o processo mais otimista também, achei que havia um consenso sobre a necessidade de reformas. Agora, com os debates, aparecem muitas diferenças entre os candidatos, mas não está claro nos programas como pretendem enfrentar a crise fiscal. A verdade é que a gente devia fazer uma revisão das reformas getulistas. Senão não vamos chegar a nenhum lugar. É CLT, banco público, proteção e tutela do Estado… Os candidatos têm que ter essa pauta”.

José Olympio seguiu nessa linha. “Muitos candidatos falam em caminhos alternativos muito bons, mas não explicam como financiarão. Eu acho que não tem saída. Quem estiver lá vai ter que fazer as reformas! Minha visão hoje é mais positiva, sobre o que precisa ser feito. Dificilmente vamos ter ‘maluquices’ no próximo governo (…)”, opinou.

“Uma coisa que eu queria destacar é que o grande desafio do presidente é o da comunicação. Todos os governos têm tido uma dificuldade enorme em se comunicar com a população que tem uma visão diferente. Na greve dos caminhoneiros vimos isso. As pessoas ainda acham que o governo cria dinheiro. Tinha que ter uma reforma cultural. Um programa de comunicação real. Um ministro que fosse quase um pregador do evangelho para pregar o pensamento liberal e botar na cabeça do brasileiro esses conceitos básicos. Ou um líder convicto de suas metas que consiga convencer o Congresso e a população a seguir em seu sentido”, concluiu.