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Médico brasileiro lidera estudo sobre doença cardíaca

Médico brasileiro lidera estudo sobre doença cardíaca

Nem sempre o uso de vários remédios de uma vez significa um tratamento mais completo para determinada doença. Um médico brasileiro liderou um estudo que mostra que menos pode ser mais, em pacientes com um problema no coração chamado fibrilação atrial não valvar, que é um dos tipos mais comuns de arritmia cardíaca, conjuntamente com doença coronariana.

Renato Deláscio Lopes, professor na Divisão de Cardiologia da Duke University, nos Estados Unidos, conduziu um estudo com mais de 4 mil pacientes em 33 países.

Na pesquisa, constatou-se que o anticoagulante Eliquis (apixabana) reduziu em 31% o risco de sangramentos importantes e clinicamente relevantes em relação a outro remédio,  varfarina.  O trabalho investigou pacientes com fibrilação atrial não valvar considerados de alto risco e de difícil tratamento: aqueles que tiveram síndrome coronariana aguda (SCA) ou que foram submetidos a uma angioplastia (desobstrução das artérias).

Esses pacientes, além da doença coronariana, apresentam batimento cardíaco irregular, o que dificulta o bombeamento de sangue e favorece a formação de coágulos no coração, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, são tratados com terapias combinadas que associam anticoagulantes orais, como os antagonistas de vitamina k e inibidores de plaquetas, em especial o ácido acetilsalicílico e o clopidogrel. O sangramento, porém, é a principal complicação associada a esta terapia antitrombótica.

“Embora os anticoagulantes orais e a terapia dupla antiplaquetária ajudem a reduzir o risco de infarto e eventos isquêmicos, a combinação desses medicamentos também leva ao aumento do risco de sangramentos. Daí a necessidade da realização de estudos para avaliar os regimes antitrombóticos mais seguros para os pacientes de alto risco”, afirma a diretora médica da Pfizer, Márjori Dulcine.

Um segundo objetivo do estudo era analisar a eficácia da utilização simultânea de dois medicamentos que inibem a ação das plaquetas (células sanguíneas responsáveis pela coagulação) para a prevenção de eventos isquêmicos nos pacientes.

Os resultados foram surpreendentes. No total, 16,1% dos 2.277 pacientes que tomaram ácido acetilsalicílico tiveram sangramentos, ante 9% das 2.279 pessoas do grupo que não tomou.

Pacientes que usaram a apixabana sangraram menos e tiveram  menos hospitalização. “Esse resultado do estudo deve mudar as diretrizes mundiais, porque nos dá uma direção de como tratar esses pacientes com uma filosofia de que menos é mais, ou seja, menos remédios combinados e usar um  medicamento mais moderno leva ao melhor desfecho do paciente”, afirmou o médico Renato Deláscio Lopes.

Lembre-se, somente o seu médico pode receitar remédios para a sua doença. Não tome medicamentos por conta própria.