Com a publicação recente das reportagens do The Intercept que mostram as trocas de mensagens entre o juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol , muitos se perguntavam o que estaria pensando José Padilha, diretor de Tropa de Elite e recentemente da série da Netflix, O Mecanismo, agora em sua segunda temporada, e que trata, mesmo que livremente baseada, da operação Lava Jato.

Não é de hoje que o diretor tem suas críticas ao juiz Sergio Moro, que depois da eleição de Jair Bolsonaro, assumiu cargo de Ministro da Justiça. Padilha criticou recentemente uma parte do pacote anticrime enviado ao Congresso, considerando que pontos estimulariam o crescimento da violência policial no país, e falando da existência das milícias. Para a Folha de São Paulo, Padilha escreveu um novo artigo, publicado esta manhã.

Ele se endereça aos formadores de opinião brasileiros, à direita e à esquerda. De um lado os que defendem Lula, e “se recusam a aceitar que ele capitaneou a associação PT-PMDB com um cartel de empreiteiros que desviou bilhões de dólares dos cofres públicos”. Do outro os que fingem não ver que “Jair Bolsonaro, além de desqualificado, tem conexões com a esgotosfera da polícia do Rio de Janeiro”. Para Padilha:

“No que tange à honestidade intelectual, a direita pró-Bolsonaro e a esquerda pró-Lula se tornaram irmãs siamesas: nunca mudam de opinião.”

Para defender sua tese, Padilha parte de 10 pontos que  a esquerda petista acredita e que direita Bolsonarista rejeita:

 “1 – a violência policial é um problema no Brasil; 2 – não deve haver uma reforma da Previdência; 3 – todos os atos de Moro na Lava Jato foram nefastos; 4 – Dilma e Lula são honestos; 5 – não pode haver privatizações; 6 – prisão em segunda instância é cercear o direito de defesa; 7 – o mensalão não existiu; 8 – a liberdade sexual é um direito individual; 9 – a maconha deve ser legalizada; e 10 – o impeachment foi um golpe.”

Então, ele desenvolve afirmando que a aceitação de um ponto não implica em aderir a outros, e que quem pensa assim não cabe nem no petismo nem no bolsonarismo. É assim que ele se define, e perante as mensagens vazadas de Moro, se coloca:

“Mostram um juiz trabalhando com procuradores para condenar réus. À luz deste fato, concluo que a Lava Jato foi um embate entre políticos corruptos e uma equipe de justiceiros…”

O cineasta segue dizendo que quando criticou a Moro, observou que parte da esquerda entendeu que ele estava aceitando todas as suas outras teses.

“Cruz-credo, digo eu! Faço questão de não pertencer nem ao petismo nem ao bolsonarismo, as duas manadas dominantes no Brasil.”

Padilha fecha seu texto para a Folha com uma sugestão:

“Observem calmamente o que se passa em seus grupos de WhatsApp. Se fizerem isso, perceberão que nunca mudam de ideia porque têm medo do julgamento de seus pares.”

E fecha com uma frase do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein:

 “o inferno não são os outros, o inferno são vocês mesmos”.

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