Ontem, a Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados recebeu uma audiência pública para discutir se há vantagem esportiva para homens e mulheres transgêneros. Participaram do debate, Tifanny Abreu, atleta trans do Vôlei Bauru na Superliga feminina, e Ana Paula Henkel, ex-jogadora de vôlei e crítica à inclusão de atletas trans na liga.

A Câmara discute três projetos que determinam o sexo biológico como parâmetro para a participação em atividades esportivas e proíbem a inclusão de mulheres trans em competições femininas, são as propostas (PLs 2200/19,2596/19 e 2639/19). Em doze estados, as assembleias legislativas também estão examinando projetos de lei que tratam da participação de atletas transgênero em competições esportivas.

Os cientistas presentes ao debate da Comissão do Esporte, foram contrários à diretriz do Comitê Olímpico Internacional (COI) que recomendou às federações das várias modalidades que levem em conta apenas o nível de testosterona dos atletas para definir quem pode competir com quem. Alícia Kruger, que é mestre em Saúde Coletiva, explicou:

“A evidência nos mostra que capacidade muscular, capacidade de transporte de oxigênio, padrão de quadril ginecóide ou androide, nós temos diferenças entre pessoas cis e trans. Então, nós precisamos entender muito bem da Biologia, dessa ciência que não é exata, mas é uma ciência rica, para que nós possamos endossar ou mesmo contestar qualquer participação de qualquer pessoa nos esportes”

Magnus Dias da Silva, médico e professor de endocrinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembrou que os estudos ainda são inconclusivos na tentativa de afirmar se há ou não desvantagem desportiva na participação de transgêneros no esporte.

“Há o uso de critérios endocrinológicos e construções biológicas que podem afetar a equanimidade. Mas é necessário, antes de excluir essa população do meio esportivo, que tentemos reduzir as diferenças e sejamos inclusivos”

A ciência tem comparado a diferença de desempenho entre homens e mulheres. O advogado esportivo Marcelo Franklin disse que essa vantagem vai de 10% a 12% para os homens.

O consenso na audiência pública foi de que não existem estudos científicos que comprovem conclusivamente uma vantagem de homens e mulheres trans sobre seus concorrentes cisgênero, aqueles que mantêm o sexo biológico com o qual nasceram.

Ana Paula Henkel, ex-jogadora de vôlei, expôs casos de atletas que se sentiram preteridas por terem perdido vagas em equipes para mulheres trans. E disse:

“O pilar mais forte do esporte é a biologia e a identidade social. Não existe Ana Paula versus Tiffany, até porque não sei quantificar o que elas passaram para conquistarem seus espaços. O que nós defendemos, acima de tudo, é o debate e estudos conclusivos a respeito da possível desvantagem que a participação dos transgêneros no esporte de alto rendimento pode ocasionar.”

Tiffany falou com emoção sobre as dificuldades da transição de gênero. Ela iniciou em 2012 o processo de mudança de gênero, passou por duas cirurgias e fez tratamento hormonal para diminuir os índices de testosterona. Em 2017, a Federação Internacional de Vôlei concedeu autorização para que ela voltasse a jogar e a Confederação Brasileira de Vôlei também liberou sua participação nos campeonatos, após exames médicos constatarem que ela atendia as determinações do COI.

A atleta defendeu a permanência dos atletas trans no esporte profissional e relatou preconceitos sofridos em sua atuação nas quadras.

“Um do meu time, porque eles exigem de mim o que eu não posso fazer, porque alguns pensam que eu posso fazer e outros falando que eu faço demais. E eu faço o quê? Esse é meu trabalho, eu tenho que fazer o meu melhor. Aí eu chego em um jogo e faço 28 pontos: ‘Ah, é porque é uma mulher trans’. Mas a mulher que fez 34 (pontos), não é uma mulher trans, ela pode”

Ela também ressaltou:

 “Por conta da mudança de gênero, meu corpo tem dificuldade para produzir hormônios. Em testes dentro do meu clube, tenho tido desempenho inferior ao de muitas garotas”

 

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