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Sigilo de Flavio quebrado. O presidente já sabia?

Sigilo de Flavio quebrado. O presidente já sabia?

Quero destacar a passagem completa da fala de Jair Bolsonaro – de 10 de maio – em que tratou do possível tsunami a ter vez nesta semana que já corre:

Alguns problemas? Sim. Talvez tenha um tsunami na semana que vem. Mas a gente vence esse obstáculo aí, com toda a certeza, porque somos humanos. Alguns erram. Uns erros são perdoáveis, outros não. Assim é na nossa vida familiar também.

Destaco a última frase, que passara quase despercebida; mas que ora se impõe, à luz da notícia de que a Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz.

Seria esse o tal tsunami a que se referiu o presidente? Erros, uns perdoáveis, outros não, que podem também ocorrer na vida – no ambiente – familiar? Hein?

Note o leitor – detalhe importante – que o pedido do Ministério Público foi judicialmente autorizado em 24 de abril.

Terá sido o presidente informado com antecedência sobre a quebra de sigilo? Terá sido por esse motivo que o senador Flávio resolveu dar entrevista, ontem, ao Estadão? Será essa a razão de as milícias digitais bolsonaristas terem se assanhado – um ou dois tons acima da truculência habitual – e partido para o ataque no final de semana? Terá havido um comando para tumultuar e bagunçar – levantando suspeitas contra inimigos – de modo a acirrar os ânimos com os quais a notícia seria recebida?

E se ainda não for esse o tsunami, meu Deus!? E se não for esse – uma autorização judicial para quebra de sigilo num intervalo de mais de dez anos, entre 2007 e 2018 – o tsunami? É muito tempo… Muita exposição. Virá coisa pior?

Provocará o presidente outro tsunami para encobrir esse?

O mercado futuro de crises anunciado por Jair Bolsonaro é o melhor retrato de um governo que opera na imprevisibilidade – tudo de que um país não precisa.