Anualmente, a revista Time publica sua lista com as 100 pessoas mais influentes do mundo. Na categoria líderes, este ano, o presidente Jair Bolsonaro é o único brasileiro a figurar entre os 100, ao lado de outros como o opositor venezuelano Juan Guaidó, o israelense Benjamin Netanyahu, Donald Trump, a congressista democrata americana Alexandria Ocasio-Cortez e a premiê da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que ganhou reconhecida  pela forma como lidou com o massacre nas mesquitas em seu país.

Em 2018, nenhuma personalidade brasileira apareceu no ranking. Já em 2017, tivemos indicados o jogador de futebol Neymar e a cientista Celina Turchi, por suas pesquisas sobre zika. No ano de 2016, o agora  ministro da Justiça Sérgio Moro, foi destaque entre os líderes, por seu trabalho a frente da Operação Lava Jato.

Lula esteve nas listas de 2004 e 2010, e Dilma nas listas de 2011 e 2012. O ex-presidente Michel Temer foi citado em uma outra lista feita pela Time em 2017, como um dos cinco líderes mais impopulares do mundo, ao lado do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Quem assina o artigo sobre o presidente brasileiro é Ian Bremmer, editor da revista e presidente da consultoria de política de risco do Grupo Eurasia. 

“Jair Bolsonaro é um personagem complexo. Depois de três meses como presidente do Brasil, ele representa uma ruptura com os dez anos de corrupção de alto nível, e a melhor chance em uma geração para o Brasil avançar em reformas que podem domar o endividamento crescente. O ex-oficial do Exército também é um garoto-propaganda da masculinidade tóxica, um homofóbico ultraconservador com objetivo de lançar uma guerra cultural e talvez reverter o progresso do Brasil em combater as mudanças climáticas.

Seu apetite por controvérsias obscurece uma importante verdade sobre seu país: Brasil segue como um democracia dinâmica, com instituições robustas que limitarão tanto as medidas boas quanto as ruins que ele venha a tomar. Se ele pretende deixar algum legado, Bolsonaro terá que aprender a trabalhar com o sistema, de modo a fechar os acordos necessários para avançar sua agenda. O tempo dirá se tem ou não flexibilidade e resiliência de caráter.”

O autor do artigo já havia previsto a vitória de Bolsonaro quando de especulações sobre o pleito em 2018. Seu último livro Us vs. Them: The Failure of Globalism (“Nós contra eles: o fracasso do globalismo”), Ian Bremmer diz que o discurso populista do “nós contra eles” tende a chegar também aos emergentes. como exemplo, usa o Brasil, e a insatisfação com os serviços públicos, que leva a uma reação contra políticos vistos como incompetentes e corruptos.

Quando a revista The Economist publicou a capa com o título Bolsonaro Presidente, Latin America’s latest menace (a mais recente ameaça da América Latina , Bremmer falou a respeito à revista Exame:

Você vê um risco para a democracia brasileira, considerando o apoio de Bolsonaro à tortura e seus ataques a minorias, por exemplo?

Não, e acho que a capa da Economist foi exagerada. Bolsonaro disse algumas coisas que certamente sugerem pouco interesse em direitos humanos e instituições democráticas, mas é forte a legitimidade destas instituições, tanto entre os partidos políticos quanto no Judiciário.

 

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