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Onyx precisa cair

Fátima Meira/Estadão Conteúdo
Onyx precisa cair

Está claro, faz tempo, que Onyx Lorenzoni, desprezado pelo Congresso, está aquém da missão de articular politicamente para o governo. Não tem estatura política nem meios de evoluir no métier.

O dado recente, embora previsível, é que ele trabalha, de modo franco, contra a pauta econômica – a da reforma da Previdência – sem a qual o governo Bolsonaro se tornará rapidamente disfuncional. É o artífice da ideia segundo a qual se pode empurrar o problema para o próximo presidente – uma estupidez sem tamanho, verbalizada pelo próprio presidente na semana perdida que foi a passada.

Onyx é o senhor da bateção pública de cabeças que expôs o novo governo na última sexta. Aquele espetáculo de desinformação não decorreu apenas de incompetência, mas sobretudo de disputa por poder.

É óbvio que Paulo Guedes ou qualquer outro negará as trombadas. Porém, um presidente desmentido algumas vezes num mesmo dia quer confirmar algo, e não pega bem imaginar que o próprio Bolsonaro possa estar sendo manipulado nesta batalha.

Paralelamente, O Globo publicou hoje, domingo, a notícia de uma estratégia que, a ser procedente, seria a salvação da pátria bolsonarista, encaminhamento decerto concebido pela equipe econômica de Guedes, a facção do governo que melhor compreende a dinâmica da administração pública e as necessidades de interlocução com o Parlamento. 

Secretário de Previdência do Ministério da Fazenda e, não tenho dúvida, responsável por haver ajustado a máquina de costura política da pasta, inclusive no sentido de apoiar a reeleição de Rodrigo Maia ao comando da Câmara, Rogério Marinho – a quem não conheço e jamais vi, nunca falei – seria o nome perfeito para comandar a Casa Civil e dar gestão política profissional ao Planalto. O trabalho brilhante que fez, como relator da reforma trabalhista, o credencia a esta missão. Há outras boas opções, contudo. Que se as use.

Não é hora de amadores apaixonados pela própria ascensão política. Isto é certo. Onyx está atrapalhando. Precisa cair. Já. Nada pessoal. Mas está claro que, em curto prazo, será ele ou o projeto econômico eleito com Bolsonaro. Não dá para ter dúvida, se o pensamento estiver no Brasil.

E que não nos iludamos com a muleta objetiva segundo a qual o governo começou faz uma semana apenas. Em termos de percepção pública e de oportunidades políticas – em termos, portanto, de vitalidade do capital político conquistado com a eleição -, o governo começou no exato instante em que Bolsonaro venceu. O tempo está correndo. Não se é popular para sempre. E ser popular de nada serve ao país senão para alicerçar movimentos de coragem.

Se Bolsonaro quer ser um grande líder, um estadista, precisa viabilizar o próprio governo. Não há viabilidade sem uma reforma da Previdência que corte na carne. E não haverá projeto de reforma previdenciária minimamente rigoroso sem que o presidente antes se livre daqueles, entre os seus, que trabalham contra.

A não ser que Onyx seja a expressão do que Bolsonaro deseja, o boi-de-piranha que se deixa sangrar, agindo contra a reforma, para poupar o chefe de ter de fazê-lo. O tempo dirá.