Acordei e corri para a plataforma para conferir Homecoming, o documentário que detalha do showzão de Bey no Coachella em 2018, com direito não só ao que aconteceu no palco, mas também bastidores e detalhes da concepção do show que impactou o mundo do entretenimento e deu ao festival o singelo apelido, naquela ano, de Beychella.

“Homecoming traz um olhar íntimo sobre o show histórico de Beyoncé em 2018 no Coachella, que homenageou os colégios e universidades historicamente negros da América. Intercalado com imagens e entrevistas, detalhando a preparação e a poderosa intenção por trás de sua visão, Homecoming traça o caminho emocionante de um conceito criativo que se transforma em movimento cultural.”

 

Já no trailer, o exato resumo da proposta, na voz de uma das maiores ativistas do movimento negro nos EUA, Maya Angelou (1928-2014).

São mais de duas horas de filme. Nas primeira cenas, a apoteótica entrada da diva no palco do festival, as coreografias e movimentações de palco intercalando imagens do primeiro e do segunda final de semana de apresentação, numa mistura ritmada de amarelo e pink. Imagens em super 8 mostram diferentes pontos de visualização do show, e a apresentação é intercalada por testemunhos de Beyoncé, cenas do ensaio, relatos da cantora sobre o que ela queria ver representado no palco.

Vocês bem devem se lembrar que dez meses antes dessa apresentação, Beyoncé estava dando à luz aos seus filhos gêmeos, Sir e Rumi. Essa volta aos palcos também dá tônica ao documentário.

E detalhe! Além do filme, Beyoncé lançou também um álbum ao vivo com 40 ( SIM, 40) faixas. Todo o show, picotado e lindo pra vocês ouvirem em casa e ainda músicas de Lemonade, um cover de Before I Let Go, de Frankie Beverly, e até da filha mais velha da cantora, BLUE IVY soltando a vozinha.

RELEMBRE BEYCHELLA

A gente já sabia que seria algo impactante, por que se fosse diferente Beyoncé nunca entraria pra jogo. Agora, a primeira mulher negra a ser headliner do Coachella fez bonito com um show inesquecível. Sua entrada triunfal como uma rainha africana, uma Cleópatra atualizada, o look moletom amarelo, com shorts jeans e bota cheia de fios holográficos ( 5 looks do figurino assinados por Balenciaga), tudo já virou ícone.

Duzentas pessoas entre dançarinos e músicos, que se organizavam e vibravam em formações sobre uma escadaria. No palco, a high school negra americana reverenciada com uma mega marching band <3 Teve até Lift Every Voice and Sing , de James Weldon Johnson e considerado o hino negro dos Estados Unidos.

As passarelas que traziam a rainha para perto dos súditos rendidos, e a humildade de sempre reverenciar a família, com participações do marido Jay Z e da irmã Solange, e reviver em sua volta aos palcos o trio Destiny´s Child , no qual começou.

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Quando Kelly Rowland e Michelle Williams andava com Beyoncé, ela não estava à frente. Não precisava estar. As três não se apresentavam juntas desde 2015, e cantaram os hits Lose My Breath, Say My Name e Soldier.

“Obrigada por me deixarem ser a primeira mulher negra como atração principal do Coachella. Era para eu ter me apresentado antes, mas acabei ficando grávida. Eu tive tempo para sonhar sobre esse show, com duas almas lindas na minha barriga, e isso é mais do que eu sempre sonhei. Eu espero que vocês tenham gostado, trabalhamos duro’
Foi #beychella sim. E com diversas referências políticas. Feminista, citou a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e homenageou a cantora Nina Simone ( Lilac Wine e rolou um momentinho Strange Fruit), ativista dos direitos civis dos negros norte-americanos. A força negra também foi trazida em referências aos Pantera Negra e em trechos do discurso de Malcolm X. Além dos hits de todas as fases da carreira da cantora, ela ainda realizou vários mash ups com trechos de músicas de Juvenille e Fela Kuti.
Duas horas de uma presentação vibrante, perfeita tecnicamente e inesquecível. Agora quem sabe, na Netflix para a gente ver e rever.
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