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Sarampo coloca o Brasil em alerta

Agência Brasil
Sarampo coloca o Brasil em alerta

O movimento antivacina foi incluído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em seu relatório sobre os dez maiores riscos à saúde global em 2019. Numa lista em que figuram vírus mortais como os do ebola, HIV, dengue e influenza, a “hesitação em se vacinar” foi incluída porque “ameaça reverter o progresso feito no combate às doenças evitáveis por meio de vacinação”.

Sarampo é uma delas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, onde não se registravam casos desde 2015, já foram dois casos (não contraídos na cidade) em abril. Hoje, tivemos a triste e lamentável confirmação de um caso autóctone “nativo” da cidade de São Paulo, noticiado pelo site da revista Veja.

Esses novos casos de Sarampo têm aparecido e deixado o país em estado de alerta.

Nos últimos anos, despencou os índices de vacinação, o que abre as portas para o reaparecimento das doenças antes erradicadas. Com o aumento de casos de sarampo, a médica Karina Catique, pediatra do Hapvida, alerta para os sintomas da doença: febre e manchas vermelhas acompanhadas de um ou mais dos sintomas como tosse, coriza e  conjuntivite.

De acordo com Karina, se uma pessoa tiver esses sintomas, é preciso procurar um pronto atendimento, para a realização de exame para o diagnóstico. O vírus do Sarampo é altamente contagioso – 90% das pessoas sem imunidade que compartilham espaços com pessoas contaminadas contraem a doença e é transmitido através do contato com gotículas do nariz, da boca ou da garganta da pessoa infectada, quando ela tosse, espirra e respira.

Alberto Chebabo, médico infectologista do laboratório Sérgio Franco/CDPI, reforça a importância da vacinação. “A vacinação do sarampo é fundamental porque o risco de transmissão é elevadíssimo quando há contato de uma pessoa não imunizada com uma doente. Sem a vacina, existe um grande risco de surto num local onde há pessoas sem a proteção. E é preciso uma cobertura de 95% a 98% para reduzir este risco em uma determinada localidade”.

“Para estar protegido contra o sarampo, o indivíduo precisa ter tomado duas doses da vacina”, explica a médica infectologista Maria Isabel Moraes de Pinto, do laboratório Delboni Auriemo.

O SUS oferece 2 doses gratuitas, a partir dos 2 meses de idade e até 30 anos. Para quem nasceu após 1960 e tem mais de 30 anos, o SUS oferece 1 dose. Há dois tipos de vacina. A tríplice viral (que oferece proteção contra sarampo, caxumba e rubéola) e a tetra, que além das três acima inclui ainda a varicela (catapora).

“Na situação que atravessamos atualmente em alguns estados, seria importante que todos procurassem suas carteiras de vacinação. Em caso de dúvida, vão até uma unidade de saúde, seja da rede pública ou da rede privada, para se informar se estão protegidos ou se precisam receber alguma outra dose”, reforça Maria Isabel.

 

Depois de contagiado, a pessoa passa basicamente por 3 fases. São elas:

 

1-      Fase Prodrômica ou Pródromo

Refere-se ao período de tempo entre os primeiros sintomas da doença e o início dos sinais ou sintomas com base no diagnóstico. Nela, o paciente terá os sintomas iniciais da doença. Dura cerca de 2 a 3 dias.

 

2-      Fase Exantemática

Ocorre piora dos sintomas nesta fase, podendo ocorrer as seguintes complicações: Erupções cutâneas que aparecem primeiro na cabeça e “descem” com o tempo para os pés e desaparecem em 7 a 10 dias, além de secreções aumentadas nas vias respiratórias superiores, elevada produção de muco nos pulmões, voz rouca e faringe e boca inflamadas.

 

3-       Fase descamativa

Nesta fase as manchas escurecem, provocando uma descamação fina. Contudo, a febre e a tosse diminuem sensivelmente. Entre os principais sinais estão: conjuntivite intensa, pneumonia, infecção no ouvido, diarreia, encefalite.

 A prevenção do Sarampo é feita através da vacina que é a forma mais eficaz de se prevenir contra o sarampo. Toda pessoa de 01 a 49 anos, inclusive quem já teve a doença deve se vacinar nas salas de vacinas disponíveis na rede pública ou particular. Ela tem eficácia em 97% dos casos. Também há anticorpos contra a doença, só que temporários, eles são transmitidos pela placenta para os lactentes de mães que já tiveram sarampo, o que faz com que o bebê fique imune em seu primeiro ano de vida.

 

A importância da vacinação existe justamente porque não há tratamento específico para a doença. “O que há é o tratamento para diminuir sintomas como a febre e tosse. Quando o médico indica algum antibiótico, ele servirá para combater alguma possível complicação”, explica  Karina.