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O PSL fechou com Rodrigo Maia?

Antonio Cruz/ Agência Brasil

O PSL, partido de Jair Bolsonaro, anunciou apoio a Rodrigo Maia em seu pleito por se reeleger à presidência da Câmara. Ou melhor: o presidente do PSL anunciou apoio a Maia. Não é distinção banal. Isto porque o PSL, como partido com importante representação legislativa, ainda não existe. É uma abstração; uma projeção. Uma incógnita. Inclusive porque, com raras exceções, seus eleitos têm absolutamente tudo a aprender em matéria de Congresso.

Aprenderão também – isto, rapidamente – que há cargos ali dentro, e que esses são finitos. Não que as brigas havidas entre alguns de seus membros não nos devam informar sobre o que esperar. Que se espere o pior. Quem briga pelo que ainda não tem – e não conhece – tanto mais brigará quando diante dos holofotes e ante a possibilidade de ocupar lugar em alguma comissão etc.

Voltemos, porém, aos arranjos relativos a acordos e apoios; esses tratos que se dão, costurados por dois ou três mais atentos e ativos, antes de a nova Legislatura começar. Pode funcionar no caso da reeleição de Maia – o que seria, diga-se, um acerto do partido, prova de maturidade, sinal de compromisso com o avanço das reformas necessárias, sobretudo a da Previdência. Não que Maia seja grande coisa e alguém confiável. (Pergunte a Temer.) Mas porque é o que se tem para hoje, no mundo real. E porque não é hora de inventar nem de ser valente – em matéria de política, não raro o mesmo que ser burro.

Pode dar certo, pois, no caso do apoio a Maia. Seria bom, dadas as circunstância. Mas convém prudência. De Maia. Se o PSL é uma incógnita, o que seria o apoio do PSL? Eduardo Bolsonaro, por exemplo, já se manifestou, não faz muito, contrariamente a que o partido se comprometesse com a reeleição do atual presidente da Câmara. Chegou mesmo a citar outros nomes e a declinar preferências. A ser assim mesmo, como divulgado, a adesão do PSL à candidatura de Maia seria uma derrota de Eduardo, filho do presidente da República e deputado federal eleito, por São Paulo, com a maior votação da história. E não uma derrota qualquer, mas uma imposta pelo seu próprio partido. Ficará por isso mesmo? Ou ele mudou de ideia, articulou nos bastidores por Maia e deixou Luciano Bivar se queimar dando a cara para divulgar o acordo – via algo como o tal toma-lá-dá-cá – com a velha política?

Sejamos claríssimos: sem bancada significativa no passado e, pois, sem memória – sem experiência – do que seja liderança partidária, é impossível prever como os deputados eleitos pelo PSL, muitos dos quais devedores de Eduardo, comportar-se-ão ante uma palavra de ordem, de origem alheia, para que fechem questão relativamente a um tema. Serão muitos. Não haverá divergência? Entre, por exemplo, o presidente do partido, Bivar, e Eduardo Bolsonaro, quem terá mais garrafas a vender?

Com raras exceções, entre as quais Joice Hasselmann e Luiz Philippe de Orléans e Bragança, o PSL elegeu gente cujo único predicado é haver se associado a Bolsonaro no momento certo; um grupo heterogêneo de cidadãos que ignora as engrenagens partidárias e a lógica do Parlamento, e cujo modus operandi quando afinal detentor de poder pode resultar no impulso deslumbrado de independência que precede a morte política e a eleição de um Severino Cavalcanti. O Parlamento se tornou, progressivamente, um grande baixo clero, uma casa desprovida de líderes, em que a imprevisibilidade ganhou corpo.

Rodrigo Maia deveria se acautelar. O apoio virtual do PSL, tornado público, já lhe custou o desembarque do PT. O próprio fato de, sendo quem é, ser considerado o que de mais viável e seguro – garantidor de estabilidade, fiador do conjunto de reformas – há na Câmara para comandá-la já o deveria pôr desconfiado.