Pular para o conteúdo

Para animar o sábado, dois textos que publiquei em 2017

Para animar o sábado, dois textos que publiquei em 2017

6 de julho de 2017

Não acredito – nunca acreditei – nos Bolsonaro, cuja inconsistência política só não é maior do que o oportunismo para capitalizar sentimentos contra o establishment, e desprezo o bolsonarismo, que considero uma das expressões da doença moral do brasileiro.

Ainda escreverei a respeito, mas a ideia influente de que sejam representantes do conservadorismo é bárbara deturpação conceitual. Eles precisariam de alguma dimensão espiritual para tanto; de alguma noção sobre o belo; francamente, de alguma cultura.

Mas sou um homem construtivo e objetivo em minha crítica: eles precisam – urgentemente – de um revisor para os textos que publicam.

7 de julho de 2017

É também significativo da miséria política brasileira que Bolsonaro seja hoje a bússola a partir da qual se define quem é ou não de direita.

Vocês estariam de brincadeira, não fosse isso grave deturpação.

Outra coisa: eu não me intimido com patrulha. Já trombei com as piores.

Me divirto quando vejo bolsonarista – gente que acha que fará uma revolução com militância fanática em rede social – dizendo que eu nunca fiz coisa alguma pela direita. Nunca fiz mesmo. Não é meu papel. Mas: e pelo contraditório? E pela circulação de ideias divergentes? E pela garantia de espaço para que inclusive toupeiras políticas juvenis subissem à tribuna e se sentissem protegidas – lastreadas – para opinar?

Olhem os livros que publiquei e publico; vejam onde está uma das principais origens do debate público neste país. E depois me digam qual é a contribuição – prática, objetiva – dos Bolsonaro para o Brasil. Me digam, por favor, o que ergueram que não tenha sido um castelo em benefício exclusivo deles próprios. Hein?

Chega de histeria.