Vocês bem se lembram da entrevista de Jair Bolsonaro ao Jornal Nacional quando o candidato falou de um suposto “seminário LGBT infantil”** que teria sido realizado na Câmara dos Deputados, o que não ocorreu. E logo depois sacou um livro e queria mostrar para as câmeras, mesmo isso sendo contra as normas estabelecidas para todas as entrevistas com presidenciáveis. De acordo com o candidato, a publicação tinha sido comprada pelo MEC para compor o que ele chama de kit gay. Importante ressaltar que o tal kit gay foi barrado pelo Governo Dilma Rousseff em 2011, e que o livro Aparelho Sexual e Cia. – Um Guia Inusitado Para Crianças Descoladas nunca fez parte do material produzido para o projeto Escola sem Homofobia.

Depois disso, a editora Companhia das Letras esclareceu que a publicação Aparelho Sexual e Cia não foi comprada pelo Ministério da Educação, mas sim 28 exemplares foram adquiridos por um programa do Ministério da Cultura e distribuídos para bibliotecas públicas, nenhuma delas em escola ou entregues às crianças.

A história, lançada em 2001 e publicada pela primeira vez no Brasil em 2007 vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares no mundo e foi a base de uma exposição educativa no museu da Ciência e Indústria de Paris. A editora esclareceu que a publicação é voltada para adolescentes de 11 a 15 anos, tratando de assuntos como “paixão, mudanças da puberdade, contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, pedofilia e incesto”, com “sólida base pedagógica e rigor científico”. Pois se você ficou curioso para saber mais sobre o livro, saiba que Aparelho Sexual e Cia, da francesa Helene Bruller e com ilustrações do suíço Zep, volta às livraria nesta quarta com uma tiragem de 3 mil exemplares (valor aproximado de 40 reais).

Diversos especialistas foram ouvidos depois da entrevista ao JN. O Zero Hora falou com a pedagoga e educadora sexual Caroline Arcari, premiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que afirmou:

“Esse é um livro destinado a adolescentes a partir dos 12 anos. Nunca foi indicado ou comprado pelo MEC. Jamais esteve nas escolas públicas. Não chegou a crianças de cinco e seis anos, como Bolsonaro diz. Também não foi utilizado com adolescentes. É um livro que existe, mas na livraria, para quem quiser comprar.”

Ao El Pais, a própria autora do livro, Helene Bruller , comentou as criticas do candidato ao seu livro:

“Acabo de descobrir e me surpreendeu muito. O senhor Bolsonaro sabe muito bem que, ao dizer coisas ruins sobre o meu livro, ele aumenta consideravelmente as vendas. Então eu me pergunto: será que o senhor Bolsonaro quer divulgar o meu livro? Inconscientemente, eu até acho que sim. Eu acho que lá no fundo do Bolsonaro existe um pequeno garoto, o petit Jair, que teria adorado que, na sua infância, lhe tivessem dado de presente um exemplar de Aparelho Sexual e Cia ao invés de ficarem, com caras transtornadas, berrando e dizendo para ele: “Petit Jair, você vai para o inferno se se masturbar”.”

Não é de hoje que Bolsonaro critica a publicação baseado na informação falsa de que o livro é oferecido nas escolas públicas à crianças de 6 anos. Em um vídeo publicado em 2016, ele se mostra bastante chocado por questões propostas no livro como “Um menino pode gostar de outro menino? Uma menina pode gostar de outra menina?”. O livro também responde à outras questões: “Como é estar apaixonado? Como se beija na boca? Por que crescem pêlos e espinhas pelo corpo durante a puberdade?”

As respostas do livro vão nessa linha:

“Um menino pode gostar de outro menino? Alguns meninos sentem desejo por outros meninos. Às vezes, quando crescem, podem até passar a preferir as moças, e outros que preferiam meninas podem mudar de ideia também.”

“E o que é normal? Todo mundo se faz esse tipo de pergunta e, com o tempo, encontra a resposta: ouça o seu coração, e acabará descobrindo se é heterossexual (um menino que prefere as meninas, e vice-versa) ou homossexual (um menino que prefere os meninos ou uma menina que prefere as meninas).”

“Uma menina pode gostar de outra menina? Vale para as meninas o mesmo que para os meninos.”

Sobre o incentivo à pedofilia, o comunicado oficial da Companhia das Letras informa que o livro conta com uma seção chamada “Fique esperto”, que alerta os adolescentes para situações de abuso, explica o que é pedofilia — mostrando como tal ato é crime —, o que é incesto e até fornece o contato do Disque-denúncia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

** Entre os dias 15 e 16 de maio de 2012, a Câmara promoveu a nona edição do Seminário LGBT,  que tinha como tema Infância e Sexualidade, o colóquio tratava do combate à violência contra crianças que não se encaixam em papéis tradicionais de gênero, como meninos que não jogam futebol ou meninas que não gostam de brincar de boneca. O lema era “Todas as infâncias são esperança”.

CEO da CBS renuncia após denuncias de assédio Saiba tudo sobre O Grande Circo Místico, nosso representante na briga pelo Oscar

3 thoughts on “O livro proibidão criticado por Bolsonaro volta às livrarias”

  1. gustavo

    Um site como o JP , perdendo tempo com uma materia xula destas? pelo amor de Deus vamos fazer perguntas de economia, seguranca e esquecer esta palhacada que fulano e homofobico e racista isto nao existe..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.