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Sete maneiras de ajudar quem tem depressão

Sete maneiras de ajudar quem tem depressão

 

Uma campanha nacional tem como objetivo a conscientização sobre a depressão a partir de uma perspectiva inovadora: a empatia. Com o mote #PodeContar, o movimento levará informações sob uma abordagem mobilizadora e com embasamento científico. O objetivo é estimular a quebra do paradigma da doença relacionado aos seus estigmas e preconceitos.

“Muitos têm vergonha de expor o que estão sentindo. Sentem vontade de falar sobre suas dores ou problemas, mas têm medo de serem considerados fracos. Esse comportamento tem relação com a qualidade das nossas interações. Estamos hiperconectados pelas redes sociais, mas não cultivamos relações reais”, afirma o médico Táki Cordás, Coordenador da Assistência Clínica do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo todo. Menos da metade dos pacientes deprimidos procuram ajuda ou são tratados.

“Entender que a depressão é uma doença é o primeiro passo para buscar ajuda e receber o diagnóstico”, explica  Carmita Abdo, Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

E aqui listamos sete maneiras de ajudar quem tem depressão. O conteúdo vem do coletivo “Pode Contar”, idealizado pela Medley.

1 – Ouça com atenção e acolha

Ouvir o que a pessoa tem a dizer é uma das melhores formas de ajudá-la. Olhe nos olhos, preste atenção e leve em consideração o que ela está dizendo. Não desmereça a sua condição. Exerça a empatia e ofereça o seu suporte e acolhimento, sem julgamentos.

2 – Estimule-a a procurar ajuda profissional

As suas intenções poderão ser as melhores, mas elas não substituirão o tratamento de um profissional. “É extremamente importante procurar ajuda profissional. Muitas vezes, a pessoa não quer. Deve-se ser resiliente e continuar sugerindo a consulta com um médico”, diz Luiz Scocca, médico.

O psiquiatra conta que a maioria dos seus pacientes chega ao consultório acompanhada de um amigo ou parente — principalmente os homens, que normalmente são mais relutantes em procurar ajuda do que as mulheres. Uma das formas de estimular quem está em depressão a ir ao médico é procurar um bom profissional e se oferecer para marcar a consulta. Além disso, sugira acompanhá-lo.

3 – Desencoraje o consumo de álcool e drogas

Álcool e drogas são válvulas de escape para quem tem depressão. Porém, são muito perigosas, pois podem piorar o quadro pelo seu efeito depressor. Portanto, você pode convidar o seu amigo para socializar e se distrair, mas não o estimule a beber ou a usar qualquer tipo de droga.

4 – Sugira a prática de esportes

A atividade física é uma grande aliada de quem está em depressão. Junto a outros métodos de tratamento, pode melhorar o humor e qualidade de vida. Para estimulá-lo a se exercitar, convide-o para caminhar, praticar algum esporte de grupo, participar de alguma aula ou ir à academia. Além de fazer bem para corpo e mente, a atividade física é um incentivo para sair de casa e socializar.

5 – Incentive a socialização

Quando a pessoa em tratamento estiver se sentindo mais forte ou disposta, você pode tentar animá-la a sair de casa e a socializar com outras pessoas. No começo provavelmente será difícil e ela irá relutar. Mas não desista e muito menos leve as negativas para o lado pessoal. Continue convidando para passeios ou atividade sociais, uma de cada vez, até que uma hora ela vai dizer sim.

6 – Reforce o fato de que a depressão é uma doença que tem tratamento

A depressão não é um transtorno simples, que pode ser superada sem ajuda. Mas é completamente tratável. No início do tratamento, há um período de adaptação e pode ser difícil enxergar um horizonte. Mas é importante lembrar a pessoa deprimida de que, na grande maioria dos casos, o tratamento funciona. Ou seja, uma hora ela vai se sentir melhor.

7 – Não ignore comentários suicidas

Existe uma ideia muito difundida no Brasil que diz que “quem vai se matar não avisa ou tenta, apenas se mata”. Isso é completamente falso. De acordo com Luiz Scocca, metade das pessoas que tentam se suicidar realmente conseguem. Além disso, 35% das tentativas malsucedidas são realizadas de novo dentro de um ano.

Portanto, nunca ignore um comentário sobre suicídio. Pelo contrário, leve-o a sério. Nesse caso, o que você pode fazer é conversar com a pessoa sobre isso e estimulá-la a procurar ajuda profissional o quanto antes. Avisar o terapeuta ou o psiquiatra responsável pelo caso também é uma saída.

Além de nunca ignorar um comentário suicida, não atrapalhe o andamento do tratamento. Isso significa não insistir em concepções falsas sobre a depressão, como a ideia de que é frescura ou uma tristeza passageira. Negar a existência da doença também é perigoso, assim como refutar automaticamente um comentário sobre suicídio.

O ideal, portanto, é oferecer o seu apoio com responsabilidade. Pronto para ajudar?