A juíza Rosângela Rodrigues dos Santos, da comarca de Abadiânia aceitou a denúncia oferecida em dezembro pelo MP de Goiás. Agora, João Teixeira de Faria é réu, e responderá pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual. O processo correrá sob sigilo e se refere à primeira denúncia oferecida pela força-tarefa do MP-GO, que soma quatro crimes sexuais investigados pelos promotores e pela Polícia Civil. São dois casos de violação sexual mediante fraude e duas acusações de estupro de vulnerável. Todos os casos datam de 2018, sendo o mais recente de outubro deste ano. Também nesta denúncia existem depoimentos de outras 15 vítimas do réu.

Em nota, o advogado de defesa Alberto Toron disse que ainda não tinha conhecimento da decisão.

“De qualquer modo, é importante esclarecer que se trata de uma decisão provisória, sujeita à confirmação após a apresentação da resposta à acusação. Estamos serenos e confiamos na justiça”

Antes, João era apenas investigado, e agora com o recebimento da denúncia, ele passa a ser réu. Os próximos passos são a defesa preliminar, seguida da instrução processual, onde serão ouvidas as testemunhas e vítimas, e ainda deve haver um novo interrogatório. Só então teremos uma sentença.

Além do âmbito criminal, uma outra ação, cível, contra João Teixeira de Faria está em andamento. O MP-GO pediu, em dezembro, o bloqueio de bens do réu no valor de R$ 50 milhões, entre grana e imóveis. Acatado, agora acontece o cumprimento da decisão, que quer garantir a viabilidade do pagamentos de possíveis processos por danos morais coletivos e danos individuais sofridos pelas vítimas, em caso da condenação do réu.

João de Deus está preso preventivamente desde o dia 16 de dezembro em Goiânia e nega as acusações. Desde que surgiram as primeiras denúncias, o MP e a polícia civil receberam cerca de 500 acusações de mulheres contra ele.

POSSE ILEGAL DE ARMAS

Nesta quarta-feira, o réu foi ouvido pela Polícia Civil de Goiás para esclarecer a questão da posse ilegal de armas. Revólveres e pistolas foram achados na casa dele durante operações de busca e apreensão. João de Deus justificou a posse dessas armas dizendo que eram de pessoas que queriam tentar se matar,  e que eram também “garantia” de empréstimos.

Das quatro armas encontradas na casa dele, duas teriam sido deixadas lá por pessoas que o procuraram com desejo de se matar, desistindo disso por intermédio de João de Deus. A terceira arma teria sido deixada lá como garantia, por uma pessoa que pegou R$ 950 reais. Já sobre quarta arma, o interrogado disse não se lembrar como conseguiu.

TRÁFICO DE BEBÊS

O Ministério Público de São Paulo encaminhou ao MP-GO a denúncia de tráfico de crianças, feita pela ativista Sabrina Bittencourt, contra João de Deus. A promotora de Justiça Gabriela Manssur colheu um depoimento da denunciante  e enviou relatório para o órgão em Goiás, que deve continuar as investigações. O relato de Sabrina foi feito por videoconferência, pois a ativista, por questões de segurança, está em local não divulgado.

A coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, Valéria Scarance disse à Folha de São Paulo:

“Ela entrou em contato com o MP e nos passou todos os detalhes e os nomes das pessoas envolvidas nesse caso de venda e tráfico de crianças. Também nos forneceu provas. Todo esse material foi formalmente encaminhado ao MPF e também ao MP de Goiás”

Posted by Sabrina de Campos on Monday, January 7, 2019

Semana passada, Sabrina publicou um vídeo em que pede ajuda para que ela consiga falar com mulheres dispostas a denunciarem o esquema  de tráfico de bebês que seria chefiado por João de Deus. Outros integrantes da equipe que agia em Abadiânia também foram denunciados pela ativista. De acordo com o relato, a pretexto de alimentar mulheres grávidas e sem dinheiro, essas pessoas aliciavam essas mulheres para então roubar e vender esses bebês à casais estrangeiros.

“Em geral, [eram] mulheres negras de baixa renda, tanto em Abadiânia quanto em Anápolis e no norte de Minas, que viviam próximas dos garimpos ilegais de João de Deus”

A narrativa é arrepiante, e também fala de garotas mantidas como matrizes, apenas para reprodução e depois mortas, escravas sexuais de 14 a 18 anos e tantos outros horrores. Sabrina conta que tem o contato de mães que teriam adotado os filhos dessas mulheres em pelo menos três continentes.

Ao R7, a ativista encaminhou áudios de um conversa com Rodrigo Mello Oliveira, cunhado de Chico Lobo, administrador da Casa Dom Loyola e citado por ela no vídeo.

“Você é uma brasileira que não mora no Brasil. Você não vive aqui para vir e falar. Ofender as pessoas daqui é muito fácil, né? Você ‘tá’ achando que está protegida, né? Só que toda a sua família e tudo o que você tiver no Brasil você vai perder”

Ao R7, Rodrigo afirmou que a intenção não foi ameaçar Sabrina.

“Ela está difamando a minha família. A minha família vai entrar na Justiça contra ela pedindo danos morais, porque ela está afirmando que meu cunhado é estuprador. Então, ela está afirmando isso sem provas, nem conhece a gente. A gente é trabalhador, é pessoa de [boa] índole. Não é ameaça alguma”

Ele disse que quando disse “você vai perder tudo” se referia a indenização que vai pedir pelo que ela disse.

o advogado de defesa Alberto Torondefensor de João de Deus, afirmou que irá aguardar a investigação.

“Sobre a autodenominada ativista, conheço apenas as gravíssimas acusações, mas são afirmações, múltiplas e variadas, que vão do tráfico de bebês à escravidão, porém sem a apresentação de quaisquer provas. Sem estas, a fala dela desmerece maior consideração. Aguardemos, pois, a investigação”

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