Malala Yousafzai, a  jovem paquistanesa vencedora do Nobel da Paz está no Brasil pela primeira vez. Ontem, falou em um evento fechado para convidados do Banco Itaú, muitos deles jovens brasileiras que atuam em projetos em prol da educação.

“Um dos motivos que eu estou aqui é que no Brasil existem 1,5 milhões de meninas que não podem ter acesso à educação. Eu também fui privada de educação quanto o Talibã proibiu as meninas de estudarem”

Malala completa 21 anos agora em julho, sendo a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz da história( ela tinha 17 anos). Em 2009, o exército Talibã institui, no Paquistão, uma política que proíbe meninas de frequentarem escolas. Sendo filha de professor e apaixonada pelos estudos, aos 11 anos, Malala passou a dar entrevistas e a escrever um blog em defesa dos direitos das mulheres à educação. Em 2012, quando voltava da escola, tomou um tiro na cabeça, e por questões de segurança, aos 15 anos, se viu obrigada a deixar seu país natal. A garota sofreu sequelas desse atentado, não retomou os movimentos do lado esquerdo do rosto e perdeu a audição do ouvido esquerdo. Foi morar na Inglaterra, onde hoje estuda Filosofia, Política e Economia na Universidade de Oxford, e passou então a promover o poder da educação para as mulheres em todo o mundo. Em 2014, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

Muitos se lembram de um frase forte de Malala, que fez parte de um discurso que ela proferiu aos 16 anos, em 2013, na Organização das Nações Unidas:

“Nossos livros e nossas canetas são nossas armas mais poderosas. Um criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.”

Aqui em São Paulo, Malala reforçou seu discurso de transformação através da educação quando respondeu às perguntas da platéia, com mensagens fortes:

“Sei que às vezes existe raiva ou falta de esperança, mas a sua luta, o seu ativismo, tem o poder de fazer mudanças. Vocês não devem esperar que alguém fale por vocês. Vocês sempre têm de erguer suas vozes.”

Malala tem ainda uma agenda cheia de encontros com ativistas sociais e visitas a entidades em prol da educação. Durante a palestra de ontem, ela contou que anunciará 1 projeto de parceria com o Brasil, daqui a 2 dias.

“Nós apoiamos o ativista local. Meu objetivo é criar 1 movimento de defensoria para meninos e meninas”

“A melhor forma de melhorar a educação em qualquer país é fazer parcerias com as ativistas locais. Vamos focar nas regiões que mais precisam, como o Nordeste do Brasil, mas também vamos apoiar outras campanhas. Queremos trabalhar junto com vocês. Estou aqui para aprender e usar o Fundo Malala da melhor maneira”

O Fundo Malala apoia projetos que lutam pela igualdade de gênero na educação em países da África e da Ásia. Malala quer contribuir para garantir educação para 1,5 milhão de meninas no País que estão fora da escola, em sua maioria negras, indígenas e de famílias pobres.

“São meninas que estão tendo o seu direito negado, como ocorreu comigo. Quero, junto com vocês, encontrar formas de garantir que tenham acesso a uma educação de qualidade, que significa dar condições a elas de saber ler e escrever e também de sonhar”

“Precisamos que todas as meninas estejam na escola, mas não podemos parar aí. Quem está estudando não pode ter medo, ser intimidada, desmotivada ou desmoralizada. Essas meninas têm o direito de estudar, não podem ser forçadas a trabalhar, casar ou ter filhos”

Perguntada sobre a raiva que poderia sentir em relação àqueles que a feriram gravemente, a garota respondeu:

“A melhor vingança que encontrei foi ir atrás de educar todas as meninas e meninos do mundo, incluindo os filhos daqueles que me atacaram. Uma mensagem de paz tem muito mais força do que uma de raiva”

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